l’ombre d’un regret

Um telefone na agenda, não é só mais um contato. As vezes é a maneira (quem sabe até a única maneira) de se fazer menos esquecida, algo presente por alguém que possa ter colocado seus emails direto para a caixa de spam.

Uma tentativa de aproximação, não é uma sedução implícita. Um arrependimento sobre correspondências pesadas e vulgares, não é necessariamente falso. Um “não sai da minha vida”, não é necessariamente problema à vista, pesadelo, importunações.

Com o passar de meses, aniversário de um ano desde um rompimento de algo que, eu sempre achei que poderia ter sido a amizade da minha vida, veio o desespero. Nem mesmo para felicitar, timidamente, quase como quem pede desculpas, somente pelo tom de voz, pela ousadia de ligar a um feliz aniversário.

Nada quero dessa vez a não ser desejos de felicidade (que sim, não me incluem). Perder uma amizade ou uma amizade em potencial, quando ela é realmente importante, quando é alguém que não só tira e nem soma, é um dividendo, faz parte de um alinhamento de alguns (muitos pensamentos e sensações – não falo de sentimentos aqueles, que, nunca foram mesmo para ser, agora sei. Nem os de mim por você ex- quase amiga, e nem de mim por ela).

Ironicamente, a única palavra que carrega em si, entranhada, tudo o que venho guardado durante todo este tempo é aquela palavra, tão portuguesa:

Saudade.

Isto não é sobre mim, sobre meus desejos (que não possuo), minhas vontades (que inexistem), meu egoísmo ( eu estou tentando desde de.) ou sobre qualquer coisa que eu possa estar querendo impôr (não quero impôr nada, e me impôr, não posso, à ninguém, nem quero – ou melhor, se quisesse, nem conseguiria, não sei fazê-lo).

Toda a insistência, o incômodo, a invasão e o desagrado, depois que o diálogo se fechou é tão somente porque eu sei reconhecer alguém especial e importante. Mais do que isso, sei reconhecer alguém raro e que eu gostaria de poder dar oi, fe-li-ci-tar, torcer por (torcer de perto), ouvir, e ouvir e ouvir.

É como ter conhecido um pedaço da vida, do mundo, de mim e de tudo o que mais prezo e tê-lo arrancado, sem que, haja a chance de consertar.

Um telefone, não é só um telefone. Um contato, não é só um contato. La recherche de la fraternité perdu.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

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