Low profile

Talvez a tag ela devesse ser extinta, já que perdeu sua força. Imagino que ela não figurará mais por aqui. Talvez deletar essa tag seja um sinal de comprometimento com a empresa a que me propus. To let go. Deixar tudo ir, sair de mim, ainda que lentamente, ainda que a cada dia, eu tenha que procurar com atenção por algum pedaço dela que, por acaso ainda esteja incrustado demais em mim, e esfregar, até sangrar, exigindo que saia. Não que eu pense que não existam coisas que valham a pena ser guardadas mas ela precisa sair e creio eu que, sua intensa presença que me sobrecarregava e ao mesmo tempo era tão fugidia, essa presença que eu parecia ser feita para correr atrás (e acolher em mim). Algum dia, pode ser que exista uma outra ela. E os pronomes pessoais do caso reto femininos, se chocarão.

No momento, eu precisa de espaço para se alargar e acolher e tomar conta de si mesma. Eu em primeiro plano e fugindo de vida pessoal, querendo e forçando a vida pública, da carreira em avanço para poder seguir com o ciclo de dedicação – o outro, eu , o outro, eu, os outros, agora. Os alunos, os colegas e os professores, os livros e as palavras.

Sem ela, sem ele, sem nomes. O eu precisa se esconder, se apagar um pouco.

Advertisements

About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

One response to “Low profile

  • TEJO

    E eu que quero incluir uma tag dessa em minha vida…Isso de deixar fluir dói mas, por mais que doa, acho que é o natural a fazer. Mais que isso, é a única coisa a fazer. O que eu acho é que essa dor traz crescimento, emocionalmente falando.

    “Benedictum et idum”, abençoa e passa, vida que segue. Dos católicos para Osho: não é esperar a amada para ser feliz; é ser feliz que a amada aparece.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: