Category Archives: diários

eyes wide shut, heart wide open

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I rushed towards you in the middle of the night, just to feel that tigh hug of yours, you pulling me back again every time I crawled away from you. We got married silently while crossing the sea. Honeymoon on an island. You, a trip that filled my lungs with air, made my heart pump blood a little faster, a little warmer. We being ourselves with our books and quiet moments until undress time. I, M. take thee, to be my wedded husband, to have and to hold from this day foward, for better for worse, for richer for poorer, , in sickness and in health, to love, cherish and (not) to obey till death do us part.

Amen.

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P for passionate me

images (21)
I thought she was amazing, I remember well the first time I saw her. She was wearing long sleeves, even though it was hot. And she was also wearing a lit bit of black make up, which gave her kind of an androginous look. After she walked in, I could see no one else. She was beautiful. Tall, with a figure that I liked it and a face full of personality. Also, she had the same trait that me.

We got together that night. It was amazing. Amazing like hell amazing. Her fingers inside of me made me forget my name, where I was, she did it in a such different way that I have never experienced. As the days went by  the more I time spent time with her if I could.  I would found myself more and more head over heels for her. She was different. She did different things, she liked different things but we had things in common enough to connect us.

Although I was totally in love, I always knew she was not the one. But I would like to spend a few months, maybe a few years by her side. Learning, sharing experience, knowledge. She hurted me once. Out of the blue. I wasn´t even expecting it.

Few months later, she came to me again. Another shot. Ok, I really like you. Let me see how it goes. Chat everyday, darling, sweeatheart. Liebe nevermore. Liebe was a thing of the other. More conversations, plans, let´s see each other, I want to be at your house. Please, please come. Please, stay.

I got scared. She was strange. I felt a kind of a disconnection. I had a feeling that she wanted to get out as quickly as possible from my bed. I phoned her, feeling very sad  and she said she couldn´t handle this. She couldn´t handle me. But I could. I could hear her moanings all day and night. And  since I panicked and since she wasn´t able to deal with my sorrows, another separation.

And then a call. Full of tears, full of promises, full of “do as you are, whatever you like” . But I found out that I´m not liked the way that I am and I don´t know why me, then. And why do I have to hurt me for a friendship that I have never wanted and made it clear from the beggining? Why do I keep punishing me like that?

So it´s time for you to go. Starvation have to work. “Im much too heavy for you“. Have you heard that? I don´t know if you have anything to say that will save this, whatever this is, friendship or I don´t know, nor if you want to, I don´t really know  if you like me as you say or if I am important at all to you.I don´t know if you have to say anything  that will end my non stopping tears. But I´m weak and tired. I have lost a whole bunch of water. I don´t deserve this and neither do you.

So I´m loosing your fingers, one by one now. And hopefuly someday you will see that was not to force yourself into a feeling that was smothering you. It was just you lying to yourself.


Imagem

O pós contemporâneo com suas intervenções urbanas, ando pelas ruas prestando atenção em todo chão, paredes, muros, postes e até céu. Grafitti, colagem, stêncil.

Hoje, vim aqui, porque percebi que, sem você, minha existência se ameaça, não a percebo, ela não se configura, irreal, fluída, transparente e finita como bolhas de sabão. Porque você segura a mim e diz: Vo-cê.


Garota interrompida em sua música

JOHANNES VERMEER  in em sua música - Óleo sobre tela - 39,4 x 44,5 - Frick Collection, Nova Iorque

JOHANNES VERMEER
in em sua música – Óleo sobre tela – 39,4 x 44,5 – Frick Collection, Nova Iorque


Se eu pudesse me ver fora de meu próprio corpo, tenho certeza de quem lembraria. Um casaquinho branco, fino, cobria discretamfnte minha pele, desprotegendo-me da chuva. Esperava o ônibus na rua escua e vazia, o vento me encharcando os olhos, o branco grudado na pele, transparente. Além disso, o frio e o vazio. O frio era existencial, por dentro das veias, do ventre.
Milhões de gotas trazendo milhões de dúvidas repetidas e em eco: o que fazer? que fazer? fazer?


beauty blinded

Somente aqueles olhares já dariam páginas e páginas. No entanto, nunca pensei em escrever sobre isto. Fora doce mas, eu estou inebriada de uma outra beleza que flutua entre a minha vontade e minha incerteza.


Querendo menos de mim.

Lutando para levar adiante a escritura da dissertação – que anda sofrida levando em consideração a minha recém adquirida dispersão fatal, me deparo com um trecho de The Culture of Narcissism, onde o autor, Christopher Lasch, assinala a ironia do reflexo narcisista na arte contemporânea, ao dizer que,

Ao se tornar narcisista, ela não só falha na criação de uma ilusão de realidade, como também sofre da mesma crise de auto-consciência que aflige o homem da rua. Chamando a atenção para a artificialidade de suas criações, os escritores desencorajam a identificação do leitor com os personagens, mas, assumindo uma postura crítica, eles ao mesmo tempo se tornam tão conscientes de suas técnicas de distanciamento que acabam achando cada vez mais difícil escrever sobre qualquer coisa que não seja a dificuldade de escrever (LASCH: 1979,175)

Emblemático, tendo em vista que nos dois livros que analiso, um dos motes essenciais deles é a dificuldade de narrar, de pôr a experiência em palavras, confirmando as palavras de Benjamin em O narrador.

Eu acrescentaria que, além disto, fica cada vez mais difícil não mergulhar na escrita auto-referencial, metalinguística e metaficcional. Para algumas pessoas, e aqui me incluo, fica difícil não começar partindo de si, tomando a si mesmo como um centro narrativo que não é fixo, desloca-se em seu próprio eixo, continuamente em movimentos translatórios e rotatórios. Ora bastando-se a si mesmo, ora precisando de tudo o mais para começar a recolher seus cacos frequentemente espatifados (como consequencia de ações próprias).
Porque toda estória metaficcional trata de recolhimento de cacos.

Outro dia estava passando na televisão o Histórias de Amor duram apenas 90 minutos, filme no qual o personagem-narrador, um pretenso escritor, reclama também da sua incapacidade de escrever,dizendo que, ao olhar para o mundo, consegue enxergar milhões de histórias, todas muito interessantes mas que acaba sempre escrevendo sobre si mesmo. Seguidamente, conclui se perguntando quem gostaria de ler sobre a vida dele. Ignorando os comentários posteriores sobre uma vida sem graça onde nada acontece, vi que este pensamento me assola diversas vezes. Embora eu ache quase todo o ser humano fascinante, com uma história e visão fascinante porque outra, não consigo me fascinar comigo mesma a ponto de achar que palavras em um livro que se confundam com as minhas próprias devam despertar interesse de quem quer que seja.

Além do mais, quero e preciso calar. Ando escrevendo e apagando, exercitando a auto-censura mais do que nunca e menos do que deveria. Sinto-me atraída por um silêncio sepulcral que não escuto nunca: estou cercada de ruídos e gritos. O excesso de barulho, de calor e outras drogas me confunde ao ponto de eu perder toda a oportunidade de me calar.

Regurgito palavras e me arrependo. Escrevo, publico e apago. Pior é quando elas saem pela boca e não há maneira de voltar atrás. Eu digo tudo o que não deveria ser dito. Meu filtro sempre foi defeituoso.

Por isso eu corro atrás do silêncio, tento me enlaçar a ele e o amo tão profundamente. E quando finalmente o conquistar me atarei a ele por tempo indeterminado.

E se me perguntarem escritora, responderei que não. Já foi um sonho, porém serei muda até nos dedos.


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