João Paulo e o Garfield

Não tomo vergonha na minha cara que não aparenta meus vinteecinco anos. Um singelo caderno com a capa do Garfield faz as minhas vezes de scrapbook e anda até meio gordinho.

Eu não leio jornal. NUNCA. Pra quê? Morte, morte, morte, violência, assalto, chuva, terremoto, atentado e a coluna social que… boring demais prestar atenção em socialites que ninguém reconhece e sub – celebridades. Mas eu tenho uma sorte de pegar o jornal nas horas certas e ter comigo certas peças, artigos, resenhas, críticas e crônicas bem interessantes.

Garfield não discrimina. Nele há desde textos de apoio para que eu escrevesse minhas dissertações à época do Ensino Médio, a resenhas de coletâneas de contos, contos de verdade (de outras pessoas, claro), artigos sobre leituras essenciais (alguns exemplos? Goethe, Shakespeare, Guimarães Rosa, Pessoa, Proust, Kafka, Borges, Cortázar, Pessoa, Machado. Woolf… não importa. Clássicos que as pessoas tem que ler para se tornarem bons leitores, críticos e livre pensantes – e bons escritores também). Reportagem que marcou meu medo da publicação, chamado “Pilha das Ilusões”, sobre a pilha de livros enviados por esperançosos pretensos escritores às editoras e que estão fadados a uma vida em conjunto com as traças, crônicas sobre a decadentização da língua, resenhas sobre autores contemporâneos meus e muitas, muitas crônicas do João Paulo Cuenca, da época que ele escrevia em um suplemento semanal do Jornal O Globo (há um blog – abandonado – dessa época). Foi por este suplemento que conheci o trabalho dele. Li dois dos romances, não vi a minissérie. De vez em quando, acompanho as meias palavras que ele deixa escapar no Estúdio I (programa da Globonews).

Mas a escrita pela qual eu me apaixonei, foi a de cronista. Tanto que hoje, retomando e relendo o Garfield, consegui selecionar minhas três crônicas preferidas (as quais não estou conseguindo acessar pela internet e portanto, não poderei linkar). Chamam-se: Lúcio, o lúcido; Presos do lado de fora e, principalmente a crônica cujo título é O que faz valer a pena. A melhor de todas.

Sugiro também a leitura das crônicas escritas em Portugal e no Japão. Sugiro as imagens que as acompanham, e a música da semana. Como, por exemplo… Charlotte Gainsbourg cantando La Collectionneuse (minha música preferida dela) como uma das músicas das semanas.

Favor entrar nestas curtas narrativas sobre o Balneário de San Sebastián ou sobre qualquer outra cidade, no mau humor sobre a futilidade do falecido Tim Festival e na lucidez misturada a neuroses e perguntas, muitas, muitas perguntas. Tantas perguntas que eu decidi retomar meu trabalho em cima destas mesmas crônicas. Das gotas, das pequenas narrativas em que tudo e nada são ditos de forma tão… tão quase impossível, para os dias de hoje.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

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