Hoje, ao fazer uma entrevista de emprego, recebi um hand out explicando o método de trabalho a seguir, coisas relativas à faltas e pagamentos E uma espécie de código de conduta. A primeira coisa que a empresa deixava bem claro era que, uma vez que você fizesse parte efetiva da equipe, a sua imagem estaria irremediavelmente atrelada à da empresa. Creio que isso implicasse mais do que apenas não ser pego em nenhuma atividade ilegal ou ostentando comportamento inadequado, mesmo fora do local de trabalho. Uma vez que terceiros podem lhe identificar como sendo integrante de determinada empresa, elas também podem ligar a empresa ao seu comportamento, seja ele um comportamento errático ou exemplar.

Na verdade, eles deixavam claro que uma atitude fora das que eles condenavam – e que estavam explicadas neste mesmo hand out – implicariam em demissão. Todas as situações que poderiam levar a uma demissão eram de caráter extritamente profissional (ou não profissional, no caso). Nada se falava sobre comportamentos na vida particular ou fora do ambiente de trabalho, porém, isto fica implícito, tanto quanto a ameaça iminente de um processo – que é uma coisa bem utilizada nos dias de hoje, em razão de inúmeros fatores.

Etimologicamente a palavra ética implica num mode de caráter. Pouco tem a ver com a idéia de moral que circunda a ética atual. Ética tinha a ver com a maneira como seu caráter era conduzido, com a própria formação dele, inclusive. Portanto, para uma pessoa ética, no sentido de aquela que preaserva um caráter tido como exemplar, disseminar a empresa, seus subordinados e/ou quaisquer pessoas a quem venha prestar serviços é algo passível de punição. Entretanto, algumas pessoas parecem ter problemas em desenhar esta linha.

No meu entendimento de ética, eu não posso falar mal simplesmente de ninguém com quem trabalhe, de ninguém para quem eu preste algum serviço etc. Poder, eu até posso. Não posso é deixar isso documentado se não se tratar de uma reclamação oficial, por exemplo.

O texto aqui abaixo, pode ser um exemplo: essa situação nunca existiu e é por isso que eu me permiti escrever sobre ela. Se vou falar do quanto sobrecarregada me sinto ou fazer uma reclamação sobre meu chefe, o máximo que me permito é um post de 140 caracteres de um twitter trancado e que não tem meu nome atrelado a ele.

Não poderia fazer isto via blog. Além do que, outras pessoas tem seu direito à privacidade e eu não me permito esbarrar nisso. Outro exemplo: já revisei uma monografia de filosofia. Tive opiniões com relação a monografia, a sua escritura e ao meu trabalho? Sem dúvida. Alguma dessas opiniões fora exposta aqui? – De maneira alguma.

Quanto menos motivo eu dê aos outros para crítica tanto melhor pra mim e não só no âmbito profissional, não é? Pois é… essa é a minha ética, a medida do meu caráter.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

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