“How young are you?
How old am I?
Let’s count the rings around my eyes
How smart are you?
How dumb am I?
Don’t count any of my advice

Oh, meet me anyplace or anywhere or anytime
Now I don’t care, meet me tonight
If you will dare, I might dare
[…]
Fingernails and a cigarette’s a lousy dinner
Young, are you?
[I will dare – The Replacements ]
Por mais que seja estranho, difícil ou quase impossível pensar no assunto, se desvencilhar ou tentar se desvencilhar de uma mágoa, de uma doença, extirpar um câncer não dói só em uma pessoa. Principalmente se essa doença for uma pessoa. Uma pessoa incosciente de que é um mal. Ou consciente mas sem o entendimento, o real motivo, as razões por dentro da pele.

Raramente uma mágoa é uma via única. Costuma ser de mão dupla. Há dois caminhos: podemos estar atentos a isso ou podemos fingir que não vemos. Pessoalmente a segunda opção nunca funcionou muito bem para mim. Ou não funciona quando eu quero.

Uma vida dolorida, um sofrimento crônico, um relacionamento que não deu certo, uma amizade que não consegue se estabelecer, um clique em um site que faz as vezes de carrasco. Ainda que não seja dividida, a mágoa é conjunta. Segue com rancor e raiva.

Eu preferia não ter perdão mas ter a possibilidade de discussão, o direito de voz, o direito as palavras, o direito a pelo menos uma resposta. Eu preferia que não se torcesse de longe por mim e que me rougasse pragas ao vivo. Eu preferia a raiva com a qual eu lidava do que a indiferença.

A dor prossegue, dos dois lados. Dos lados opostos. Desigual. Mais solitária de um lado, do que de outro. Mais curada em um, menos saudável em outro. Todos sentem mas não dividem.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

3 responses to “

  • Câmera de Vigilância

    Ai, eu não entendi essa parte, me explica? “Raramente uma mágoa é uma via única. Costuma ser de mão dupla.”

  • Bruna Maria

    É muito difícil ‘superar’ uma mágoa sinceramente. Eu acho que a gente precisa ter disposição para superá-la (se quiser, se for do interesse), mas outros fatores que não a disposição existem, e fogem do nosso controle. Por exemplo: já tentei diversas vezes diluir um sentimento assim, mas quando menos espero, percebo que estou ainda com tudo muito vivo e que ter pensado que eu avançava ‘vencendo’ essa mágoa foi apenas um equívoco, que continua tudo igual. É algo forte demais.
    Como fazer? Eu tento novamente. Da parte do outro, quando é via de mão dupla como você disse, a gente não tem como ajudar. Cada um sabe o que suporta sentir e o que quer para si, né?

  • M.

    As pessoas se magoam mutuamente. Mesmo quem sai magoado acaba aproveitando qualquer brechinha, oportunidade mínima que seja de magoar a outra pessoa, por vários motivos: rancor, ódio, amor…
    Sim, cada um sabe o que quer para si mas não creio que isso se construa a base da falta de diálogo. Um dia a pessoa decide, que vc faz mal a ela e pronto, acabou.
    Isso que eu não entendo. Essa indisponibilidade para SEMPRE.
    E isso magoa…

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