Just a half

She is not quite used to make wishes at any time. Recently, she discovered – with no pain and no disappointment that her birthday was just another day of the 365 days of the year. Nothing special would happen. People wouldn´t think of this before do or say anything, life didn´t stop because she consider being alive for another year – and only her knew how much it cost her to maintain herself alive – a special ocasion.

I´ve done it, again. Another year. Sometimes, just that alone make her want to pray and cry, go to a church and ask a priest to be blessed. Sometimes, she just wanted to make a bonfire in the piazza and burn all the pills, telling everyone she never needed it, the pills were nothing but a back up plan.

There was still little pleasures in life – but, this life was always hunting her with anguish and emptyness. What life does really mean? More important: what is life after love or even without it?

A half – death.

” A Cura”

As pessoas procuram terapia por diversos motivos. Pode ser que elas tenham passado ou estejam passando por uma situação traumática, pode ser por conta de uma perda que estejam enfrentando, podem estar precisando de alguém que lhes dê a mão e uma injeção de confiança, alguém que trabalhe na fonte das inseguranças, medos e dos dons, do que aquela pessoa tem para oferecer não só ao mundo mas a si mesmo. Pode ser que essas pessoas tenham patologias graves, tenham atentado contra a própria vida, de diferentes formas, podem ter problemas sérios que nem mesmo conseguem perceber mas seus entes queridos e as pessoas em volta sim. Por fim, alguém perto (familiares, amigos, amantes) podem julgar necessário, embora, esse último tipo não costume vingar. Terapia bem sucedida tem que ser querida.

E eu quero a minha. Já faz uns anos. Eu gosto da minha terapeuta (pelo que pude perceber, só eu, na minha família). Mas aí é que está: eu. Quem é tratada, quem desenvolveu uma relação de respeito e muita confiança com essa pessoa ao longo de anos. Houve, um momento inicial de desconfiança, muitos silêncios, me ganhar, não é fácil. E a Mônica me faz bem. Ela me acalma, ela me entende. Ela me diz quando estou errada.

Diante de tantos “eu não sei se está funcionando”, parei para pensar o que seria “funcionar”. Nós (eu e ela) sempre conversamos sobre os progressos. Não houveram retrocessos, apenas pontos que, ainda não progrediram. Me dei conta de que, algumas pessoas podem pensar que a terapia serve para mudar alguém ou, pelo menos, para mudar certos comportamentos do analisado que as demais pessoas discordam ou consideram desagradáveis.

Sendo isso, será que alguém já parou pra pensar se é realmente isso que deve ser trabalhado? A meu ver, é minha saúde mental, é um andar plena sob meus próprios pés, deixar para trás distúrbios nocivos, conquistar (meu mestrado, meu livro… mais pra frente… minha profissão… e mais pra frente ainda: minha casa e minha própria família nuclear).

Sem pendências ou dependências sejam elas financeiras ou emocionais. O que quer que achem que deve se mudar em mim (talvez algum dos trocentos problemas de relacionamento que eu tenho com algumas pessoas por causa de um passado distante e não tão distante): não vão mudar. O que pode acontecer (eu espero) é eu superar e conviver bem com isso.

O fato da terapia ser paga é porque aquele profissional precisa viver, como qualquer outro. Mas como e porque as pessoas querem atribuir um valor de capital nisso sendo que o que vale mais é meu bem – estar? Não há como fazer prospecção de resultados, lucros nesse caso, esperando que em tempo “x”, tudo esteja resolvido, a “cura” seja certa (ou o dinheiro de volta), assim como todos esperam e eu seja dócil.

Antes de docilidade, o importante é ter saúde.


