Monthly Archives: February 2011

Onde o sonho, onde a realidade?

Eu cheguei antes da chuva, o céu estava escuro e as nuvens pretas em cima da rodoviária, onde eu matava tempo sem saber o que dizer. Deitei na cama e, por um segundo acordei: estava nas pedras do Arpoador, meio morta, na noite, era só pular – e bater com a cabeça. Não era sonho, eram alucinações ou dispersões que eu costumo ter.

Fui dormir de verdade com o nome da filha da Clarah martelando os ouvidos. Sonhei com o nome da filha da Clarah que não era a filha dela, era outra filha, de um outro alguém que não é a mãe de verdade. E então sonhei com as duas, a noite inteira. Aquele nome, aquele nome.

Acordei mergulhada em areia movediça. Foi um pesadelo.

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In Rio

Always soft.

Always peaceful.

Always saying right things in silece.

Always there – even far away.


Queda livre

Os cronocópios invadiram meu quarto – e minha vida.

Mas eu não passo de uma esperança. Sem ter como derrotá-las. Não sei como fazê-lo, então deixo que tomem conta de tudo enquanto coloco uma venda nos meus olhos para impedir a claridade de entrar. Os remédios criam um bloqueio sonoro durante a madrugada. Se alguém morrer, não ouvirei o chamado, durante a noite. Eu não ouço. Meu corpo faz parte de um invólucro que é feito dos materiais da minha cama, enquanto as tormentas oníricas me levam de um lado a outro violentamente.

Tudo acaba em queda livre.


Die Familie

Ler tanto Thomas Mann – e sobre Thomas Mann e a família te dá a percepção da estafa que é ter de manter relações familiares, todos os dias. Há muitos momentos em que é bom estar entre os queridos entes familiares mas, quanto de atrito não anda por baixo disso?

Enquanto o Brasil acompanha a ” novela dos barracos de família”, eu leio Thomas Mann, porque, além das desafenças familiares, a família inteira pareceu se especializar em contar a decadência de todas as diferentes formas que possam existir e o que é o conviver de pessoas ligadas pelo sangue do que a constante observação da depredação do outro, um olhar atento sobre a decadência humana? Você assiste pessoas envelhecendo e perdendo tanto de si e do que podem fazer ou do que, um dia foram capaz de fazer. Você se vê obrigado a suavizar a sua pessoa para não agredir gerações anteriores mas de um jeito que ainda seja capaz de manter o cerne do que você é.

É complicado. Exige paciência, dedicação, muitos gritos, muitas lágrimas e muitas portas batendo. Cada pessoa em um cômodo, não se comunicando, fazendo com que tudo só se torne mais e mais difícil.


E se…

I’m not here
This isn’t happening
I’m not here, I’m not here

In a little while
I’ll be gone
The moment’s already passed
Yeah, it’s gone

I’m not here
This isn’t happening
I’m not here, I’m not here

Strobe lights and blown speakers
Fireworks and hurricanes

I’m not here
This isn’t happening
I’m not here, I’m not here….

How to disappear completely – Radiohead

Você tivesse algum super poder, qual seria?

desaparecer.


Entfremdung

In den Bäumen kann ich keine Bäume mehr sehen.
Die Äste haben nicht die Blätter, die sie in den Wind halten.
Die Früchte sind süß, aber ohne Liebe.
Sie sättigen nicht einmal.
Was soll nur werden?
Vor meinen Augen flieht der Wald,
vor meinem Ohr schließen die Vögel den Mund,
für mich wird keine Wiese zum Bett.
Ich bin satt vor der Zeit
und hungre nach ihr.
Was soll nur werden?

Auf den Bergen werden nachts die Feuer brennen.
Soll ich mich aufmachen, mich allem wieder nähern?

Ich kann in keinem Weg mehr einen Weg sehen.

Entre Ingeborg Bachmann, Sylvia Plath e Anne Sexton. E eu que costumava não ligar para poesia mas me apaixonei pela Ingeborg. O bibliotecário do Goethe Institut me disse que eu deveria ler o livro de correspondências dela com Paul Celán. Toda vez que ele fala comigo, mal consigo reponder. Não consegui dizer que, pegar algo assim, seria sagrado demais, para mim.


Cadê a minha voz? II

King George VI: [Logue is sitting on the coronation throne] Get up! Y-you can’t sit there! GET UP!
Lionel Logue: Why not? It’s a chair.
King George VI: T-that… that is Saint Edward’s chair.
Lionel Logue: People have carved their names on it.
King George VI: L-listen to me… listen to me!
Lionel Logue: Why should I waste my time listening to you?
King George VI: Because I have a voice!
Lionel Logue: …yes, you do.

Engraçado que esse ano o Oscar me parece que vai ser uma festa em celebração dos filmes de personagens ou pessoas que no início, não tinham muita visibilidade, poderiam até ter um propósito na vida mas nunca eram ouvidos, levados a sério, até que, numa virada, tudo muda, fica de cabeça para baixo e estas pessoas se tornam alvos de todos os olhos. Mark Zuckenberg, o Rei George VI, a Nina de Black Swan.

Essas pessoas conseguiram, através de muita coisa chegar ao estágio que se esperava (ou nem tanto assim) delas. Para o bem ou para o mal.

E deveria ser assim. As pessoas devem mesmo ter direito à voz própria. E se serem ouvidas. Talvez, achar que tenham que ser compreendidas seja um pouco demais.

mas era o que eu queria.


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