Monthly Archives: June 2010

Bem e mal me querem

Fui lá. Ganhei isso hoje. Minha tia de Vila Isabel disse isso estava lá pra mim desde o Natal. Certeza que minha avó comprou. Ganhei como presente póstumo.

Aliás, o tapete da tourada está guardado pra mim e, ganhei também, o caderno com poesias transcritas do meu avô (que não cheguei a conhecer) e da minha avó. A história de amor deles antes do casamento e no primeiro ano de casados. O último poema, ela escreveu há pouco tempo, esse ano, já com setenta anos.

Eu nunca soube dessa minha veia poética por parte de pai. Talvez seja hereditário. Chorei. Chorei mais ainda por não ser capaz de versar, só de prosar.

Talvez eu seja a escritora que eles não foram. Me surpreendeu minha avó nunca ter falado disso comigo. Lendo, descobri que ela era mais parecida comigo (na verdade, o contrário) do que eu achava. Só então entendi o olhar dela pra mim quando eu estava no hospital e a preocupação de eu estar fumando feito louca e agindo feito louca, sem vaidades, descuidada de mim, não querendo saber de vida. Ela entendia. Entendia mas engoliu. Sempre quis ser forte assim.

E o amor, sempre o amor. Era tão lindo, escreviam tão bem, me embalaram tão completamente. Retirarei um verso pra mim, para rabiscar em mim, em pele, carne e sangue.

Obrigada avó, obrigada avô, obrigado tia.

Fico aqui, com os desejos de bem me quer , mal me quer. Sabendo que, no momento, devo ser bem querida. Questão de compaixão. De mitgefühl, sabe… de sentir o que eu estou sentindo, exatamente, junto comigo. Feel my shoes.

Advertisements

A sorta fairytale

É engraçado como muita gente reclama que eu não vivo na realidade, que eu não sei reconhecer o real. Eu sei sim. Na metade do tempo, eu sou atraída magneticamente ao real, como um bichinho de luz.  Mas é claro, não esquecendo que eu sou uma pós graduanda em filosofia, é obvio que eu tenho que dizer “o real” ou “a realidade”, assim, entre aspas.

De qualquer forma, as pessoas deviam entender ou pelo menos abrirem a cabeça pra possibilidade de mais de um real, de múltiplas realidades, vidas, maneiras de ser, viver, estar, ver, sentir etc.

Esse real que todo mundo fala, me choca toda hora. Eu acho muito difícil passar por ele, viver nele, estar inserida dentro dele. É gente que morre, é relacionamento que termina, é depressão, é frio, chuva, vento, é MUITA coisa ruim. Eu sei que é muita coisa boa também mas e a impressão negativa? E se as coisas boas fossem tão maiores que as ruins porque justamente as ruins que a gente fica mastigando?

Pois é.

Semana passada, em outra cidade, outra realidade, outra vida, eu estava num estado meio de sono meio de vigília e me chamaram a atenção que começou a tocar A sorta fairytale, da Tori Amos, que, foi uma das músicas de alguma das trilhas sonoras de The L Word.

“on my way up north
up on the ventura
i pulled back the hood
and i was talking to you
and i knew then it would be
a life long thing
but i didn’t know that we
we could break a silver lining

and i’m so sad
like a good book
i can’t put this day back
a sorta fairytale
with you
a sorta fairytale
with you

things you said that day
up on the 101
the girl had come undone
i tried to downplay it
with a bet about us
you said that-
you’d take it
as long as i could
i could not erase it

(…)

and i rode along side
till you lost me there
in the open road
and i rode along side
till the honey spread
itself so thin
for me to break your bread
for me to take your word
i had to steal it”

E é por isso que é muito difícil voltar a rotina quando você se choca com a realidade.


não é um jogo

Tive um medo irracional – como quase todos os meus medos – de esbarrar com ela lá. Isso porque, eu não iria reconhecê-la, dificilmente me focava em um rosto somente naquele mar de pessoas que é o metrô paulista e, certamente, não seria numa adolescente que atrairia meus olhares diante de tantas coisas e pessoas diferentes.

