Category Archives: Ela

Bye

large (2)

Sinto que a cada dia que passa, esqueço um pouco mais. Talvez esquecer não seja bem a palavra porque, o que se esquece, é passível de lembrança. E lembro pouco, quase nada.Está saindo de mim. Não faz mais parte de mim. Passou, esvaneceu. Ficou como lembrança distante. Nem boa nem ruim. Ficou quase como um aviso, um aprendizado.Soltei minhas mãos, os dedos um a um, me distanciei dos amigos que, nunca foram meus, por mais que os admirasse, eles são você e só você e te carregam e nós precisamos nos limpar de nós mesmas.Desintoxicar, deixar que nossas vidas sigam o rumo que deveriam seguir, em separado. Nem todo mundo deve ficar. Nem todo mundo.
Adeus.

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Sabe que eu esqueci

So this is how it works now. I talk absolutely nothing – good or bad – about you. The things I know. Every time you opened your legs. Every time you opened mine. I just quickly forgot your name. Better late than never.


Ahhhhh…

Me deito à noite. Eu não consigo dormir. Aquele cheiro, aquele cheiro, aquele cheiro. O perfume dela na minha cama, o sexo permeando o quarto inteiro. O gosto dela na minha boca. Gosto que, em anos, nunca senti. Só que eu queria tudo para mim, eu beberia galões dela. de todos os seus líquidos e suores. Eu não consigo dormir. Me reviro na cama em lembranças revividas que apenas melhoraram, se somam. E agora, agora é leve. É como sempre deveria continuar tendo sido.

Lembrando que, dessa vez, não há verbo ser aí. Estamos. Estamos fazendo. Estamos falando. Talvez, estejamos planejando. Porque o cheiro, ele continua forte. Porque a vontade, ela não passa. Porque as lembranças, elas não se apagam.

E o corpo é carne que sofre, pedindo o fim do suplício: sacia o meu desejo.


Nicht dich habe…

Imagem

Nicht dich habe ich verloren,

sodern die Welt.

BACHMANN, Ingeborg in Eine Art Verlust


Am 6. Mai

” Am 19. Oktober

Ach diese Lücke! Diese entsetzliche Lücke, die ich hier in meinem Busen fühle! – Ich denke oft, wenn du sie nur e i n mal, n u r e i n m al an dieses Herz drücken könntest, diese ganze Lücke würde ausgefüllt sein.”

“Am 27. Oktober

Ich möchte mir oft die Brust zerreißes, daß man einander so wenig sein kann. Ach die Liebe, Freunde, Wärme und Wonne, die ich hinzubringe, wird mir der andere nicht geben, und mit einem ganzen Herzen voll Seligkeit werde ich den andern nicht beglücken, der kalt und kraftlos vir mir steht.”

Eu nunca deveria ter criticado qualquer pessoa que seja por uma “triste obsessão por um livro”, ou por uma série de livros, já que, claramente, a minha, embora eu me esqueça por vezes, é o Werther. Ao ponto de marcá-lo na pele.

Relendo para montar a aula da graduação, me dei conta de que, este, o livro que mais reli em minha vida, continua guardando em suas páginas, os trechos dos meus desejos. Os quereres mesmos e a impossibilidade deles.


You

I miss the bittersweetness of your presence.


Low profile

Talvez a tag ela devesse ser extinta, já que perdeu sua força. Imagino que ela não figurará mais por aqui. Talvez deletar essa tag seja um sinal de comprometimento com a empresa a que me propus. To let go. Deixar tudo ir, sair de mim, ainda que lentamente, ainda que a cada dia, eu tenha que procurar com atenção por algum pedaço dela que, por acaso ainda esteja incrustado demais em mim, e esfregar, até sangrar, exigindo que saia. Não que eu pense que não existam coisas que valham a pena ser guardadas mas ela precisa sair e creio eu que, sua intensa presença que me sobrecarregava e ao mesmo tempo era tão fugidia, essa presença que eu parecia ser feita para correr atrás (e acolher em mim). Algum dia, pode ser que exista uma outra ela. E os pronomes pessoais do caso reto femininos, se chocarão.

No momento, eu precisa de espaço para se alargar e acolher e tomar conta de si mesma. Eu em primeiro plano e fugindo de vida pessoal, querendo e forçando a vida pública, da carreira em avanço para poder seguir com o ciclo de dedicação – o outro, eu , o outro, eu, os outros, agora. Os alunos, os colegas e os professores, os livros e as palavras.

Sem ela, sem ele, sem nomes. O eu precisa se esconder, se apagar um pouco.


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