Temporariamente

O tempo não vagueia como as minúsculas partículas de areia que descem pela ampulheta. Tempo corre, e escorre liquefeito feito prata – viva. Não é cura, não faz com que as coisas passem, porque é Ele que as traz de volta. Das mais indesejadas às mais dolorosas.  Flui pungentemente e envenena porque nós achamos que é remédio. Insolúvel, intragável só faz com que estejamos mais próximos da morte, de uma morte.

Intoxica-me este tempo a conta – gotas enquanto espero. Um minuto, dois, três. O gosto metálico na boca aumentando. Tempo ausência de vida, consciência de solidão. Meu tempo – rio que nunca é o mesmo do começo e me faz diferente a cada segundo. Mudo posições, mudo desafios, mudo doenças e vícios, mudo vida, não me permite um estagnar consciente, traz presente e futuro consigo e estagna ao não me trazer vida, ao não me trazer atividade, boas notícias. Meu tempo, o tempo em que os ponteiros derretem, desfazem-se em fluídos prateados. Tic tic tic tac.

Não dá para dormir com o barulho de ponteiros circulando o relógio, mesmo dos derretidos. Não dá para ignorar o Tempo, amante infiel e ingrato, ele grita e esperneia: A VIDA, A VIDA!

[ texto ainda em fase de construção/experimentação – eu juro que na minha cabeça ele era bom]

Advertisements

About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

2 responses to “Temporariamente

  • Bruna Maria

    O tempo pode ser cruel, pensar nele pior ainda. Mas ele é tão ambíguo que, dependendo do ponto de vista, ele é bom; quando dizem ‘só o tempo cura’ (certas dores), às vezes, é a mais pura verdade, por mais clichê que possa soar.
    Curioso que esta madrugada eu estava lendo o Thoreau, e nem tinha lido seu post aqui, e olha o que achei:

    “O tempo é apenas o rio em que vou pescando. Bebo nele; mas, enquanto tomo sua água, vejo o leito arenoso e percebo como é raso. A corrente rala desliza e vai embora, mas a eternidade permanece. Eu beberia mais ao fundo; pescaria no firmamento, com o leito seixado de estrelas. Não consigo contar nenhuma. Não conheço a primeira letra do alfabeto. Sempre lamentei não ser tão sábio quanto no dia em que nasci. (…)”

    (In: Walden, p.102, L&PM Pocket).

    Lendo você, agora, achei que os textos de alguma forma dialogam.
    Beijoooooss!

  • M.

    preciso ler este livro! preciso mesmo!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: