Lembro como se fosse hoje que, quando eu tinha 14 anos, um então amigo meu de classe, escreveu no meu caderno e disse que a minha animação era uma das coisas que ele mais gostava de mim, que meu sorriso iluminava os ambientes. Não importa se ele gostava (era apaixonado por mim ou não – coisa que eu não sei até hoje). O que importa é que eu era feliz ou, pelo menos, achava que era.

Em dois anos alguma coisa mudou. Eu já não era mais feliz e não havia acontecido nada. Era um tédio de viver, uma dor de não suportar mais ser esponja do mundo. Tentei meu primeiro suicício, que fracassou lindamente, como todas as tentativas posteriores.

Lembro que na época desse primeiro suicídio, eu fiquei me sentindo ainda pior. Não servia nem para me matar! Que zero à esquerda!

Não creio que meu sorriso, hoje em dia, ilumine sala alguma. Uma menina que eu conheci há umas três semanas, talvez um mês me disse que seria bom que eu viajasse porque, eu pareço tão tristinha… E ela só me viu DUAS vezes na vida. Imagina quem convive comigo.

Eu não penso mais em suicídio. Pelo menos não agora. Quando você não é capaz de saber ao certo quantas vezes tentou, é porque não era pra ser.

Mas eu não me importaria de dormir mais um pouco, tentar ser feliz e iluminar alguma sala com meu sorriso.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

One response to “

  • núbia

    eu acho que nem precisava te ver pra sentir o quanto você anda triste.. e, duas vezes foram mais que o suficiente pra dizer que você precisa se distrair e se alegrar.
    ninguém É triste, um indivíduo sempre ESTÁ em algum estado, ok?
    get up, ok? só deixo você cair com tequilas, inclusive, farei o mesmo..
    vou te dar uma coisa, quando voltar, me lembra disso.

    ps: quanto à blogs secretos: sim, resolvi não escrever o que sinto just for me, afinal eu já sei bem o que eu sinto, né? or not.

    ps²: esse coiso chato me pedindo email -.- wordpress é uma merda haha

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