Monthly Archives: February 2012

The Fantastic Flying Books

Nesses tempos de Ipad, e-reader e tablets, é preciso que haja uma resistência – e que seja bela.

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Lei de Murphy.com

“Como este é um período de introspecção da mente, cuidado para não entender tudo errado, Mayra! Esta é uma fase altamente subjetiva a níveis mentais, e existe aqui o risco de você confundir informações, entender as coisas de maneira distorcida… Conseqüentemente, não é um bom momento para estudos ou viagens, e se você estiver fazendo algum concurso ou precisando estudar nesta fase, convém ter o triplo da atenção que teria normalmente, para evitar desconcentração e assimilação incorreta do conteúdo.”

Personare.com.br

Não que eu acredite acredite pia e cegamente nisso mas, ler o trânsito de Mercúrio na Casa 12 que vai de hoje até sexta, o último dia para entregar os trabalhos de fim de período passado do mestrado é simplesmente ótimo.


Heartbeat

Heartbeat é a exposição da artista Nan Goldin montada para o MAM, incluindo fotos de The Ballad of Sexual Dependency, I´ll be your mirror e All by myself, séries de fotos montadas pela própria.

Inicialmente, a exposição seria no centro cultural Oi Futuro. Porém, devido à censura que sofreu por causa das fotos de crianças despidas (nas quais, segundo a lei brasileira, constituem pornografia), a exposição foi parar no MAM – Rio. O que, de fato, é melhor. O Oi Futuro, a meu ver, não tem estrutura para uma grande exposição.  A exposição de Pierre et Gilles, há uns dois anos, foi uma decepção porque era diminuta demais frente a quantidade (que não exclui qualidade) da obra dos dois artistas.  Os espaços lá são tímidos demais para a importância do que acontece, como a palestra com o Todorov.

Ao entrarmos no terceiro andar do MAM, a maior parte das fotos que vemos são de paisagens, itinerários percorridos com lentes, coração e algo mais que, imagino que eu nunca vá saber. E esse algo, é o que te faz ficar parado em frente de cada fotografia, procurando.

Para ver as demais fotos, as tais “fotos chocantes”, que não poderiam estar em uma galeria de um centro cultural no Flamengo, era preciso entrar em três salas fechadas, onde as fotos eram mostradas da forma como a organização da exposição imaginou, trilha sonora e tudo. Cada uma das salas reunia fotos das três séries acima citadas.

O fato é que as imagens, a meu ver, continham uma pureza inimaginável. E, tirando a superlotação e pessoas que se sentiam tão a vontade que deitavam nas salas de projeção, cada sala te envolvia na atmosfera própria, a começar pela música. Na primeira, era até um pouco difícil permanecer muito tempo sem lacrimejar e uma música da Björk (que tocava mais alto que a música das outras salas) soava em repeat.

As fotografias, o ar, a música… eu me postei (em cada uma das salas de projeção) bem na parede perto da saída, encolhida, e quando tinha oportunidade, me sentava, do mesmo modo. Haviam pessoas falando, risos, telefones tocando mas é preciso certa capacidade de abstração para poder entrar dentro do que se vê.

Aquele algo que Nan Goldin vê (e fotografa) deve ser diferente para cada pessoa, e cada pessoa sai de lá pensando e acha naquelas fotos não somente o que quer, mas o que sente uma vez que, impassividade é a única coisa que aquelas imagens não despertam.

Como toda e qualquer obra de arte, as impressões causadas e marcadas em mim, são certamente diferentes tanto daquelas pessoas deitadas perto das projeções quanto daquelas senhoras que se retiraram rapidamente de cada uma das salas.

Em mim, além de ensimesmamento, restou, mais do que tudo, uma solidão enorme.


Croatian letters

” I also think this felling of loss that you described in your last email when an author sees the printed book begins earlier when you have to cut chunks of what you wrote just because the publisher´s reviewer told that the public may not get something. I know it´s their job but every word that you have to toss is like cutting a little piece of yourself. I wasn´t thinking about market when I wrote most of those thinks and, to be honest, I still not thinking about it. I have no idea how many books were sold. I´m not making any money with it since I didn´t pay for anything to get the book published. They need to recover the money they spent with me, it´s only fair. I can relate to what you said about publishing a book feel like finishing a relationship. It happens to me a lot, every time a relationship ends and I´m doing this mental retrospective, I always catch myself trying to find what or how much of me (Mayra) are in that person and why did I fell in love with her.”

Se isso não fosse tão precioso e tão nosso, Correspondência com um croata soa bem.


Despite the lesbian propaganda :


Como falta

“It was Sappho who first called eros “bittersweet”. No one who has been in love disputes her.”

Kasemir Malevich, Head of a Peasant Girl 

“The Greek word eros denotes ´want´, ´lack´, ´desire for that which is missing´. The lover wants what he does not have. It is by definition impossible for him to have what he wants if, as soon as it is had, it is no longer wanting. This is more than wordplay. There is a dilemma within eros that has been thought crucial by thinkers from Sappho to the present day. Plato turns and returns to it. Four of his dialogues explore what it means to say that desire can only be for what is lacking , not at to say  that desire can only be what is lacking , not at hand, not present, not in one´s possession nor in one´s being: eros entails endeia.

[…]

Hunger is the analog chosen by Simone Weil for this conundrum:

All of our desires are contradictory, like the desire for food. I want the person I love to love me. If he is, however, totally devoted to me he does not exist any longer and I cease to love him. And as long as he is not totally devoted to me he does not love me enough. Hunger and repelion. (1977,364)”

CARSON, Anne. Eros the Bittersweet- Princeton University Press, 1986.


Bloqueio

É sempre possível que alguém se perca enquanto eu olho a tela e ela devolve o olhar. Nenhuma das duas age.


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