Monthly Archives: October 2011

Convite Intravenoso

Engraçado esse negócio de lançamento e ter de resolver as coisas, ser prática, tomar decisões, atender telefonemas, responder emails, dar a palavra final. Todo mundo anda estranhando um certo desapego meu por toda essa idéia de livro, lançamento, assinar no exemplar dos outros, enfim. Não diria desapego, é um estar ressabiada. Afinal, são anos de complexo de inferioridade misturados com um perfeccionismo que me faz remoer eternamente qualquer coisa pensando em como eu poderia ter feito muito melhor se.

Intravenoso contém meus 21, 22 e 23 anos. Não meus, meus, mas o período em que muitas dessas idéias estavam na minha cabeça. Ou idéias inclusive anteriores que eu julgava necessário expor. Hoje, estou à beira dos 26. Algumas coisas mudaram.

Na verdade, o que estou querendo dizer é: esperem somente o que possam esperar. :}

De qualquer forma, será um dia feliz, obrigada pelas felicitaçõese agradeço, antecipadamente, pela presença.

M.

Advertisements

Vazados

Para um ano tão cheio, este está conseguindo ser também, tão oco.

(Um passeio rápido pelo google mostra que não existem imagens de algo que seja oco. Aparentemente, oco e vazado devem ser sinônimos. Vai ver sempre foram e, não me dei conta.)

Em uma outra pesquisa – desta vez, séria e relevante, achei isto: As torneiras de Freud. Ficaria acordada lendo, durante a noite toda.



E por que não?

Todo o sentido de resolver fazer ou não as coisas se resume não ao que determinada ação vai me trazer ou não. Até deveria, pelo nível (se baixo ou alto, não importa) de maturidade que meus vinteecinco anos me trouxeram até agora. Mas sim a não razão para não fazer certas escolhas, não ter determinadas experiências, não conhecer determinadas pessoas.

É que eu cansei de dizer não e perder. Diversas coisas. Cansei de perder vida, por todo(s) o(s) medo(s) que sinto e desta vez, eu exorcizei o passado em copos de cerveja, vodka e cachaça com gengibre.

Uma noite com histórias frescas de literatura contemporânea brasileira, backgrounds de leitura, fazendo de um tempo frio e chuvoso do Rio de Janeiro, uma extensão mais agradável e boêmia de São Paulo.

Todas as trocas, as trocas não táteis que poderiam haver, circundadas pela idéia de um beijo que sim, rejeitei mas que tornaram toda a noite, em um longo e quente beijo, amanhecido na Mem de Sá. E ainda, flores de folha de palmeira, livros estrangeiros, e todos os feromônios enlouquecidos chamando a vida para acasalar contigo.

Eu ri na rua. Eu li, falei, conheci, bebi. E saltitei vindo para o trabalho na segunda, sabendo que nem tudo foi sonho, mas tudo é delírio. A ficção, querido, começa conosco, não sentados na frente do nosso computador, mas continuando, à nossa maneira os passos daqueles tão inscritos em nós.


l’ombre d’un regret

Um telefone na agenda, não é só mais um contato. As vezes é a maneira (quem sabe até a única maneira) de se fazer menos esquecida, algo presente por alguém que possa ter colocado seus emails direto para a caixa de spam.

Uma tentativa de aproximação, não é uma sedução implícita. Um arrependimento sobre correspondências pesadas e vulgares, não é necessariamente falso. Um “não sai da minha vida”, não é necessariamente problema à vista, pesadelo, importunações.

Com o passar de meses, aniversário de um ano desde um rompimento de algo que, eu sempre achei que poderia ter sido a amizade da minha vida, veio o desespero. Nem mesmo para felicitar, timidamente, quase como quem pede desculpas, somente pelo tom de voz, pela ousadia de ligar a um feliz aniversário.

Nada quero dessa vez a não ser desejos de felicidade (que sim, não me incluem). Perder uma amizade ou uma amizade em potencial, quando ela é realmente importante, quando é alguém que não só tira e nem soma, é um dividendo, faz parte de um alinhamento de alguns (muitos pensamentos e sensações – não falo de sentimentos aqueles, que, nunca foram mesmo para ser, agora sei. Nem os de mim por você ex- quase amiga, e nem de mim por ela).

Ironicamente, a única palavra que carrega em si, entranhada, tudo o que venho guardado durante todo este tempo é aquela palavra, tão portuguesa:

Saudade.

Isto não é sobre mim, sobre meus desejos (que não possuo), minhas vontades (que inexistem), meu egoísmo ( eu estou tentando desde de.) ou sobre qualquer coisa que eu possa estar querendo impôr (não quero impôr nada, e me impôr, não posso, à ninguém, nem quero – ou melhor, se quisesse, nem conseguiria, não sei fazê-lo).

Toda a insistência, o incômodo, a invasão e o desagrado, depois que o diálogo se fechou é tão somente porque eu sei reconhecer alguém especial e importante. Mais do que isso, sei reconhecer alguém raro e que eu gostaria de poder dar oi, fe-li-ci-tar, torcer por (torcer de perto), ouvir, e ouvir e ouvir.

É como ter conhecido um pedaço da vida, do mundo, de mim e de tudo o que mais prezo e tê-lo arrancado, sem que, haja a chance de consertar.

Um telefone, não é só um telefone. Um contato, não é só um contato. La recherche de la fraternité perdu.


Sadness in the nest

Even if we don´t consider the houses we´re living our ‘ real homes’ because of the antecipation of getting our room of our own, I often find myself building a nest inside of this tiny room. The wall getting filled with old newspaper articles about my favourite writers, posters of movies and expositions, my blankets, the dolphin. Any time away it really is some time away from a nesty room, dark, with the sound of the washing machine putting me to bed.

In here, the only written words, low and soft songs and noises, tears and bad dreams. Sometimes, dreams I wish it were reality.

To discover the meanings of reality, to understand that what people call the ‘real life’ is, in a way, sacrifice, and pains in the chest like a heart disease coming, a lack of heart beats, and loss. Nobody tells you that the ‘real world’ is made of excruciating losses.


síndrome do pânico, depressão, tristeza, melancolia, borderline, bipolaridade…

those thoughts.

E os distúrbios vão aumentando.

Somatização, seu nome é Mayra.


%d bloggers like this: