Monthly Archives: June 2011

A morte é uma flor

Erlisch nicht ganz – wie andere es taten

vor dir, vor mir,

das Haus, nach dem Knospenregen

nach der

Umarmung,

weitet sich über uns aus,

während der Stein

festwächst,

ein Leuchter, groß und allein,

taucht hinzu,

erkennt,

als die Schale, ganz aus Porphyr,

aufbricht, wie

es von Verbogenem

wimmelt, unadwendbar,

erfährt,

wo die offenen Augen jetzt stehn,

morgens, mittags, abends, nachts

Paul Celan e se você voltar a declamar poemas em meus ouvidos, no meu disckman, dormirei então?


Daniela

Tenho irmã (e irmão). Não seria a mesma coisa sem Daniela. Perfect timing. Daniela antecipa minhas necessidades antes de mim mesma, quando vejo, já agiu. Cuida de mim mesmo à distância, liga pra médica e tudo.

Mais do que irmã ou soulmate, Daniela é gêmea minha, siamesa. Fomos separadas à altura do peito. Do lado esquerdo, coração. Temos cicatrizes para comprovar.


Vai sempre doer mais por aqui?

Dói de ler…

Ela: cara, você já pensou se perguntou se eu quero isso?

eu: é, não… desculpa.

Ela: O que eu quero ou não quero não vem ao caso, né?

eu: =/

Ela: Pois é… 🙂

[…]

eu: tá

Ela: mas ó, não é porque eu estou chateada nem nada disso, tudo ok por aqui. Fica tranquila.

[…]

Ela: Não sei pelo que é que você está pedindo desculpas, mas não vale a pena pedir desculpas a mim. Comigo está tudo bem. Acho que só você deveria é pedir desculpas a si própria, é você quem se machuca mais nesse jogo e nem percebe.

[…]

E onde está o outro? Enfim…

[…]

Será que você entendeu?

[…]

claro que não… só poder ter a ver… deixa eu ver… com você, certo?

[…]

Você só vai conseguir ter consideração com os outros quando olhar para os outros e para isso, precisa sair dessa prisão que você criou dentro de si mesma. Se isso tem a ver com o cotação dos outros, pode até ficar partido… mas o seu é que acaba vazio, e isso sim, deve doer mais.

[…]

eu: Desculpa eu tentar lhe impor algo que você não precisa.

Ela: Se eu fosse irônica, deveria te pedir desculpas pelo mesmo, certo? rssss Desculpa a ironia. Fica tranquila, se cuida, não se sinta culpada por mim. Eu estou bem.

É bom saber que um outro está bem mesmo que não se tenha uma idéia, uma imagem, uma fotografia de surpresa, uma palavra, um gemido, grunhido, lágrima que seja, só pra ter certeza. Ruim a falta de reciprocividade (e que essa falta de reciprocidade seja uma necessidade de proteção, contra o indesejado, que sou eu.) Pesada, vazia e dolorida para ela, para qualquer tipo de contato, com ela. Dói até pegar, sem querer, a impressão de um resquício de conversa, já tão desajeitado que uma vez tivemos.


“The tumult of her mind was now painfully great. She knew not how to support herself, and from actual weakness, sat down and cried from an half an hour. Her astonishment, as she reflected on what had passed, was increased by every review of it. That should receive and offer of marriage from Mr. Darcy! that he could have benn in love with her for so many months! so much love as to wish to marry her in spite of all the objections wich had made him prevent his friend´s marrying her sister, and wich must appear at least with equal force in his own case, was almost incredible! it was gratifying to have inspired unconciously so strong affection. But his pride, his abominable pride, his shameless avowal of what he had done with respect to Jane, his unpardonable assurance of acknoledging,though he could not justify it, and the unfeeling manner in which he had mentioned Mr. Wickham, his cruelty towards whom he had attempted to deny, soon overcame the pity wich the consideration of his attatchment had for a moment excited.”

AUSTEN, Jane. Pride and Prejudice. dover Publications, Inc. New York

Soa algo familiar?


Novidades – ou a incapacidade de dormir

Tomei uma decisão: vou começar um blogue de crônicas. Por que OUTRO blog? Porque, no momento, é meu único meio de publicação e, enquanto o Jornal O Globo não se toca que eu existo(?) – eu continuo me servindo da internet (e ela de mim). Mas ele não é exclusividade minha. Crônicas alheias serão bem vindas. O nome do dito – cujo é Crônicas de um quarto de empregada. Preciso fazer algo por mim e pela minha produção.

Há coisa nova para se ler por aqui. Em breve haverá coisa nova para se ler no This mess we´re in e, antes de domingo, a crônica da semana. Desculpem o cotidiano e talvez uma certa íntimidade desenfreada. Melhora. O problema é que a ficção mais ficcional (?) só me está chegando à cabeça em inglês, só faz sentido em inglês. E eu odeio quando só consigo pensar em outro idioma.

 

 


“How young are you?
How old am I?
Let’s count the rings around my eyes
How smart are you?
How dumb am I?
Don’t count any of my advice

Oh, meet me anyplace or anywhere or anytime
Now I don’t care, meet me tonight
If you will dare, I might dare
[…]
Fingernails and a cigarette’s a lousy dinner
Young, are you?
[I will dare – The Replacements ]
Por mais que seja estranho, difícil ou quase impossível pensar no assunto, se desvencilhar ou tentar se desvencilhar de uma mágoa, de uma doença, extirpar um câncer não dói só em uma pessoa. Principalmente se essa doença for uma pessoa. Uma pessoa incosciente de que é um mal. Ou consciente mas sem o entendimento, o real motivo, as razões por dentro da pele.

Raramente uma mágoa é uma via única. Costuma ser de mão dupla. Há dois caminhos: podemos estar atentos a isso ou podemos fingir que não vemos. Pessoalmente a segunda opção nunca funcionou muito bem para mim. Ou não funciona quando eu quero.

Uma vida dolorida, um sofrimento crônico, um relacionamento que não deu certo, uma amizade que não consegue se estabelecer, um clique em um site que faz as vezes de carrasco. Ainda que não seja dividida, a mágoa é conjunta. Segue com rancor e raiva.

Eu preferia não ter perdão mas ter a possibilidade de discussão, o direito de voz, o direito as palavras, o direito a pelo menos uma resposta. Eu preferia que não se torcesse de longe por mim e que me rougasse pragas ao vivo. Eu preferia a raiva com a qual eu lidava do que a indiferença.

A dor prossegue, dos dois lados. Dos lados opostos. Desigual. Mais solitária de um lado, do que de outro. Mais curada em um, menos saudável em outro. Todos sentem mas não dividem.


O mundo perfeito sem mim

As redes sociais como simulacros de vida.

Todo mundo, os programas de tv, os livros, artigos, monografias e dissertações na Academia, os textos publicados online, falando sem parar sobre como a vida das pessoas da geração y e z anda em conjunto com as redes sociais e avanços tecnológicos já que nascemos e crescemos junto deles e com eles.

Não é só isso. Nossos relacionamentos começam e terminam, na maior parte das vezes, digitalmente. Ou pelo menos são impulsionados – tanto para um começo quanto para um fim.

Deletar se tornou um verbo utilizado para tratar de pessoas. Eu deleto você. Eu exclui você. Eu e você não existe porque EU cliquei em um botão e puf! VOCÊ desaparece. Ou assim as pessoas gostam de pensar.

Engraçado como no começo, você deleta uma pessoa com a qual houve um término que foi feio ou doloroso e você precisa de um tempo, precisa se recuperar, pode ser até que você ainda ame a pessoa e nem esteja com raiva. Mas você precisa daquele tempo para deixar que as coisas saiam de você (como se isso realmente acontecesse). E você não quer ver e nem saber se a pessoa está a percorrer todo o circuito de bares da cidade, fazendo a louca na Lapa, pegando qualquer um(a) que aparece e que bate os cílios. Você também não quer saber se a pessoa está sofrendo muito, tanto ou mais que você, chorando e cantando saudades. Você só precisa de distância, alguma distância. É necessário, é saudável.  Então, alguém deleta alguém. Não há aviso prévio, no geral. Geralmente quem é deletado sabe porque está sendo deletado e, se não sabe, desconfia.

