Category Archives: daydreaming

eyes wide shut, heart wide open

CAM00824

I rushed towards you in the middle of the night, just to feel that tigh hug of yours, you pulling me back again every time I crawled away from you. We got married silently while crossing the sea. Honeymoon on an island. You, a trip that filled my lungs with air, made my heart pump blood a little faster, a little warmer. We being ourselves with our books and quiet moments until undress time. I, M. take thee, to be my wedded husband, to have and to hold from this day foward, for better for worse, for richer for poorer, , in sickness and in health, to love, cherish and (not) to obey till death do us part.

Amen.


Ahhhhh…

Me deito à noite. Eu não consigo dormir. Aquele cheiro, aquele cheiro, aquele cheiro. O perfume dela na minha cama, o sexo permeando o quarto inteiro. O gosto dela na minha boca. Gosto que, em anos, nunca senti. Só que eu queria tudo para mim, eu beberia galões dela. de todos os seus líquidos e suores. Eu não consigo dormir. Me reviro na cama em lembranças revividas que apenas melhoraram, se somam. E agora, agora é leve. É como sempre deveria continuar tendo sido.

Lembrando que, dessa vez, não há verbo ser aí. Estamos. Estamos fazendo. Estamos falando. Talvez, estejamos planejando. Porque o cheiro, ele continua forte. Porque a vontade, ela não passa. Porque as lembranças, elas não se apagam.

E o corpo é carne que sofre, pedindo o fim do suplício: sacia o meu desejo.


P for passionate me

images (21)
I thought she was amazing, I remember well the first time I saw her. She was wearing long sleeves, even though it was hot. And she was also wearing a lit bit of black make up, which gave her kind of an androginous look. After she walked in, I could see no one else. She was beautiful. Tall, with a figure that I liked it and a face full of personality. Also, she had the same trait that me.

We got together that night. It was amazing. Amazing like hell amazing. Her fingers inside of me made me forget my name, where I was, she did it in a such different way that I have never experienced. As the days went by  the more I time spent time with her if I could.  I would found myself more and more head over heels for her. She was different. She did different things, she liked different things but we had things in common enough to connect us.

Although I was totally in love, I always knew she was not the one. But I would like to spend a few months, maybe a few years by her side. Learning, sharing experience, knowledge. She hurted me once. Out of the blue. I wasn´t even expecting it.

Few months later, she came to me again. Another shot. Ok, I really like you. Let me see how it goes. Chat everyday, darling, sweeatheart. Liebe nevermore. Liebe was a thing of the other. More conversations, plans, let´s see each other, I want to be at your house. Please, please come. Please, stay.

I got scared. She was strange. I felt a kind of a disconnection. I had a feeling that she wanted to get out as quickly as possible from my bed. I phoned her, feeling very sad  and she said she couldn´t handle this. She couldn´t handle me. But I could. I could hear her moanings all day and night. And  since I panicked and since she wasn´t able to deal with my sorrows, another separation.

And then a call. Full of tears, full of promises, full of “do as you are, whatever you like” . But I found out that I´m not liked the way that I am and I don´t know why me, then. And why do I have to hurt me for a friendship that I have never wanted and made it clear from the beggining? Why do I keep punishing me like that?

So it´s time for you to go. Starvation have to work. “Im much too heavy for you“. Have you heard that? I don´t know if you have anything to say that will save this, whatever this is, friendship or I don´t know, nor if you want to, I don´t really know  if you like me as you say or if I am important at all to you.I don´t know if you have to say anything  that will end my non stopping tears. But I´m weak and tired. I have lost a whole bunch of water. I don´t deserve this and neither do you.

So I´m loosing your fingers, one by one now. And hopefuly someday you will see that was not to force yourself into a feeling that was smothering you. It was just you lying to yourself.


Este livro… quanta coisa?

2

Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um número infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Essa idéia é atroz. No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma responsabilidade insustentável. É isso que levava Nietzsche a dizer que a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewischt). Mas será mesmo atroz o peso e a beleza?

O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos é, portanto, a imagem da realização vital mais intensa. Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida , e mais real e verdadeira ela é.

Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do terrestre, e se tornar semi-real , e leva seus movimentos a ser tão livres quanto insignificantes.

O que escolher, então? O peso ou a leveza?

Foi a pergunta que Parmênides fez a si mesmo no século VI antes de Cristo. Segundo ele, o universo está dividido em mundos contrários: a luz/ a escuridão; o grosso/ o fino; o quente/ o frio; o ser / o não ser. Ele considerava que um dos polos da contradição é negativo (o claro, o quente, o fino, o ser), o outro, negativo.Essa divisão de polos positivo e negativo pode nos parecer de uma facilidade pueril. Exceto em um dos casos: o que é positivo? o peso ou a leveza?

Parmênides respondia: o leve é positivo, o pesado é negativo. Teria ou não teria razão? A questão é essa.  Só uma coisa é certa. A contradição pesado/leve é a mais ambígua de todas as contradições.

KUNDERA, Milan. A insustentável leveza do ser. tradução Teresa Bulhões de Carvalho Fonseca. São Paulo, Companhia de Bolso, 2008.

É, não me lembro mais a ordem de como se coloca bibliografia e, esse livro, que não sai de mim.


De si

Achou que seria fácil. Rápido, como das outras vezes. Alguns dias de prostração e estaria bem. Ou, talvez, quem sabe nenhum já que, andou tão ocupada, mesmo lá dentro, fazendo tantas coisas. Sair dali. Perguntando às pessoas os por quês. Sair dali. Para, no fim, ter que voltar toda semana. Reconhecer rostos. Responder: não, sim. Não muito, a mesma coisa. Não. Ainda não consegui. Não arrumei meu quarto. Eu. Sair dali.

Dessa vez, reconhece, está sendo lento, bem lento. Doloroso. Estranho. Como se, a todo momento, não tivesse, não caísse em si, finalmente, de que a vida real existe e o dinheiro acaba. De que as contas chegam, ainda as lágrimas a continuar. Sim. Sim.  Sair daqui.

De si.


You made it behave

“I’m a stem now
Pushing the drought aside
Opening up
Fanning my yellow eye
On the ferry
That’s making the waves wave
Illumination
This is how my heart behaves”

Feist – This is how my heart behavesheart

Me sinto menos eu a cada vez que a água, cada vez mais fria enche meu corpo com coisas desconhecidas. Folhas, comidas, remédios.

Menos eu quando, logo eu, sendo tão vaidosa, tendo tanta, tanta coisa que nem cabem nos espaços do meu quarto, não quero nada, não vejo nada. Tiro esmaltes, corto as unhas, o básico, me despersonalizo. E assim, o valor vem de que, mesmo sem isso tudo, gente consegue me enxergar e me incitar o riso, me incitar sentimentos, às vezes, até calma e serenidade.

Me sentia nua sem todas as minhas coisas mas, quando o sentir é tanto e tão hiperbólico, quem precisa delas?

Elas voltam.


Deve ser mais fácil quando no meio há um oceano, pensou ela. Mas entre nós há somente terra encharcada, talvez algumas montanhas, muita grama.

Se suas saudades passassem pela água, ela poderia ser embalada pelas ondas, conseguindo dormir tranquilamente sem angústias por pensar que seria sempre uma surpresa o que o mar lhe reservava. Ela nunca poderia saber o que o oceano traria.

No entanto, era terra. Eram milhares de kilometros, ligados por precárias rodovias que formavam um caminho que ela nunca fez.

E que não sabia que iria fazer. Na terra, não havia nada que a ninasse. A terra é dura. Engole ou expulsa.Imagem


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