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Do que eu não entendia

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Uma vez uma mulher a quem magoei me disse que, muito polidamente, que embora parecesse que eu me preocupasse muito com ela e, apesar de eu tentar manter contato com ela de uma forma leve, displicente até (o que na minha cabeça aliviaria tanto o golpe que eu dei, quanto a culpa que eu sentia por tê-lo dado), eu nunca havia realmente me preocupado com o que ela queria. Acho que posso estender isso a: talvez, no meu intenso egocentrismo, eu nunca tenha entendido o que ela precisava.

Ela não precisava de palavra minha alguma, de nenhuma displicência ou leveza de minha parte, nenhuma palavra. Na verdade, ela apenas precisava da minha ausência total. Não que ela pudesse ou quisesse (bem, talvez quisesse) apagar a minha lembrança. Mas ela não precisava da constante lembrança da rejeição que eu representava.

Hoje em dia, eu entendo que, tudo o que um coração que foi diminuído de tamanho não necessita, é de uma preocupação que não se apresenta como verdadeira, que mascara uma culpa, que alimenta algo que nunca deve ser alimentado e mantém o magoado sempre escravo, pendurado na forca pelo desejo, pela necessidade, pelo amor.

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O pós contemporâneo com suas intervenções urbanas, ando pelas ruas prestando atenção em todo chão, paredes, muros, postes e até céu. Grafitti, colagem, stêncil.

Hoje, vim aqui, porque percebi que, sem você, minha existência se ameaça, não a percebo, ela não se configura, irreal, fluída, transparente e finita como bolhas de sabão. Porque você segura a mim e diz: Vo-cê.


Tantas vezes

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Uma ciranda de mãos e palavras que lentamente, devagar, devagar, foram se soltando, dedo a dedo, do falar normalmente, abaixando, abaixando o tom de voz, chega-se no sussurro no ouvido, no escuro, de madrugada, na cama. Eu te amo, não me deixa, não machuca, não quero dividir com nada, a metade de você, outra metade, tomada de loucura, que é minha também. chega disso, muda, não é pra crescer por mim, é comigo, dentro de mim. Não é para eu ser tudo, é ser uma parte do todo.

Por favor, não perca o todo. Tantas vezes perdermos a vida. 


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