Bem e mal me querem

Fui lá. Ganhei isso hoje. Minha tia de Vila Isabel disse isso estava lá pra mim desde o Natal. Certeza que minha avó comprou. Ganhei como presente póstumo.

Aliás, o tapete da tourada está guardado pra mim e, ganhei também, o caderno com poesias transcritas do meu avô (que não cheguei a conhecer) e da minha avó. A história de amor deles antes do casamento e no primeiro ano de casados. O último poema, ela escreveu há pouco tempo, esse ano, já com setenta anos.

Eu nunca soube dessa minha veia poética por parte de pai. Talvez seja hereditário. Chorei. Chorei mais ainda por não ser capaz de versar, só de prosar.

Talvez eu seja a escritora que eles não foram. Me surpreendeu minha avó nunca ter falado disso comigo. Lendo, descobri que ela era mais parecida comigo (na verdade, o contrário) do que eu achava. Só então entendi o olhar dela pra mim quando eu estava no hospital e a preocupação de eu estar fumando feito louca e agindo feito louca, sem vaidades, descuidada de mim, não querendo saber de vida. Ela entendia. Entendia mas engoliu. Sempre quis ser forte assim.

E o amor, sempre o amor. Era tão lindo, escreviam tão bem, me embalaram tão completamente. Retirarei um verso pra mim, para rabiscar em mim, em pele, carne e sangue.

Obrigada avó, obrigada avô, obrigado tia.

Fico aqui, com os desejos de bem me quer , mal me quer. Sabendo que, no momento, devo ser bem querida. Questão de compaixão. De mitgefühl, sabe… de sentir o que eu estou sentindo, exatamente, junto comigo. Feel my shoes.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

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