Monthly Archives: March 2011

Sem colete salva – vidas

Eu li em algum lugar (não sei precisar a fonte) que, se você não consegue esquecer uma pessoa então, talvez, você realmente não deva esquecer. Ponto. É isso.

Mesmo quando todo mundo diz uma coisa e aponta defeitos em alguém, defeitos esses que você não ignora, e diz que você deveria sentir isto ou sentir aquilo e que… a verdade é que as pessoas, de maneira geral, tem muitas opiniões. Especialmente sobre a vida alheia. As vezes não se tratam nem somente de opiniões mas de conselhos de gente que você deveria ouvir. Só que as pessoas se esquecem que… uma opinião, não é uma ordem. E seria realmente muito fácil só acatar – sem contestar – que eu deveria sentir isto ou aquilo. Provavelmente estaria mais saudável. Provavelmente menos cansada, menos triste. Mas, estaria feliz?

Não. Não estaria. Como eu sei? Eu só sei!

Se você ama muito uma pessoa, ela pode retribuir o amor – ou não. Se o amor não é retribuído, ou, não é retribuído da forma como você gostaria que ele fosse,isso não diminui ou aumenta o amor.Dói, pra caralho! Mas não diminui e nem aumenta o que já existe. Mesmo o fato de você conseguir perceber os defeitos dessa pessoa e decidir ou não perdoar seus erros, ainda que a pessoa não tenha se desculpado.

Então, eu estou nessa. E não vou descer do barco agora. Pode ser que afunde comigo dentro, pode ser que aporte em algum destino agradável e que eu consiga dizer adeus e fique com somente boas lembranças, pode ser que eu resolva um dia descer do barco e que, eventualmente, ele venha até meu cais me levar a ver o pôr do sol. Pode ser.

Mas, se eu não esqueci, então não era para esquecer.

Advertisements

Epifanias online

!  disse (22:46):
amiga, sou um ser humano terrível mas, quanta dor podemos aguentar?
* disse (22:46):
Amiga, mas o ideal é conseguir matar as pessoas dentro da gente.
Infelizmente, algumas vezes é mesmo como se tivessem morrido.
E dói muito estarem vivos.
* disse (22:47):
Porque estar vivo dá alguma esperança, que é o que fode a gente.


” Dearest, I feel certain that I am going mad again”

 

” Não, agora nunca mais diria, de ninguém neste mundo, que eram isto ou aquilo. Sentia-se muito jovem; e, ao mesmo tempo, indizivelmente velha. Passava com uma navalha através de tudo; e ao mesmo tempo ficara de fora, olhando. Tinha a perpétua sensação, enquanto olhava os carros, de estar fora, longe e sozinha no meio do mar; sempre sentira que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse. Não que se julgasse inteligente, ou muito fora do comum. Nem podia saber como tinha atravessado a vida com os poucos dedos de conhecimento que lhe dera Fräulein Daniels. Não sabia nada; nem línguas, nem história; raramente lia um livro agora, exceto memórias, na cama; mas como a absorvia tudo aquilo, os carros passando e não diria de Peter, não diria de si mesma:sou isto ou sou aquilo.

Seu único dom era conhecer as criaturas quase como instinto, pensava, seguindo seu caminho. Se a deixavam numa sala com alguém, eriçava-se como um gato; ou ronronava.

(…)

Importava então, indagava consigo, encaminhando-se para Bond Street, importava mesmo que tivesse desaparecido um dia, inevitavelmente? Tudo aquilo continuava sem ela. Sentia-o? Ou seria um consolo pensar que a morte acabava com tudo, absolutamente? Ou, de qualquer maneira, pelas ruas de Londres, no fluxo e refluxo das coisas, talvez sobrevivesse, Peter sobrevivesse, vivessem um no outro, ela fazendo parte, estava certa, das árvores de casa; daquela casa ali, tão feia, toda caindo em pedaços como estava; parte da gente que nunca havia se encontrado; espalhando-se como uma névoa, entre as criaturas que melhor conhecia e que a sustentariam nos seus ramos, como vira as árvores sustentar a névoa, embora isso esparzisse tanto a sua vida, e a si própria…”

WOOLF, Virgina. Mrs Dalloway. Tradução de Mário Quintana.1a. Edição. Abril Cultural. Julho de 1972

 

Adeline Virginia Woolf nasceu em vinte e cinco de janeiro de 1882 e faleceu em 28 de março de 1941.Seria redundante dizer que Virginia foi uma das maiores romancistas, ensaístas e contistas de sua época e que, sua influência permanece em muito dos escritos vigente, entre eles, o engenhoso modo de fluxo de consciência que é mostrado em sua plena forma na passagem acima.

Não apenas os escritos de Virginia eram fascinantes e plurais, quase caleidoscópios, como também sua vida, cheia dos tantos altos e muitos, muitos baixos para os quais não conseguiram extrair uma explicação plausível. Uma escritora talentosa, com um marido devoto e que não resistiu. Virginia cumpriu seu legado colocando a melancolia em todas as mulheres, inclusive nas mais planas donas de casa. Em alguma parte de nossos dias, questionamentos como os feitos acima,que nunca envelhecem, podem ser feitos por qualquer mulher no mundo, inclusive no mundo hiper – pós moderno dos dias de hoje. As dores são quase sempre as mesmas. A solidão, o atordoamento perante às luzes, os carros, as tarefas a cumprir, que lugar relegar ao seu amor e quanto se pode extrair de alguém que lhe ama tanto que está pronto a sacrificar a própria vida pela sua?

Após uma das piores crises depressivas, indiagnosticáveis propriamente, como a maioria delas o é, encheu o bolso do casaco de rochas e caminhou, pela última vez até o River Ousen onde se deixou afundar, se levar pela correnteza, finalmente deixando que a água interrompesse as vozes, interrompesse a loucura, interrompesse tantas das coisas das quais não havia como livrar-se. Não nos cabe perguntar o por que. Temos somente que aceitar que não poderia ser de outra maneira. Como viver num mundo em que não é senão um cacto de mundo, em que o amor parece estranho e que a pena é o sentimento que é suscitado pelas pessoas? Como conviver com a idéia de um marido fiel e que abdicou de sua própria carreira em benefício da saúde da bem amada? Como suportar o mundo?

Morrer neste caso, seria egoísmo ou o esgotamento de uma vida pesada mas que, no entanto nos trouxe munição para uma vida inteira?

Thank you, Virgina. Without you, must of us wouldn´t even exist.


Não sei como consegui. Não me importa.

Os dias no escuro. Nem lá, era tão escuro. Os dias no silêncio. Certamente lá, não era tão silencioso.

Tudo dói e não há como falar. Dói. Não há como explicar. Só dói, infinitamente, dor.

E eu não crio motivos. Não foi porque minha irmã se foi ou por qualquer outro “problema”. A dor já estava aqui antes só que ninguém antes havia me dito que ela precisava sair.

E, ainda assim, depois do escuro, depois do silêncio e com mais silêncio por vir, ainda dói.


emotional brain meltdown


Mess up my mental health

Me sinto invisivelmente acuada.  Como se atrás, na frente, aos lados, acima ou abaixo de mim, estivesse uma espécie de inimigo virtual. Dezenas de moinhos de vento me espreitam e me impedem de agir, de sorrir, de ser ou existir. Ando tateando nos prédios e objetos, próxima à pilastras, placas ou qualquer coisa que possa servir de esconderijo. Eu desejo preservar minha vida delas. Desejo preservar o pouco que já não me resta de vida de você. Após me levar praticamente inteira consigo, deixando para trás uma carcaça imóvel, fico imaginando o que mais possa se tomar de mim. Não teria medo se não achasse que não há mais, que não há partes de mim ainda intocadas pelas suas mãos, pela memória sua.

Não sei se há. Mas remova os moinhos de vento das ruas. Me devolva uma noite segura. Me devolva, por favor, a sensação de inteireza e individualidade. Mas, me devolva com provas.


Hoje, ao fazer uma entrevista de emprego, recebi um hand out explicando o método de trabalho a seguir, coisas relativas à faltas e pagamentos E uma espécie de código de conduta. A primeira coisa que a empresa deixava bem claro era que, uma vez que você fizesse parte efetiva da equipe, a sua imagem estaria irremediavelmente atrelada à da empresa. Creio que isso implicasse mais do que apenas não ser pego em nenhuma atividade ilegal ou ostentando comportamento inadequado, mesmo fora do local de trabalho. Uma vez que terceiros podem lhe identificar como sendo integrante de determinada empresa, elas também podem ligar a empresa ao seu comportamento, seja ele um comportamento errático ou exemplar.

Na verdade, eles deixavam claro que uma atitude fora das que eles condenavam – e que estavam explicadas neste mesmo hand out – implicariam em demissão. Todas as situações que poderiam levar a uma demissão eram de caráter extritamente profissional (ou não profissional, no caso). Nada se falava sobre comportamentos na vida particular ou fora do ambiente de trabalho, porém, isto fica implícito, tanto quanto a ameaça iminente de um processo – que é uma coisa bem utilizada nos dias de hoje, em razão de inúmeros fatores.

Etimologicamente a palavra ética implica num mode de caráter. Pouco tem a ver com a idéia de moral que circunda a ética atual. Ética tinha a ver com a maneira como seu caráter era conduzido, com a própria formação dele, inclusive. Portanto, para uma pessoa ética, no sentido de aquela que preaserva um caráter tido como exemplar, disseminar a empresa, seus subordinados e/ou quaisquer pessoas a quem venha prestar serviços é algo passível de punição. Entretanto, algumas pessoas parecem ter problemas em desenhar esta linha.

No meu entendimento de ética, eu não posso falar mal simplesmente de ninguém com quem trabalhe, de ninguém para quem eu preste algum serviço etc. Poder, eu até posso. Não posso é deixar isso documentado se não se tratar de uma reclamação oficial, por exemplo.

O texto aqui abaixo, pode ser um exemplo: essa situação nunca existiu e é por isso que eu me permiti escrever sobre ela. Se vou falar do quanto sobrecarregada me sinto ou fazer uma reclamação sobre meu chefe, o máximo que me permito é um post de 140 caracteres de um twitter trancado e que não tem meu nome atrelado a ele.

Não poderia fazer isto via blog. Além do que, outras pessoas tem seu direito à privacidade e eu não me permito esbarrar nisso. Outro exemplo: já revisei uma monografia de filosofia. Tive opiniões com relação a monografia, a sua escritura e ao meu trabalho? Sem dúvida. Alguma dessas opiniões fora exposta aqui? – De maneira alguma.

Quanto menos motivo eu dê aos outros para crítica tanto melhor pra mim e não só no âmbito profissional, não é? Pois é… essa é a minha ética, a medida do meu caráter.


%d bloggers like this: