Monthly Archives: February 2011

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Lessons in Hunger

” We exchanged blind words,
and I did not cry,
and I did not beg,
blackness lunged in my heart,
and something that had been good,
a sort of kindly oxygen,
turned into a gas oven.
Do you like me?
How absurd!
What’s a question like that?
What’s a silence like that?
And what am I hanging around for,
riddled with what his silence said? ” *

But it´s an eternal hunger. A craving actually. For presence. Just presence. Your loving presence. Your loving hand holding mine. Your loving hug.

Funny how can I disappear if I´m still here? And I will be here. I don´t know how long but I am. Even though I´m lacking so much of myself, I´m not making apperances. I remain silently and quiet. Waiting.

Like in a death row. I imagine myself a woman sentenced to hanging, going to the scaffold and watching the shiny blade.

* poema de Anne Sexton cujo título é o mesmo da postagem.


Fantasma

Um fantasma.

A existência escorrendo fluída e transparente. Desapercida por tudo e todos. Não sentida por ninguém nem por mim, que a possuo. Arrastando esta carcaça já tocada e repassada, jogada fora até pelos animais: é isso o que chamam corpo.

Diminuto, encolhido, escondido, desacralizado.

Mas fui eu quem atirou a primeira pedra. A sua se seguiu e todas as outras apenas repetição de um ato que achavam pertinente. Sem saber que.

O seu nome sussurado nos meus ouvidos todas as noites, me fustigando os  cabelos. Acho que é realidade, até a hora em que bato na cama. Uma queda em sonho, me faz cair na vid a real e enxergar que.

que.


New journey

“I took the steps down Angel´s Flight to Hill Street: a hundred and forty steps, with tight fists, frightened of no man, but scared of the Third Street Tunnel, scared to walk through it – claustrophobia. Scared of high places too, and of blood, and earthquakes;  otherwise, quite fearless, excepting death, except the fear I´ll scream in a crowd, except the fear of appendicitis, except the fear of heart trouble, even that, sitting in his room holding the clock and pressing his jugular vein, counting out his heartbeats, listening to the weird purr and whirr of  his stomach. Otherwise, quite fearless.”

FANTE, John. Ask the dust

I ain´t fearless. All full of them, and everyday, a visit. But it´s a journey. Do you mind if I choose your path?


Prozac Nation

Every depressive is an island
Depois de uma leitura frenética que não me deixava pular páginas ou sossegar enquanto não acabasse, terminei, enfim, de ler Prozac Nation. O impulso dessa leitura é o mesmo que me levou à Garota Interrompida e ao The Bell Jar. Na verdade, a qualquer romance, memória, biografia ou ficcionalização que tenha a ver com depressão, problemas psicologicos e/ou mentais, internação em clínicas mentais e suicídio.

A esperança é que um dia eu ache um livro que eu poderia ou deveria ter escrito. Que tenha tanto de mim que as coisas façam sentido. Elas continuam não sabendo.

Num Afterwords escrito em 1995, Elizabeth Wurtzel parece uma desculpa para si mesma, por ter escrito esse livro. Aparentemente,  ela ajudou muitas pessoas com seu relato e outras tantas disseram : “who cares? You´re not the only young woman on Prozac or with depression”.  Na verdade, em certas partes, como no epílogo, ela tenta comentar de maneira algo crítica como a “depressão” foi quase que uma pandemia e o quanto as industrias farmacêuticas e os médicos estavam enfiando Prozac pela garganta da população americana abaixo. Por isso o ícone dos anos 90 foram a apatia. Nós estamos tristes, na maioria das vezes. Não estamos felizes.

Mas… life on Prozac, não admite que você seja miserável. Então você só não é feliz, nem triste. É apenas, entediante, acha tudo entediante, porque, sob a medicação as cores do mundo são assim, todas cinzas:  Here we are now, entertain us, lembra?

Deixando de lado a confusão de depressão, distúrbio de humor, ciclotimia, distúrbio bipolar (episódios depressivos combinados com episódios de mania), o mais interessante que eu achei, foi a definição de atypical depression. Uma pessoa que sofre de uma depressão crônica – não somente de acessos depressivos e ocasionais episódios de mania. Esses episódios é que fazem a pessoa algo funcional:

“The atypical depressed are more likely to be walking wounded, people like me who are quite functional, whose lifes proceed almost as usual, except that they´re depressed all the time, almost constantly embroiled in thoughts of suicide even as they go through their paces.

Atypical depression is not just a mild malaise – wich is known diagnostically as dysthymia – but one that is quite severe and yet still somehow allows an apperance of normalcy because it becomes, over  time,  a part of life. The trouble is that as the years pass, if untreated, atypical depression gets worse and worse, and its sufferers are likely to comit suicide out of sheer of frustration with living a life that is simultaneously productive and clouded by constant despair.”

Acho que a boa intenção de Elizabeth era, além de por pra fora algo que ela precisava por para fora – podendo ela fazer isso em um diário, por exemplo, é simplesmente mostrar que depressão não é legal. Não é como simplesmente ficar louco e que, nos anos noventa, com toda a indústria promovendo o loser é cool, ser deprimido é cool, muita gente se deixou levar ou ficar. Acho que Elizabeth quis deixar todos enojados, quis mostrar o pânico de ficar confinado num hospital.

Mas, por outro lado, eu acho que exagerou a mão nos episódios de mania – e eles foram muitos. O que, obviamente, rendeu um filme com a Cristina Ricci e sinceramente, não consigo imaginar alguém seriamente deprimido correndo atrás de bandas a noite inteira em Dallas, se embebedando e se drogando como se não houvesse amanhã na esperança de ter alguma coisa que faça a infelicidade ter um sentido, tendo abortos expontâneos sem se saber grávida, dando um accidental blowjob. Indo passar um mês em outros Estados ou outros países. Eu simplesmente não tenho energia para metade disso. Achei estranho, achei irreal.

Plausível sim, os momentos em que nunca algo como a cama desempenham um papel tão crucial que você simplesmente não consegue se levantar dela, não consegue ter energia para abrir a boca e se alimentar ou, levantar pra tomar um banho se torna uma questão filosófica e complicada. Eu concordo. Eu entendo. O esforço para simplesmente pôr o pé no chão e a insuportabilidade desse ato são revoltantes.

Não dá pra julgar ninguém nessas condições. As mutações da depressão tornam cada pessoa sob o efeito da doença, um saco receptório de coisas ruins e de maus relacionamentos, sentimentos exacerbados, lágrimas e desejos funestos.


Those girls

“Even then I have nothing against life.

I know well the grass blades you mention the furniture you have placed under the sun.

But suicides have a special language.

Like carpenters they want to know which tools.

They never ask why build.

(…)

Still – born they  don´t always die,

but dazzled, they can´t forget a drug so sweet

that even children would look up and smile.

(…)

leaving the page of a book carelessly open,

something unsaid, the phone off the hook

and the love, whatever it was, an infection.”

Anne Sexton – Waiting to die


Um dia.

Mesmo se você tem um distúrbio alimentar e depressão severa, quem sabe, um dia?


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