Category Archives: correspondência

Nicht dich habe…

Imagem

Nicht dich habe ich verloren,

sodern die Welt.

BACHMANN, Ingeborg in Eine Art Verlust

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desânimo literário

Nunca vou entender que novíssima literatura é essa que anda se resenhando por aí em que todo o “escritor” acha que precisa construir frases com pelo menos três palavrões, idolatrando Bukowski ( e serei bem sincera aqui: não gosto dele. não há nada que me chame a atenção, nada que eu ache genial, a não ser o livro dos gatos, que, pelo tema, não tem como não gostar) e brincando de querer ser o Henry Miller do século XXI.

E as meninas todas leitoras apaixonadas de Fante falando da sua (sim, da delas mesmas) vida íntima e sexual como quem conta o que comeu no o almoço.

Quanto ainda falta para esse modelo de literatura ficar datado para os outros, ao invés de só para mim?

Quantas negativas super educadas terei de lançar para explicar minha recusa em divulgar livros nos quais não acredito?

Em tempo: eu também não acredito no meu mas, pelo menos, não pedi que ninguém divulgasse, ou curtisse. Aliás, depois que seu conteúdo saiu de minhas mãos, ele passou a ser de todos (revisora, editores, diagramadores, vendedores, site da internet, leitores) mas meu, já não é faz tempo. Carrega meu nome mas não sou eu.


A você leitor

que chegou no blog porque digitou nos sites de busca:

“estou triste pela perda de um gatinho”,

meus pêsames, minhas lágrimas, minha compaixão…

… e um abraço bem forte.


Eu sou aquela.

O problema de fazer uma merda fenomenal, ficar com raiva e falar qualquer coisa que você pense na hora da raiva justamente para machucar é que você cai em descrédito, para sempre.

Aquele um momento de descontrole apaga todos os outros vividos e você vira aquilo, afinal, foi ali que mostrou suas “true colors”. É compreensível que, após certas coisas, certas pessoas não queiram mais contato. É mais do que compreensível, até. No lugar dela, você faria o mesmo, cortaria relações. É o saudável a se fazer, se preservar.

Só que então, você, que fez a merda, pára e se arrepende. Tenta se desculpar e não consegue. É esquecido e se entristece, não pelo fato de ser esquecida. Eu, pelo menos, não acredito que eu seja inesquecível.

O se entristecer é que você vai se tornar aquilo. Você será aquela pessoa. E isto só importa porque, apesar de você ter feito merda, apesar de ter magoado uma pessoa, esta pessoa que magoou é importante para você. Mais do que ela pense e muito mais do que você mesmo achava.

E tudo o que você fizer posteriormente àquela merda, vai estar à luz daquilo. Te diminuindo, te tornando cada vez mais odiosa (ainda que a intenção seja boa – e delas, o inferno está cheio, não é mesmo?) aos olhos da pessoa magoada.

 

 

 


Wants

And there is nothing I would like more than to merge with (in) you.


You

I miss the bittersweetness of your presence.


Low

É muito mais difícil tentar se desfazer de todas as suas imagens que aparecem caleidoscopicamente expostas nesta rede seja por sua conta ou por outras pessoas que, precisam dividir os momentos todos.

O ato narcísico de escolher e manipular as imagens que se quer passar esperando que aquilo te traduza de alguma forma para outrem, que passe exatamente a imagem que você quer já me enjoou.

Talvez seja por isso que esteja tudo indo sem na verdade caminhar. Mas eu não tenho disposição para adicionar de trinta a cinquenta novos “amigos” em uma semana. Nem aprendi (ainda bem) a flertar com todos que aparecem no meu caminho na esperança de que, futuramente, eu possa deslizar mais facilmente pela vida.

Eu tenho mais o que fazer.

A minha pia, está cheia de louça.


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