Monthly Archives: December 2009

The mean reds

Holly Golightly: You know those days when you get the mean reds?
Paul Varjak: The mean reds, you mean like the blues?
Holly Golightly: No. The blues are because you’re getting fat and maybe it’s been raining too long, you’re just sad that’s all. The mean reds are horrible. Suddenly you’re afraid and you don’t know what you’re afraid of. Do you ever get that feeling?
Paul Varjak: Sure.
Holly Golightly: Well, when I get it the only thing that does any good is to jump in a cab and go to Tiffany’s. Calms me down right away. The quietness and the proud look of it; nothing very bad could happen to you there. If I could find a real-life place that’d make me feel like Tiffany’s, then – then I’d buy some furniture and give the cat a name!

[ Breakfast at Tiffany´s]

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Dorme em paz

Não precisa fechar os olhos para recorrer a sensações ainda presentes. É como se a cama, contivesse ainda não só o cheiro, mas aquele lugar que dividira. Pessoa única nessa cama, além dela. Uma cama de solteiro ainda menor do que as camas nas quais se acostumara a dormir ou talvez seja somente impressão pelo quarto inteiro ser, menor. Mas elas cabiam. Com seu pequeno espaço e pequenas vidas (não no sentido de diminutas, mas de precisar de pouco), já que, juntas, não precisavam de quase nada. Bastavam-se mutuamente, através das risadas, das conversas e dos olhares subtraídos. Quase nunca olhavam uma para a outra. Era o medo de dizer. O medo do que se estampa nos olhos, cuja transparência, nem mesmo tons castanhos podem ocultar.

Todas as sensações numa memória de acesso rápido, ao alcance. A mão passando pela cintura fina, segurando, primeiro tímida, depois segurando, como se realmente precisasse segurar para impedir a partida da outra. O cabelo, o cheiro, as mãos, o sorriso, as roupas. Tudo o que a outra imaginava que não chamava a atenção primavam na lembrança dela, como o menos que é muito mais, que é tudo.Os momentos de silêncio e de respirações barulhentas de quem guarda dentro de si, mil segredos e um principal: uma declaração nunca feita. Evidente nos olhos. Evidente em todo o bem estar. Evidente na maneira como deitava ao lado dela, mesmo na cama e no quarto miúdo e dormia profundamente, tentando se aninhar. Dormia bem, dormia em paz.

Era tudo.


Pink Bullets

Antes de escrever novamente, ainda no clima tristeza e música, recado:

“I was just bony hands as cold as a winter pole
You held a warm stone out new flowing blood to hold
Oh what a contrast you were
To the brutes in the halls

My timid young fingers held a decent animal.

Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days were long.

Cool of a temperate breeze from dark skies to wet grass
We fell in a field it seems now a thousand summers passed
When our kite lines first crossed
We tied them into knots
And to finally fly apart
We had to cut them off.

Since then it’s been a book you read in reverse
So you understand less as the pages turn
Or a movie so crass
And awkardly cast
That even I could be the star.

I don’t look back as much as a rule
And all this way before murder was cool
But your memory is here and I’d like it to stay
Warm light on a winter day.

Over the ramparts you tossed
The scent of your skin and some foreign flowers
Tied to a brick
Sweet as a song
The years have been short but the days go slowly by
Two loose kites falling from the sky
Drawn to the ground and an end to flight.” [ The Shins – Pink Bullets]

Há uma explicação para Pink Bullets.


Imaginativo se

” We’ll collect those lonely parts and set them down ” (Leif Erikson – Interpol)

– Seu coração é de ferro?

– Não, isso é só um simulacro.

– É bonito, mas cadê a chave?

– Não sei. Não creio que exista.

– Alguma vez você já pensou em levar para um chaveiro e ele fazer uma chave pelo molde?

– Nunca pensei nisso. Acho que a fechadura deve estar enferrujada ou se quebrou em chaves erradas.

– E como faz para entrar?

– Você  já está dentro dele. Achei que você enxergasse que o que você vê, é em forma de fechadura.

– E para sair?

– Eu não sei, nem o que sugerir. Quando isso aconteceu comigo, eu só quis me acomodar, do lado de dentro.

– Mas por que eu sinto que não estou dentro?

– Porque do lado de dentro as coisas nunca são como parecem. São sempre mais feias.

– Você me deixa sair?

– Se você quer de verdade.

– E como você vai saber se é de verdade?

– Aí que está, eu não vou saber.

* Ad infinitum*


We looked

“god damn the black night with all its foul temptations
i’ve become what i always hated
when i was with you then

we looked like giants in the back of my grey subcompact
fumbling to make contact
as the others slept inside”

[ We looked like giants – Death Cab for Cutie]


Sina

Os silêncios de então não incomodam. Nada naquela companhia incomoda. Enquanto o tempo passa e o céu muda de azul para cor de rosa, de cor de rosa para azul escuro, minutos se derretem entre conversas que oscilam entre sérias e inúteis. Entre risadas e ironias, passam horas derretidas entre pensamentos, vou não vou, faço não faço, falo não falo.

Nada vai.

Tudo não feito.

Tudo calado.

É a nossa sina.


Incerto

Quando nublado, sentia o tempo em comunhão consigo, seu estado de humor mais recorrente. Pensava em si mesma como uma metáfora das mais clichês que havia. Uma pessoa de uma melancolia tão característica e intrinseca que mesclava-se às nuvens escuras e pesadas vistas de todas as janelas das quais chegava perto. Passara há muito da fase de achar que, Shirley Manson cantando “I´m only happy when it rains” era um algo direcionado. Já fazia muito tempo que desconfiava ser para si até mesmo aquelas palavras direcionadas a ela.

Coisa pretensiosa, achar, que todas as palavras que saem da boca de alguém, tem a ver consigo. Não, não tem. Nenhum livro mais era escrito para si ou escrito como se fora ela mesma que tivesse escrito.

Remetente eu. Destinatário, incerto.


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