As vezes machuca. Pode ser algo temporário mas pode significar um: você não faz parte da minha vida, eu não quero que você faça parte da minha vida. Não sou seu(sua) amigo(a).

Quando a pessoa acha que passou tempo suficiente, ela pode te readicionar, como quem diz: ok, passou um tempo, te esqueci, estou pronto(a).

Mas e quando, mesmo com a mágoa, permanece ali, aquele nome na sua timeline e você lê e vê todos os dias, torce por aquela pessoa, espera poder um dia falar com aquela pessoa. Você e aquela pessoa, que não simulam vida nas redes sociais, que não se excluem e nem deletam por algum(alguns) motivo(s). E eles podem ser fortes ou fracos, secretos ou todo mundo pode saber quais são. O fato é que, mesmo não se falando, de alguma forma vocês ainda estão um na vida do outro e sabem disso e não fingem que não estão. Mesmo com a mágoa, mesmo com as ofensas, mesmo com as coisas que vocês esperam ver e com as coisas que vocês não querem ver.

E então, um dia uma dessas pessoas deleta a outra. Como quem diz mesmo que não te quer e nem precisa de você na vida dela, que nunca precisou. Ela te DELETA. Nada existiu? O que pode doer tanto a ponto de se retirar de uma vida em que você não estava nem presente – e que nem cutucava ou se fazia presente e, se tentava se fazer, não seria por compreender que era por algum tipo de sentimento bom que essa pessoa nutria ou nutre?

Por que manter por meses uma pessoa que faz mal e assim, sem mais nem menos, deletar?  Essa necessidade de cortar as pessoas, eu não entendo. Como pensei… acho que é normal que as pessoas realmente não consigam entender o próprio teor nocivo. Mas como começar a tentar entender se não há diálogo, se ele é vedado porque “dói demais” ou porque você “soa sedutor (ou sedutora) demais”, mesmo não tendo intenção alguma de seduzir. Uma pessoa não se seduz sozinha, se ela se deixa seduzir, não deve ser por algum motivo? E, meine Liebe, tudo, absolutamente tudo, dói demais.

Então é isso. Um clique, um aperto de botão, um switch entre on e off e uma pessoa é cortada, ela sai da sua vida. E quando nos esbarrarmos na rua? É para atravessar também e corroborar com o seu mundo perfeito, sem mim?

Se incomoda se eu não curtir?


Da falta de ética.

Juro que no fim do telefonema, o homem citou a ética kantiana. Não estava acreditando. Mas isso é o final da história. Vamos ao começo.

Há anúncios nos jornais, de vez em quando, para pesquisadores. Pesquisador é algo muito amplo – e necessário, em diversas áreas. Entretanto, esses anúncios nunca publicam seus interesses. Você nunca sabe se precisam de pesquisadores para montar um enredo carnavalesco ou pesquisar tendências de moda para as personagens da novela das oito.

Me ligaram. O cara das pesquisas. Primeiro, começou dizendo que trabalham com revisão, tradução, perguntando se eu escrevo, se tenho algo publicado. Depois, o assunto central, abordado de uma maneira nem um pouco sutil porém com uma voz ressabiada: Nós também trabalhamos com monografias, isto é um problema? Por que há pessoas que acham errado trabalhar com monografias. Comecei então a responder em monossílabos e o homem querendo saber da minha monografia do final de curso, monografia da especialização, trabalhos do mestrado. MEUS trabalhos. Queria ver, ler os MEUS trabalhos.

Não apareci, não liguei e nem achei que devesse satisfações alguma. O homem então me caçou o dia inteiro no telefone, até que minha mãe me deu o telefone sem saber e eu declinei a ” proposta”.

– É por que nós trabalhamos com monografias e trabalhos de mestrado e doutorado.

– É. Eu não vou e não faço isso.