Mas eu fiquei com medo mesmo assim. Se eu não a reconhecesse, pode ser que ela me reconhecesse e ficassemos naquele ranço no olhar de percebermos a outra.

Para mim, ela sempre foi a outra e para ela, o que é de fato a verdade, o certo, eu que era a outra. O que faria além de olhar e baixar a cabeça?

E será que baixaria a cabeça nesse complexo de superioridade que as vezes me assola? Afinal eu tenho anos e experiências que faltam a ela. Tenho outras coisas também. O que não quer dizer que ela não tenha mais do que eu.

Mas, é uma competição? Pessoas não deveriam colocar seus sentimentos/relacionamentos na mesa de jogo e apostá-los pra ver quem ganha.

Até porque essa, ninguém ganhou.


Agora eu não sei mais se a minha vida é aquilo lá ou aquilo aqui. Ou se é um entre meio. São Paulo me é estranho, me dá medo e frio, vertigem.

O Rio me é estranho, me esquenta demais, tem pessoas muito conhecidas e novidade de menos, é menor.

O lugar sem linha do horizonte definida ou o mar?

Eu não sei. Um pé lá outro cá.


Rosária

Nunca morre aquele que deixa saudades eternas

Lido hoje, num jazigo no cemitério do Caju.

(and methaphisics never felt so appeling.)


Lembro como se fosse hoje que, quando eu tinha 14 anos, um então amigo meu de classe, escreveu no meu caderno e disse que a minha animação era uma das coisas que ele mais gostava de mim, que meu sorriso iluminava os ambientes. Não importa se ele gostava (era apaixonado por mim ou não – coisa que eu não sei até hoje). O que importa é que eu era feliz ou, pelo menos, achava que era.

Em dois anos alguma coisa mudou. Eu já não era mais feliz e não havia acontecido nada. Era um tédio de viver, uma dor de não suportar mais ser esponja do mundo. Tentei meu primeiro suicício, que fracassou lindamente, como todas as tentativas posteriores.

Lembro que na época desse primeiro suicídio, eu fiquei me sentindo ainda pior. Não servia nem para me matar! Que zero à esquerda!

Não creio que meu sorriso, hoje em dia, ilumine sala alguma. Uma menina que eu conheci há umas três semanas, talvez um mês me disse que seria bom que eu viajasse porque, eu pareço tão tristinha… E ela só me viu DUAS vezes na vida. Imagina quem convive comigo.

Eu não penso mais em suicídio. Pelo menos não agora. Quando você não é capaz de saber ao certo quantas vezes tentou, é porque não era pra ser.

Mas eu não me importaria de dormir mais um pouco, tentar ser feliz e iluminar alguma sala com meu sorriso.


Grundlos

 

Die Welt als Vorstellung

Ähnlich wie George Berkeley vertritt Schopenhauer die Auffassung, dass sich die Frage nach einer von ihrer Wahrnehmung unabhängig gegebenen Außenwelt nicht stellt. Er argumentiert bezüglich der Existenz einer Außenwelt sowohl gegen den Dogmatismus, der seiner Darstellung nach in Realismus und Idealismus zerfällt, als auch gegen skeptizistische Argumente, da sich die Welt dem Subjekt gegenüber ohnehin nur als Vorstellung zeige – die jedoch nicht als Imagination zu verstehen sei – und unseren einzigen Zugang zur objektiven Welt darstelle.

Gegen den philosophischen Skeptizismus bringt er vor, jener bedürfe eher einer „Therapie“ oder „Kur“ als einer ernsthaften Diskussion. Nach seiner Konzeption ist uns als Subjekt die objektive Welt immer nur im Modus der Vorstellung gegeben, d.h. dass Objekte nur als eine Seite der vorstellenden Relation von Subjekt und Objekt ihre Existenz besitzen. Trotzdem kommt bei Schopenhauer der Welt eine Wirklichkeit zu, die über die der Vorstellung hinausgeht und sich nicht dem menschlichen Zugang entzieht. Die Welt erschöpft sich nicht in ihrer Vorstellung. Insofern kann nicht behauptet werden, dass die Welt nach Schopenhauer lediglich als Erscheinung existiert oder nicht mehr als eine Imagination des menschlichen Bewusstseins ist. Wesentlich in der Terminologie Schopenhauers ist vielmehr die Unterscheidung zwischen der in Subjekt und Objekt zerfallenden Vorstellung und bloßer Imagination oder Fantasie die damit nicht in Verbindung stehen.

Schopenhauer widersprach der Überzeugung Kants, dass das Ding an sich jenseits aller Erfahrung liegt und deshalb nicht erkannt werden kann. Kants Ding an sich war für ihn zwar auch unerkennbar (wir sehen immer nur das, was wir mit unseren Sinnen wahrnehmen), jedoch nicht unerfahrbar. Durch eine Selbstbeobachtung unserer Person können wir uns dessen gewiss werden, was wir letzten Endes sind: Wir erfahren in uns den Willen. Er ist das Ding an sich und damit nicht nur die Triebfeder allen Handelns von Mensch und Tier, sondern auch die selbst grundlose Ursache hinter den Naturgesetzen, z.B. den physikalischen Gesetzen. Die Welt ist letztlich blinder, vernunftloser Wille (vgl. Triebtheorie). Schopenhauer ist somit der klassische Philosoph und Hauptvertreter des metaphysischen Voluntarismus.

Doch die Welt ist nicht nur Wille, sondern erscheint auch als Vorstellung. Sie ist die durch Raum und Zeit sowie Kausalität, die den a priori gegebenen Erkenntnismodus von uns Verstandeswesen bilden, individuierte und verknüpfte Erscheinung des einen Willens. „Die Welt ist meine Vorstellung“ ist der erste Hauptsatz seiner Philosophie. Was uns als Welt erscheint, ist nur für uns, nicht an sich. Es gibt für Schopenhauer nichts Beobachtetes ohne Beobachter, kein Objekt ohne ein Subjekt. Die Welt, als Vorstellung betrachtet, zerfällt in Subjekte und Objekte, die sowohl untrennbar als auch radikal voneinander verschieden, jedoch letzten Endes beide nur Erscheinungen des Willens sind. Dieser ist nach Schopenhauer das Wesen der Welt, das sich, in Subjekt und Objekt erscheinend, gleichsam selbst betrachtet.

Die Welt als Wille

Der Vorstellungswelt liegt der Wille zugrunde, den Schopenhauer als grund- und ziellosen blinden Drang versteht. Er stuft den Willen nach den Gegebenheiten seines Wirkens ab, spricht von Ursachen, wenn die Wirkung ihnen gemäß ist, wie z. B. beim elastischen Stoß, von Reizen, wenn die Wirkung ein Energiepotential entlädt, und von Motiven, wenn die Wirkung als Umsetzung bestimmter Absichten berechnet wurde.

„Ich nenne nämlich Ursach, im engsten Sinne des Worts, denjenigen Zustand der Materie, der, indem er einen andern mit Nothwendigkeit herbeiführt, selbst eine ebenso große Veränderung erleidet, wie die ist, welche er verursacht […] Ich nenne dagegen Reiz diejenige Ursach, die selbst keine ihr angemessene Gegenwirkung erleidet […] Der Reiz hält das Mittel, macht den Uebergang zwischen dem Motiv, welches die durch das Erkennen hindurchgegangene Kausalität ist, und der Ursach im engsten Sinn.“

– Schopenhauer[3]

In diesen Formen also bestimmt der Wille alle Vorgänge der organischen und anorganischen Natur. Er objektiviert sich in der Erscheinungswelt als Wille zum Leben und zur Fortpflanzung. Diese Lehre vom „Primat des Willens“ bildet die zentrale Idee der schopenhauerschen Philosophie, sie hatte weitreichenden Einfluss und begründet die Aktualität von Schopenhauers Werk.

Willensfreiheit kennt Schopenhauer, der sich wiederholt mit unterschiedlichem Resultat mit Augustinus aueinandersetzte, nur gemäß seiner berühmt gewordenen These: „Der Mensch kann zwar tun, was er will, aber er kann nicht wollen, was er will.“ Jeglichem Handeln liegt immer und stets der Wille, das heißt das Wollen zu Grunde. In der streng kausal geordneten empirischen Welt, der Welt der Vorstellung, ist kein Platz für einen ohne rein-empirische Ursache handelnden Menschen, und zwar nicht nur in dem Sinne, dass dies unserer Denkweise widerspräche, sondern in dem tieferen Sinne, dass der Wille sich in allen seinen Teilen gemäß dem Gesetz der Kausalität manifestiert.

Im Gegensatz zu Berkeley sieht Schopenhauer in der Kausalität kein bloßes gedankliches Konzept, sondern den Willen selbst, welchen zu deuten das Werk des Verstandes ist. Nichts anderes ist der Sinn der Aussage, dass die Welt Wille sei. Frei ist der Wille nur insofern, als ihm nichts vorschreibt zu sein, was er ist (d.h., dass die Naturgesetze zwar alles bestimmen, was passiert, selbst aber durch kein Gesetz so sind, wie sie sind). Diese Freiheit hat der so verstandene Wille demnach nur vor seiner Manifestation, welche selbst nichts weiter als sein wirksam gewordener Ausdruck ist. Im Falle des Menschen ist dessen wirkendes Wollen durch seinen Charakter bestimmt, welcher willkürlich ist, also aus keinem tieferen Grund existiert. Nur diesem Charakter gemäß kann einer wollen.

Dennoch spricht Schopenhauer von einer intelligiblen Willensfreiheit: Wenn das Subjekt den zugrunde liegenden Willen erkennt, kann es ihn in bestimmten Momenten der Kontemplation, beispielsweise durch intensiven Kunstgenuss, verneinen. Dies bezeichnet Schopenhauer als Zustand der Melancholie. *

Eu estou tão perdida que eu não sei o que falar, nem o que pensar, o que fazer, o que escrever… Na verdade, nem mesmo sei dizer como me sinto. Abandonei a aula de Estética no meio depois do fatídico telefonema. Não dava para continuar ouvindo a professora a falar de  Wille zur macht nem se eu fosse muito forte. Peguei minhas coisas, saí e sentei sozinha num banco do corredor, a chorar. Não conseguia enxergar os letreiros dos ônibus que se embassavam todos em amarelo e azul. Minha cabeça rodou para resolver questões práticas, não chorar na rua, não me colocar (tão) vulnerável em público.

Hoje troquei olhares significativos com um colega de classe, eu queria dizer a ele algo, fazer uma piada sobre outra colega, ao mesmo tempo, ele quis falar comigo e fez sinal de depois. Ele me entende pelos olhares, com tão pouco tempo de convivência.

Me disseram que ela não sofreu. Nunca na minha vida eu fui a um enterro, eu não sei como é. Eu nunca usei luto. Adiei a viagem que preciso fazer porque eu preciso respirar dessa cidade. Ainda vou porque preciso porque longe, minha mente já está, apesar de alerta.

Eu preciso de muito agora mas não em casa, não quero pena. Também não sei o que quero, quero calor sem forçar barra. Quero procurar o calor, ainda que seja no frio de São Paulo. Quero ser outra pessoa por quatro dias, viver outra vida por quatro dias, estudar e escrever.

Eu amo Nietszche. Ele é um gênio mas hoje, hoje o dia é de Schopenhauer.

* trechos do Wikipedia sobre algumas coisas da filosofia de Schopenhauer


%d bloggers like this: