Monthly Archives: October 2012

I´m dwelling in possibilities.

Dreamful, imaginary, unreal ones.


 

Deixarei que os fios cresçam até que arrastem no chão e varram minhas ilusões  e esperanças partidaspara debaixo de um tapete imaginário. Até que não se entreveja mais o meu rosto. Até que a visão do meu rosto seja somente adivinhada. Em sonhos.


She gave me her metaphors, her bottles of gins and her North Africa stamp collection.
At night we would talk in dreams, back to back and we would always, always, agree.
The sheets were so much like our skin that we stopped going to work.

Não gosto dele que já me roubou o que nem tenho. Mas tem seu valor.


Novo

Meus dedos tremem diante da iminência de um teclado e tela diantes dos quais todos os meus medos de mil rejeições irrompem frente a uma completa ignorância (sua). Tateo como que cegamente até ler, sem querer, o que não quero ler, desaber, parcialmente, o que não queria fazer.

A minha voz, quando penso em enviá-la para ti se esvai em ecos incompreensíveis, fúteis e infantis.

Eu gosto de você pela leveza que me ultrapassa inteira. Eu, rotunda, oscilando entre o farto e o oco.

Como?


beauty blinded

Somente aqueles olhares já dariam páginas e páginas. No entanto, nunca pensei em escrever sobre isto. Fora doce mas, eu estou inebriada de uma outra beleza que flutua entre a minha vontade e minha incerteza.


 

A verdade é que desisti de ler não somente por ciúmes. Desisti porque nada era direcionado, nada dito para mim. Nenhuma palavra voava em minha direção, nenhuma indireta me atravessava ou me feria. Nenhum eufemismo empregado para encobrir um xingamento.

Era como se eu não fosse. Como se não existisse. Como se nós, tivesse sido uma entidade que criei – e aliementei – na minha cabeça durante anos. (E não são todos os nós do mundo desta maneira?)

Não, não são. O esforço para me esquecer precisa ser tão brutal a ponto de você precisar me remover de si cirurgicamente, bisturi à mão. No entanto restam as sujeiras. Antes que você consiga me desencrustrar de sua pela, na qual me acomodei tão bem, você terá que se esfolar inteira.

Existe sempre um ponto corporal desconhecido, esquecido por nós mesmos em que nos guardaremos. A memória corpórea fará latejar junto com as saudades, os anseios. Algum dia você me tocará, neste lugar desconhecido que no qual me escondo em você.

– Mas já não tirei toda essa merda de mim?
.

.

.

moderato molto dolce – E funcionou?

 


Querendo menos de mim.

Lutando para levar adiante a escritura da dissertação – que anda sofrida levando em consideração a minha recém adquirida dispersão fatal, me deparo com um trecho de The Culture of Narcissism, onde o autor, Christopher Lasch, assinala a ironia do reflexo narcisista na arte contemporânea, ao dizer que,

Ao se tornar narcisista, ela não só falha na criação de uma ilusão de realidade, como também sofre da mesma crise de auto-consciência que aflige o homem da rua. Chamando a atenção para a artificialidade de suas criações, os escritores desencorajam a identificação do leitor com os personagens, mas, assumindo uma postura crítica, eles ao mesmo tempo se tornam tão conscientes de suas técnicas de distanciamento que acabam achando cada vez mais difícil escrever sobre qualquer coisa que não seja a dificuldade de escrever (LASCH: 1979,175)

Emblemático, tendo em vista que nos dois livros que analiso, um dos motes essenciais deles é a dificuldade de narrar, de pôr a experiência em palavras, confirmando as palavras de Benjamin em O narrador.

Eu acrescentaria que, além disto, fica cada vez mais difícil não mergulhar na escrita auto-referencial, metalinguística e metaficcional. Para algumas pessoas, e aqui me incluo, fica difícil não começar partindo de si, tomando a si mesmo como um centro narrativo que não é fixo, desloca-se em seu próprio eixo, continuamente em movimentos translatórios e rotatórios. Ora bastando-se a si mesmo, ora precisando de tudo o mais para começar a recolher seus cacos frequentemente espatifados (como consequencia de ações próprias).
Porque toda estória metaficcional trata de recolhimento de cacos.

Outro dia estava passando na televisão o Histórias de Amor duram apenas 90 minutos, filme no qual o personagem-narrador, um pretenso escritor, reclama também da sua incapacidade de escrever,dizendo que, ao olhar para o mundo, consegue enxergar milhões de histórias, todas muito interessantes mas que acaba sempre escrevendo sobre si mesmo. Seguidamente, conclui se perguntando quem gostaria de ler sobre a vida dele. Ignorando os comentários posteriores sobre uma vida sem graça onde nada acontece, vi que este pensamento me assola diversas vezes. Embora eu ache quase todo o ser humano fascinante, com uma história e visão fascinante porque outra, não consigo me fascinar comigo mesma a ponto de achar que palavras em um livro que se confundam com as minhas próprias devam despertar interesse de quem quer que seja.

Além do mais, quero e preciso calar. Ando escrevendo e apagando, exercitando a auto-censura mais do que nunca e menos do que deveria. Sinto-me atraída por um silêncio sepulcral que não escuto nunca: estou cercada de ruídos e gritos. O excesso de barulho, de calor e outras drogas me confunde ao ponto de eu perder toda a oportunidade de me calar.

Regurgito palavras e me arrependo. Escrevo, publico e apago. Pior é quando elas saem pela boca e não há maneira de voltar atrás. Eu digo tudo o que não deveria ser dito. Meu filtro sempre foi defeituoso.

Por isso eu corro atrás do silêncio, tento me enlaçar a ele e o amo tão profundamente. E quando finalmente o conquistar me atarei a ele por tempo indeterminado.

E se me perguntarem escritora, responderei que não. Já foi um sonho, porém serei muda até nos dedos.


%d bloggers like this: