A sorta fairytale

É engraçado como muita gente reclama que eu não vivo na realidade, que eu não sei reconhecer o real. Eu sei sim. Na metade do tempo, eu sou atraída magneticamente ao real, como um bichinho de luz.  Mas é claro, não esquecendo que eu sou uma pós graduanda em filosofia, é obvio que eu tenho que dizer “o real” ou “a realidade”, assim, entre aspas.

De qualquer forma, as pessoas deviam entender ou pelo menos abrirem a cabeça pra possibilidade de mais de um real, de múltiplas realidades, vidas, maneiras de ser, viver, estar, ver, sentir etc.

Esse real que todo mundo fala, me choca toda hora. Eu acho muito difícil passar por ele, viver nele, estar inserida dentro dele. É gente que morre, é relacionamento que termina, é depressão, é frio, chuva, vento, é MUITA coisa ruim. Eu sei que é muita coisa boa também mas e a impressão negativa? E se as coisas boas fossem tão maiores que as ruins porque justamente as ruins que a gente fica mastigando?

Pois é.

Semana passada, em outra cidade, outra realidade, outra vida, eu estava num estado meio de sono meio de vigília e me chamaram a atenção que começou a tocar A sorta fairytale, da Tori Amos, que, foi uma das músicas de alguma das trilhas sonoras de The L Word.

“on my way up north
up on the ventura
i pulled back the hood
and i was talking to you
and i knew then it would be
a life long thing
but i didn’t know that we
we could break a silver lining

and i’m so sad
like a good book
i can’t put this day back
a sorta fairytale
with you
a sorta fairytale
with you

things you said that day
up on the 101
the girl had come undone
i tried to downplay it
with a bet about us
you said that-
you’d take it
as long as i could
i could not erase it

(…)

and i rode along side
till you lost me there
in the open road
and i rode along side
till the honey spread
itself so thin
for me to break your bread
for me to take your word
i had to steal it”

E é por isso que é muito difícil voltar a rotina quando você se choca com a realidade.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

One response to “A sorta fairytale

  • Bruna

    Real é tão relativo… Eu digo que, para mim, ao menos até onde eu consigo ver, você me parece viver em uma realidade, sim. Talvez seja isso, a sua realidade. Mas não te vejo como o tipo de pessoa sonhadora (no sentido de não ter os pés nunca no chão, e ficar devaneando com a vida). Engraçado isso. Na verdade, a impressão que tenho (mas, novamente, isso é por conta de até onde consigo ver), é de que você separa as coisas. Em seus textos, acredito que existam várias realidades paralelas, mas que em sua vida diária existe uma realidade que só a você diz respeito.

    Eu nem sei onde me encontro. Acho que hoje em dia em procuro me segurar em alguma realidade plausível, com unhas e dentes, porque devaneios me matam…!

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