Caminhos

ervas2

Diversas ervas imersas em uma água escura, algumas eu já vi, reconheço por cheiro, outras, mais secas, não sei o que são. Banho-me. A água quente, delicada, esfrego estas folhas em mim como quem não tem o direito mas precisa. São como lavandas, calêndulas, perfumes delicados que se incrustam no meu corpo, me acalmando, me perfumando. Quase não sei o que fazem. Não sei que significa “abre caminhos” porque não sei se, de fato, meus caminhos andam fechados ou se tive tantos, que desisti de andar por eles. De qualquer forma, algum dia, algum caminho (ou mais de um) começará a se delinear por sonhos e abraços ou por um não necessitar, o segundo, quimera, esperança estranha que não irá se concretizar.

E depois, jogar em alguma árvore, um canteiro qualquer que hoje, parecia mais fraco, menor que ontem, mais castigado pelo inverno, faltando um pedaço. Desbaratei. Mas, sou metódica, gosto dos mesmos pratos, leio do mesmo jeito, uso as mesmas roupas, escolho os mesmos itinerários e quase sempre, ouço as mesmas músicas. De um lado, um mendigo, cheio de coisas, sentado ocupando um banco inteiro com suas coisas e tralhas tão, tão valiosas. Mais valiosas que meu apartamento inteiro. Uma mulher falava com ele. Talvez para dar comida. Na minha esperança altruísta (pois não havia descido com nenhum dinheiro), era o que esperava.

Perto de mim, muitos homens conversando, tramando, prestando atenção em quem ia, quem ficava. Fortes, corpos esculpidos. Quase que pararam a respiração, a menina com os cabelos molhados e penteados, short e suéter se aproximava.

Joguei as folhas na metade do canteiro que ainda havia, como deveria ser.

Rezei.

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About M.

Moira A fatalidade cega. Em grego arcaico, a parte ou quinhão. Em Homero, a parte da vida decretada a cada indivíduo. O destino traçado do qual não se pode fugir e a pré – disposição à tragédia como condição inegável do ser humano. Lei suprema da vida cósmica à qual todos, humanos e Deuses estão sujeitos. Mayra Lopes Intimamente ligada a conceitos. Hardly one. Filosofia e literatura, eros e pathos, hybris e moira. Um conglomerado de hormônios e sensações. Acima de tudo, sensações. Dores e ansiedades. Mais uma fragmentação pós – moderna, com uma diferença: procuro saber de mim. Quero que o mundo se exploda. Eu só ligo para mim e para os meus. Para a arte, o pensamento e as sensações.Felicidade como estado efêmero versus desespero. Suicídio versus a vontade da dor de aprender, a procura. Descendente de espanhóis e poloneses, mantengo uma estima profunda por la lengua que me dice y por la guitarra catalán. Costumo falar de Cortázar e de literatura alemã. Tenho Goethe tatuado nas costas, sobre aquele olhar. Qual? O de todos. Devaneio, entre Miller, Pessoa e nuvens. As vezes também em algodão – doce.A minha escrita, chuva oblíqua. Passo as horas, entre PJ Harvey e um quarto cheio de história. Cheio de mim mas tão cheio de outros, que as vezes, não reconheço. Virgínia Woolf sem a escrita, depressiva. Sei quase tudo sobre os dark places e as pílulas, todas, conheço-as quase todas. Nenhuma nunca me trouxe felicidade, só torpor. Brinquei de Susanna Kaysen por três dias, me internei, me dei alta; no meio tempo, me chamaram pra fugir. Gosto de dar flores de presente mas ganhei poucas. As minhas preferidas são margaridas. É, simples assim. Detesto pleasure delayers. Não vejo sentido. Se tiver que ser algo melhor, vai ser, durante dias, meses, anos. Não há necessidade de adiar nada por causa disso. Eu sei o que eu quero, detesto jogo ( mas sei jogar como ninguém). Meus exs/minhas exs não realmente saem da minha vida. Estão todos por aqui, orbitando. Falo da maioria com carinho de como se as coisas estivessem acontecido ontem. Costumo ser amigas deles e delas. Tenho uma tendência a lembrar primordialmente das coisas boas. Na tela, de preferência a Europa e seus idiomas entre os filmes.Os finais da Lola e os meus possíveis finais. Entrei para Letras, achando que letras é alguma coisa da qual se vive, para descobrir que, apesar de uns e outros, eu não vivo, respiro. Aqui, onde a menina cresce e a mulher se esconde. Isto ainda não sou eu. “I open once and you call me Devil`s gateway”. Prazer, M. View all posts by M.

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