Ipanema

 A cores ou em preto e branco, Ipanema foi. Com o colorido das pessoas, da bandeira do arco- íris, do dia. Uma vez por ano, a sensação de enterrar os pés na areia quente, fritar no calor quase insuportável do Rio de Janeiro (mas e a maresia!) , tomar uma ducha fria, água – protetor solar – mate- cerveja.

Os corpos todos saudáveis, sem susto, todos atléticos menos elas. Duas cores de papel carregando na descomposição do ambiente. A magreza e palidez descendente européia apertando os olhos contra o sol enquanto o mar lambia as coisas todas, as pessoas e passava por baixo das cadeiras esticadas, em cima delas.

Iemanjá clama um novo par de havainas que tenta carregar para o mar. Volta, oferenda! Eu não mandei. Eu não fiz pedidos nem descumpri promessas, Iemanjá não é minha rainha. Não te conheço.

A volta, meninos do Rio e leõezinhos, Caetano Veloso aqui, estaria feliz. Chega mais gente, oi, feliz aniversário. Senta o homem que vem acompanhar as mocinhas.  Uma nuvem negra se aproxima enquanto o mar continua a lamber a areia escaldante mais e mais longe, foram-se piscinas naturais acima do banco de areia que era o nível de todos os banhistas, cobertas de lixo pelas bordas, como se fossem a marcação de seus limites.

O olhar por trás da lente fotográfica em volta, a procura (do quê, de quem?) . Acha um ponto. Solitário, um homem, sem barraca, sem cadeira e sem livro, olha o mar. Deve servir. Entendo. É um pedido à reflexão.

Chega de sol. Que venha a lua.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

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