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A síndrome de Pokémon e o narcisismo Picachu.

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Quem não se lembra do desenho da década de 90, que fora inspirado em um jogo de Nintendo, intitulado Pokémon que virou uma febre em seu tempo? Não dá para esquecer visto que, Picachu, seu personagem mais famoso, virou o mascote da seleção japonesa nesta copa, não é? Pois é.

Agora, me digam, sobre o que exatamente era o pokémon? Pegar os bichinhos, a evolução deles? Sim, respostas possíveis, porém, o fato é que os “bichinhos” eram a única temática do desenho. Não havia uma discussão sobre a lua, os planetas, o amor, a amizade, a irmadade, o que é ser criança e nem sobre o que é evolução e por que evoluir. O único assunto eram… os pokémons. Motivo este, pelo qual, sempre achei esse desenho um saco, devo confessar.

Um amigo me ajudou a chegar à conclusão de que, durante nossa vida, nos deparamos frequentemente com “pessoas pokémon”, ou seja, pessoas tão auto-centradas que não conseguem pensar em nada além delas mesmas.

No entanto, assim como nos desenhos os bichinhos eram diferentes entre si, há uma diferença entre as pessoas pokémons. A mais grave delas, ou seja, o ápice do narcisismo enquanto patologia é o narcisismo Picachu. Vamos para um exemplo mais claro?

Eu tinha uma amiga. Vamos chamá-la de Daniela. Daniela é linda – de longe. Inteligentíssima e super culta, aparentemente. Super antenada e admirada. Resumindo, ela era FODA! Nos tornamos amigas e, com o passar dos anos, fui me dando conta e me envonvendo de maneira profunda com os diversos defeitos de Daniela. Inclusive com seus transtornos psicológicos (até aí tudo bem, porque também tenho os meus, quem sou eu…) Mas, fui percebendo que essa amizade era uma via de mão única. Que era só eu quem dava e ela sempre recebia. I´m a people pleaser. She´s a pleople sucker. E isso começou a me drenar. Me pensar. Até que num rompante, escrevi pra ela tudo o que pensava. Amizade finda, senti o peso do mundo sair de cima de mim. Daniela, no fim das contas, não era foda coisa nenhuma.

Por que a identifiquei como o Picachu? Ele é um personagem cuja única coisa que consegue dizer, é seu próprio nome. Das mais diversas formas. É o narciso reencarnado em anime.

Explicando melhor esse narcisismo Picachu, vou ajudar com uma explicação oriunda da psicologia: no mundo em que vivemos, em que o narcisismo sobe a doses galopantes e as pessoas tem cada vez mais dificuldade em enxergá-lo como uma doença. Eis os seus sintomas:

Nos pacientes de funcionamento narcisista há uma exagerada preocupação com a aparência; pequenos defeitos físicos são intensamente valorizados. Apresentam uma necessidade exagerada de serem amados e admirados, buscam elogios e se sentem inferiores e infelizes quando criticados ou ignorados.
Tem pouca capacidade para perceber os outros, levando a vida emocional superficial. Há inclusive uma forte dificuldade de formar uma verdadeira relação terapêutica.
Como o Mito do Narciso, o paciente com esse tipo de funcionamento constrói sua sensação de engrandecimento da auto-estima através de uma intensa desvalorização, rejeição e abandono dos objetos. E sobre a base dessa rejeição que o organismo se estrutura. (Lewkowicz, 2005).

 

O melhor a fazer, é evitar essas pessoas, passar por elas como quem passa por um quadro de Monet. Lindo de longe e cheio de borrões de perto.

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550760_4945498083388_1238121485_nOutro dia, uma amiga postou essa imagem em uma rede social e me lembrei que, sempre que ouço esta música (frequentemente), eu penso como não existe, em português, uma palavra satisfatória para traduzir “heavenly”. Um advérbio de intensidade que se relacione com a palavra “paraíso”.