O que é preciso para chamar uma casa de lar?
Eu já me mudei algumas vezes. Algumas delas por necessidade, outras, por que fui delicadamente convidada a sair de uma casa, outras ainda porque eu senti que precisava ir.
O fato é que, anda cada vez mais difícil encontrar uma casa – ou melhor, lar. Das duas, uma: o ambiente físico é propício e acolhedor, envolvente, como eu imagino que um lar tenha que ser mas, a sensação de pertencimento e amparo não se sustenta devido a convivências turbulentas. Abrir espaço para o outro, respeitar ter paciência (muitas vezes infinitas – ou de Jó!), coexistir. É difícil. Qual o limite da(s) tentativa(s)? O quanto se deve insistir? E qual é a hora de ir embora quando a não há mais resquício de paz e tudo são decepções, desconfianças, frustrações, dor de cabeça e stress, muito stress? Tentar conviver quando o prazer da convivência começa a se esvair a ponto de influenciar no sentimento pelas pessoas com as quais se convive não é quase como ser expulsa, sem ser, principalmente se, os problemas da casa tem um nome e o nome é o seu?
Por outro lado, há aquela casa na qual os que vivem nela, se alegram e facilitam seu trânsito nela, mesmo sendo esta casa mais modesta e com a logística menos amarrada. Entretanto, há a falta do espaço físico. A sua chegada implica num desalojar de outro membro da casa – um não morador mas que tem o seu quarto, com suas coisas.
Durante os primeiros dias, ou semanas da sua chegada, tudo seu está sem lugar (assim como você), num quarto de… alguém.Atrapalhando, possivelmente.
Você e suas malas, e suas bolsas e suas coisas, ali. Sem lugar.

Him

Burroughs and cat

“Os antigos egípcios pranteavam a perda de um gato e raspavam as sobrancelhas. E porque a perda de um gato não pode ser tão tocante e sentida quanto qualquer perda?As pequenas mortes são as mais tristes como mortes de macacos.”*

Quincy. Quincy Frajola. Quin Quin. Um espécie preto e branco. Tão preto quanto branco, por igual. Olhos âmbar e um focinho cor- de – rosa com uma mancha negra. Manhoso e mal humorado, entre Garfield e Frajola nos seus melhores dias de caçador, quando chegou a abater uma cigarra, a qual torturou. O grande querido das vizinhas – tanto a loira quanto a morena, o grande querido das outras gatas e, é claro, o grande querido das mulheres da casa. O amor da minha vida, era um gato que morreu.
Pensar em ir à casa que ia toda semana sem ele, é como imaginar ir a uma casa vazia, onde ninguém me esperará com uma aconchegante pelúcia bicolor a se espalhar ao meu lado, ninguém para determinar que é chegada a hora de chupar o dedo, nenhum miado pela manhã, ninguém para avisar que o leite está fervendo.
Obrigada a viver, passando o meu luto quase como se ele não existisse, com a alma amputada e sabendo que aqueles olhos não mais recairão em mim, que eu não poderei mais esfregar meu nariz no dele e que, quando estiver chorando, não virá ninguém a ficar de vigília ao meu lado, sem arredar o pé e sem dizer nada e nem pedir nada, só querendo que eu melhore, só estando ali para mim. Dizer “amor”, é pouco. Era uma simbiose de espíritos. Nós éramos.

“Eu já disse que gatos servem como Familiares, companheiros psíquicos.”Eles são mesmo uma companhia”. Os Familiares de um velho escritor são suas memórias, cenas e personagens de seu passado, real ou imaginário. Um psicanalista diria que eu estou simplesmente projetando essas fantasias em meus gatos. Sim, de maneira bem simples e literal, os gatos servem como telas sensitivas para atitudes bastante precisas quando escalados em papéis apropriados. Os papéis podem mudar e os gatos podem assumir vários papéis: minha mãe,minha esposa, Joan, Jane Bowles; meu filho, Billy; meu pai; Kiki e outros amigos;Denton Welch, que me influenciou mais do que qualquer outro escritor, apesar de nunca termos nos conhecido.Os gatos podem ser meu último elo com uma espécie moribunda.”
*BURROUGHS, William. O gato por dentro – Porto Alegre, RS: L&PM, 2007

