
As pessoas procuram terapia por diversos motivos. Pode ser que elas tenham passado ou estejam passando por uma situação traumática, pode ser por conta de uma perda que estejam enfrentando, podem estar precisando de alguém que lhes dê a mão e uma injeção de confiança, alguém que trabalhe na fonte das inseguranças, medos e dos dons, do que aquela pessoa tem para oferecer não só ao mundo mas a si mesmo. Pode ser que essas pessoas tenham patologias graves, tenham atentado contra a própria vida, de diferentes formas, podem ter problemas sérios que nem mesmo conseguem perceber mas seus entes queridos e as pessoas em volta sim. Por fim, alguém perto (familiares, amigos, amantes) podem julgar necessário, embora, esse último tipo não costume vingar. Terapia bem sucedida tem que ser querida.
E eu quero a minha. Já faz uns anos. Eu gosto da minha terapeuta (pelo que pude perceber, só eu, na minha família). Mas aí é que está: eu. Quem é tratada, quem desenvolveu uma relação de respeito e muita confiança com essa pessoa ao longo de anos. Houve, um momento inicial de desconfiança, muitos silêncios, me ganhar, não é fácil. E a Mônica me faz bem. Ela me acalma, ela me entende. Ela me diz quando estou errada.
Diante de tantos “eu não sei se está funcionando”, parei para pensar o que seria “funcionar”. Nós (eu e ela) sempre conversamos sobre os progressos. Não houveram retrocessos, apenas pontos que, ainda não progrediram. Me dei conta de que, algumas pessoas podem pensar que a terapia serve para mudar alguém ou, pelo menos, para mudar certos comportamentos do analisado que as demais pessoas discordam ou consideram desagradáveis.
Sendo isso, será que alguém já parou pra pensar se é realmente isso que deve ser trabalhado? A meu ver, é minha saúde mental, é um andar plena sob meus próprios pés, deixar para trás distúrbios nocivos, conquistar (meu mestrado, meu livro… mais pra frente… minha profissão… e mais pra frente ainda: minha casa e minha própria família nuclear).
Sem pendências ou dependências sejam elas financeiras ou emocionais. O que quer que achem que deve se mudar em mim (talvez algum dos trocentos problemas de relacionamento que eu tenho com algumas pessoas por causa de um passado distante e não tão distante): não vão mudar. O que pode acontecer (eu espero) é eu superar e conviver bem com isso.
O fato da terapia ser paga é porque aquele profissional precisa viver, como qualquer outro. Mas como e porque as pessoas querem atribuir um valor de capital nisso sendo que o que vale mais é meu bem – estar? Não há como fazer prospecção de resultados, lucros nesse caso, esperando que em tempo “x”, tudo esteja resolvido, a “cura” seja certa (ou o dinheiro de volta), assim como todos esperam e eu seja dócil.
Antes de docilidade, o importante é ter saúde.