Mas mesmo “paraíso” parece não abarcar o significado de “heaven”. Para isto, existe a palavra “paradise”. Sei que “heaven” é o que consideramos o paraíso celeste, em outras palavras, o céu para onde vão as almas boas.

No entanto, “paraíso” e “paradise” me soam profanos demais.Quase como se esse paraíso não contivesse em si nada de  metafísico ou espiritual, como se fosse algo tremendamente bom mas que só conheceríamos em vida.

Chega a ser frustrante não existir uma palavra como heavenly que se pudesse usar correntemente em português. Só quem ama esta música por entender e sentir (ou ter sentido) em todas as células do corpo e em todos os buracos da alma este verso, pode compreender e apreciar o valor (e até a verdade) de que morrer ao lado de alguém, seja uma maneira ´heavenly´de ir.


Low

É muito mais difícil tentar se desfazer de todas as suas imagens que aparecem caleidoscopicamente expostas nesta rede seja por sua conta ou por outras pessoas que, precisam dividir os momentos todos.

O ato narcísico de escolher e manipular as imagens que se quer passar esperando que aquilo te traduza de alguma forma para outrem, que passe exatamente a imagem que você quer já me enjoou.

Talvez seja por isso que esteja tudo indo sem na verdade caminhar. Mas eu não tenho disposição para adicionar de trinta a cinquenta novos “amigos” em uma semana. Nem aprendi (ainda bem) a flertar com todos que aparecem no meu caminho na esperança de que, futuramente, eu possa deslizar mais facilmente pela vida.

Eu tenho mais o que fazer.

A minha pia, está cheia de louça.


Cuidado, frágil!

Em horários e locais impossíveis, ouço vozes que bem podem ser as dela e paro, no meio da rua, congelada e com lágrimas me subindo aos olhos, scaneando a rua para procurar possíveis esconderijos, rotas de fuga. As vezes elas não existem, como também não existe a sua voz que ouvi. Você não está no bar pelo qual passei, gargalhando de mim. Talvez você esteja perto, mas eu não sei.

Andam me protegendo de mim, perto de ti. Mal comecei a restaurar os cacos deste vidro delicado que bombeia sangue para meu corpo franzino.

Por dentro de um plástico bolha, numa caixa de papelão, o adesivo diz: cuidado, frágil.

e danificado.


Um desvencilhar

“and I’m sorry if you’re thinking that I knew
what I was doing
I guess what I do best is look like I am in control
but tonight, tonight, I am a soft and untamed thing
and I will wrap my breath around you til your exhale comes clean.
I am checking my pulse
I am checking my pulse”

[ trecho de checking my pulse – Alix Olson]

O pulso fraqueja e, com isto, nenhuma palavra chega.


Begin to heal

Now that I decided to leave your life, I just need to figure out how rip you out of my lungs, separate you from my air, drain you out of my blood, cut you out of my brain. Let go all our music, all our words, our moments, all the delicious sounds of your name.

I have to throw you up. Extract you like the disease you´ve become.

No more gastritis

No more knocking me down depression

No more torrents of tears.

You took all the breaths, all the heartbeats, all atoms of life you could.

Now go away. I want to heal from you.


A piece of blueberry pie, please

Há motivos para um quase início de guerra somente por causa de coisas que foram deixadas “para trás” , “pelo caminho”, “com você”? O clichê inscrito em “Um beijo roubado” é a escolha deliberada pelo que se deixou para trás, ou melhor, pelo que deixaram, pelo que ninguém quis, pelo preterido.

É fácil se relacionar com isso. Não há nada errado com você.  As pessoas só fazem outras escolhas. Quando a gama de escolhas é muito grande, você pode se dar o privilégio de rejeitar certa escolha eternamente, e todas as outras pessoas podem resolver fazer o mesmo.

Não há nada de errado com você. Ou talvez haja. De qualquer forma, talvez um dia.


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