Para quem acredita que o tempo supera


“rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; por isso, ninguém em nossa casa há de dar nunca o passo mais largo que a perna: dar o passo mais largo que a perna é o mesmo que suprimir o tempo necessário à nossa iniciativa; e ninguém na nossa casa há de colocar o carro à frente dos bois: colocar o carro à frente dos bois é o mesmo que retirar a quantidade de tempo que um empreendimento exige; e ninguém ainda em nossa casa há de começar nunca as coisas pelo teto: começar as coisas pelo teto é o mesmo que eliminar o tempo que se levaria para erguer os alicerces e as paredes de uma casa; aquele que exorbita no uso do tempo, precipitando-se de modo afoito, cheio de pressa e ansiedade, não será jamais recompensado, pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas, não bebendo do vinho quem esvazia num só gole a taça cheia. mais fica a salvo do malogro e livre da decepção de alcançar aquele equilíbrio, é no manejo mágico de uma balança que está guardada toda a matemática dos sábios, num dos pratos a massa tosca, modelável, no outro, a quantidade de tempo a exigir de cada um o requinte do cálculo, o olhar pronto, a intervenção ágil ao mais sutil desnível”
NASSAR, Raduan. Lavoura Arcaica – 3a. edição- São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

e não respeita esse tempo, que dizem curandeiro
e nem a dor,
e nem o luto.

Para amar:

É preciso estar durante a maior parte do tempo num estágio de admiração profunda, quase sagrada pelo outro ser, que este outro desperte um lampejo qualquer de respeito profundo, espanto, compaixão  : uma motivação fora do comum pelo seu trabalho seja por estar fazendo o que ama, seja porque quer fazer a diferença – qualquer que seja ela – em qualquer âmbito, queira difundir algo, formar, discutir, propagar. Ter uma relação consigo mesmo e com o trabalho/estudo que religue esta pessoa ao mundo, à humanidade, a  um sentimento órfico, uma das maneiras de entender e aceitar algo além, fazer disso uma faceta do divino em si e para si (e outros).

Ou uma (pré) disposição ilimitada pra a doação de si ao outro, para o amor, a criação de mundos entre risadas e lençóis em dias de domingo, delicadezas, um acompanhar mesmo em trevas, se pôr inteiramente nele, sentir tanto e tão junto que, se um sofre o outro (pres)sente, sofrendo também. A possibilidade de enxergar uma outra face no além, o divino em um sinal na pele amada.

É preciso que esta pessoa seja um conglomerado de quereres e sentires incessantes que ora a aproximam ora a afastam de todo o mais, entusiasmando-lhe e deprimindo-lhe ao mesmo tempo, forçando a um movimento. A movimentação ao invés da inércia e do escapismo barato por substâncias.

Sem essa admiração, a ruína chega. O sentimento não se sustenta. Não há troca possível com quem não tenha sonhos para dividir ou não faça absolutamente nada para que estes mesmos, ainda que utópicos, passem a ser possibilidade.

Hoje, não.

Depois de algum tempo vivendo, aprende-se que: embora nunca possamos ser capazes de explicar (e tentemos achar milhões de explicações) de por que um amor “acaba”, por que alguém entedia-se, por que deixa-se o outro, essas pessoas que esquecem, que abandonam, que resolvem largar não sentem ou não sentiam aquilo. Não importam frases ou meias explicações como “não sou capaz de manter um relacionamento por mais de x tempo”, ou “eu sou assim mesmo”, “é meu jeito” e similares. É desamor ao outro, principalmente se esse outro deixa de ser uma grande fonte de entretenimento e prazer e vira sinônimo de vida – normal e adulta.

Não sei qual foi o motivo (talvez tenha sido um engano, mas nunca saberei) de.

Hoje, com o trânsito no centro endoidecido num centro da cidade endoidecido por uma passeata incitada pelo governador e uma reunião marcada justamente no centro, para tratar de um assunto desagradável, tive de descer do ônibus na Primeiro de Março, em frente àquela rua. Atravesei o sinal, mas,ao invés de entrar na rua, e me deparar com figuras passadas, de gente que abandona, continuei na Primeiro de Março e entrei na próxima. Perfeito, caí na Rua da Quitanda, a rua certa.

Hoje não era dia de encontrar ninguém, nem por acaso. Digo não e dou meia volta à possibilidade de assombrações, não me deixo ser perseguida por mais do que lembranças,quero que tudo que me chegue seja intocável, invisível, inaudível e impalpável. Se eu fui abandonada, me detenho no papel e me deixo estar longe das vistas, longe de notícias, de radar, longe de tudo, longe de quem quase sempre esteve longe.

Hoje, eu me resguardo e me protejo.

Hoje, não.