Monthly Archives: April 2010

Isso tudo parece que, só está servindo pra mostrar que eu não tenho mais nenhum respeito por mim mesma.

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Personare

Então eu prescruto aqueles outros olhos castanhos, da cor dos meus, que estão longe, longe e que, nunca verei. Não sei o que faria se visse, não sei se teria coragem de dizer que: olha, ela não é minha nem sua. She´s not even her own.

Quando eu olho, caio naquele labirinto de perguntas sem fim. O que tem que eu não tenho? Como pode ser mais interessante que eu, aqui, bem ao lado? É a distância que torna tudo mais emocionante? Fico então nessa. Ainda que não seja feita diretamente a mim, essa comparação silenciosa, cada dia que passa mina todo o resto de auto estima que eu tenho. É quase como se, ser o que sou, não valesse porque eu não consigo ganhar de alguém que… é, não consigo ganhar. E pior, ninguém vai ganhar, nem mesmo, o vértice A. No final, vamos todas perder.

E eu fico procurando um propósito nisso tudo, esquecendo de procurar quando estou naqueles momentos. Mas um fim de semana inteiro, é excessão, não é regra. O que não esperar disso?


We´re all mad here

”  `Chesire Puss´, she begaan, rather timidly, as she did not at all know whether it would be like the name: however , it only grinned a little wider. ´Come, it´s pleased so far,`thought Alice , and she went on. Would you tell me, please, wich way I ought to go from here?`

`That dependes a good deal on where you want to get to,´said the Cat.

” I don´t much care where – ´said Alice.

`Then it doesn´t matter wich way you go, `said the Cat.

´- so long as I get somewhere,`Alice added as an explanation.

`Oh, you´re sure to do that´, said the Cat, `if you only walk long enough.`

Alice felt that this could not be denied, so she tried another question. `What sort of people live about here?`

´In that direction,`said the Cat, waving its right paw round, `lives a Hatter: and in that direction,`waving the other paw, `lives a March Hare. Visit either you like: they´re both mad.´

`But I don´t want to go among mad people,`Alice remarked.

`Oh, you can´t help that`, said the Cat: ´we´re all mad here. I´m mad. You´re mad.`

`How do you know I´m mad? ´said Alice.

`You must be, ´said the Cat,  ´or you wouldn´t have come here. `

Alice didn´t think tha proved it at all; however, she went on: `And how do you know that you´re mad? ´

´To begin with, ´said the Cat, `a dog´s not mad. You grant that?´

`I suppose so, `said Alice.

`Well then, ´the Cat went on, ´you see, a dog growls when it´s angry, and wags his tail when it´s pleased. Now I growl when I´m pleased, and wag my tail when I´m angy. Therefore I´m mad.´

CARROLL, Lewis. Alice´s adventures in Wonderland. Woodsworth Editions Limited. London. 2006. 


Imaginários

– Depois daquela comversa, achei que, para nós, fosse o fim.

Ela não respondeu. Ela nunca me respondia. Estavamos deitadas no escuro, algumas parcas luzes entravam por frestas da janela, luzes da noite, os postes da rua, a iluminação da praça, a lua. Eu não sabia se ela realmente queria estar ali embora, ela sempre tenha me dito que, se ela não quisesse estar num lugar, ela levantaria e iria embora. Simples assim.

Mas como pode ser simples assim? Nada me tiraria dali. Eu nunca cogitaria não ir e não ter aquele encontro. É claro, fui eu quem quis, pediu, programou. Ela só aceitou. De alguma forma, a aceitação dela foi, na verdade, algo que custou bastante. Eu arrastando-a para um passado que ela não queria relembrar, ela negou, fugiu e eu continuava ali, pedindo aquele sacrifício.

Tudo o que eu peço são sacrifícios. Não me admira que ela vá se cansar de mim. Eu quero demais. Ela não quer me dar. Ou não pode. Ou acha que não pode.

Tenho dificuldades de aceitar que as pessoas deixam passar o que querem, o que gostam, as pessoas a quem amam, com o simples argumento que elas irão se esquecer. Tem gente que não se considera inesquecível. Obviamente, ela nunca esteve dentro da minha cabeça e não sabe que, posso contar em uma mão (e ainda sobrariam dedos) quem eu esqueci, para sempre, para nunca mais lembrar. Não, ela não é assim. Com ela é tudo diferente.

Algum dia, será, ela já disse eu te amo para alguém que já amou? Talvez não, mas talvez, tenha arranjado outras formas de dizer. As pessoas que não conseguem entender.

– Lê meu pensamento?

E ela não sabe que eu daria um braço para poder conseguir.

Depois de quase um dia inteiro de entrelaçamento de corpos, onde mãos, braços, pernas e pés se confundiam, e da dor que sinto nas coxas, tardiamente, me dou conta que, cada vez mais, dormir e acordar se tornam atos pesados e dolorosos.

É só fechar os olhos que me vem, como se eu estivesse sido transportada para aquela hora, da madrugada, de novo. Aqueles cheiros, aquele barulho, aquela respiração, aquela sensação. Como passar a semana sem dizer que, estou apenas fabricando horas?

– E a gente acaba?


Pelos olhos outros

Enquanto me distraia, ligeiramente com o que já é, há tempos, passado, na memória de um pen drive largado no fundo da mochila, é assim que eu apareço, a outrem.


Domingando

 

Eu dormi num sono que não era sono, era uma vigília constante, um velar daquele sono outro. De vez em quando, abria os olhos me certificando que, sim, era verdade.  À tarde – já que trocamos tudo de lugar e tornamos a noite anterior uma tarde, a madrugada numa noite e a manhã, na madrugada – eu acordava olhando pro lado, quase no susto. E aqueles olhos se abriam e, tivesse eu longe, ou me puxavam, delicadamente ou faziam um movimento leve ao qual, eu, me enroscava chegando-me para o lado, ao encostar.

E ela sem perceber que, ali, era tudo dela. Inclusive aqueles outros seres (contando comigo) deitados na cama de casal. Eramos todos dela. Todos se abrindo em olhares castanhos e amarelos, para ela, que, displiscente, não levantava, para nada.

Tudo bem, eu trago o mundo para você. Fiquei aí que eu já volto. Ia mas sempre voltava, novamente me enroscando, aproximando as pernas e os braços do meu corpo, esperando aquele braço em volta de mim, esperando o carinho, no domingo que não passava, no tempo que havia parado.


I know you’re wise beyond your years, but do you ever get the fear
That your perfect verse is just a lie you tell yourself to help you get by?

[ Clark Gable – The Postal Service]


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