– Mas você sabe que não tem nada de ilegal nisso. (OI?????)

e então ele começa a desfiar um rosário de problemas das pessoas, os motivos de haver essa demanda, de como ele não está fazendo nada ilícito porque não prejudica ninguém. Teve, inclusive a coragem de comparar a si e a equipe deles como pessoas que auxiliam os menos capazes, ou pessoas que realmente necessitam de assitência, como pessoas cegas, por exemplo (eu juro!)

Continuei ouvindo porque pensei que seria melhor ouvir logo do que ter de aguentar mais não sei quantos telefonemas. Mas não respondia. O homem falava de professores que reprovavam alunos em monografia ainda em agosto,de alunos perseguidos etc etc.

Minhas respostas não dadas:

Meu senhor, eu me arrebentei inteira, as vezes fazendo onze disciplinas por vez e NUNCA tive nada recolhido por plágio, nada com suspeita de que não tenha sido eu a idealizadora daquele trabalho, NUNCA. E sempre dei conta das minhas obrigações.

Segundo: em nenhuma Universidade há somente um professor que dê monografia ou projeto final ou o que seja. Seu querido cliente é perseguido? Manda ele ir na ouvidoria da Universidade, trocar de professor e sentar a bunda na biblioteca e estudar.

Terceiro: Não está prejudicando ninguém? Não? Tem certeza? E as pessoas que não se desviam por caminhos desonestos e ilícitos e que não têm uma equipe a sua disposição para fazer as pesquisas e montar o texto por si? Tem certeza que essas pessoas não saem prejudicadas? E a Instituição de Ensino que não tem mais seu nome intacto, também não sai prejudicada? E o aluno espertinho, seu cliente, também não se fode mais tarde se é pedido dele um conhecimento que ele deveria ter?

Quarto: TÁ DE SACANAGEM COMIGO, MERMÃO? Se comparar com uma pessoa que auxilia deficientes? Incrível. E não no bom sentido.

E por último: sim, tenho “problemas” de ética e moral, se é assim que chamam agora, problemas. Eu sou uma professora, nunca me prestaria a esse papel. Não me importa os motivos de quem procura e sei que os motivos de empresas do gênero da sua existirem, não são bons motivos. O senhor não ajuda ninguém. A ajuda tem um nome que deve ser muito atraente para o senhor: dinheiro. E mesmo que eu estivesse desesperada a esse ponto. Eu não estou no meu sexto ano de estudo consecutivo para isto. Se os senhores não levam instituições, professores e alunos como eu a sério, eu levo.

Eu preferiria ser garota de programa a me prestar a isto.

P.S. O homem é ex professor de algumas boas Universidades.


But what if I can´t smile?

How to fight loneliness
Smile all the time
Shine your teeth to meaningless
And sharpen them with lies

And whatever is going down
Will you follow around
That’s how you fight loneliness

You laugh at every joke
Drag your blanket blindly
Fill your heart with smoke

And the first thing that you want
Will be the last thing you’ll ever need
That’s how you fight it

Just smile all the time
Just smile all the time
Just smile all the time
Just smile all the time

[ Wilco – How to fight loneliness]


Acordei

Achei que era pesadelo ou coisa fora de realidade. Acordar cedo, reinar para levantar, tomar banho, tomar café, uma chapinha bem (des)cuidada nos cabelos. Muita maquiagem para de manhã (semi)cedo. Cadê a porra dos sapatos? Pisei na rua com medo. Putamerda, esqueci meu wayfarer, claro. Não vou subir pra pegar, afinal… que imagem?

E as pessoas que gostam tanto de pensar que não se preocupam com imagem. Como a gente ensaia esse jogo de regras tão marcadas. Meias confissões de verdades e segredos que todo mundo sabe atravessando a mesa.

E se eu disesse a verdade, e se dissesse que, sabe… eu pegava e ia pra cama. Pegava o livro, aquele livro. E lia ele pensando em me masturbar. A coragem para isso só em pensamento, ou por emails que não serão enviados.

É , estou sentada, ouvindo, ouvindo, ouvindo e assentindo.

– Desculpe, essa cara é… – e eu não revelo.

Acordei.


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