Category Archives: escritores

“Take the matter of information. One tatic upheld by traditional narrative is to give “full” information, so that the ending of the viewing or reading experience coincides, ideally, with full satisfaction of the one´s desire to “know”, to understand what happened and why. (This is, of course, a higly manipulated quest for knowledge. It´s the business of the artist to convince his audience that what they haven´t learned at the end they can´t know, or shouldn´t care about knowing.)

But one of the salient features of new narratives is a deliberate, calculated frustration of the desire to “know”. Did anything happen last year at Marienbad? What did become of the girl in L´Avventura? Where is Alma going when she boards a bus alone in one of the final shots of Persona?

Once it is conceived that the desire to “know” may be (in part) systematically thwarted, the old expectations about plotting can no longer hold. At first, it may seem that a plot in the old sense is still there; only it´s being related at an oblique, uncomfortable angle, where vision is obscured. Eventually, though, it needs to be seen that the point isn´t to tantalise but to involve the audience more directly in other matters, for instance the very processes of “knowing” and “seeing”.  ( A great precursor of this conception of narration is Flaubert. And the method can be seen in Madame Bovary, in the persistent use of the off- center detail in description.)

The result of the new narration, then, is a tendency to de-dramatise. In, for example, Journey to Italy or L´Avventura, we are tol what is ostensibly a story. But it is a story which proceeds by omissions. The audience is being haunted, as it were, by the sense of a lost or absent meaning to which even the artist himself has no access.

The avowal of agnosticism on the artist´s part may look like unseriousness or contempt for the audience. But when the artist declares that he doesn´t “know” any more than the audience knows, what he is saying is that all the meaning resides in the work itself. There is no surplus, nothing “behind” it. Such works seem to lack sense or meaning only to the extent that entrenched critical attitudes have established as a dictum for the narrative arts that meaning resides solely in this surplus of ´reference´outside the work – to the “real world” or to the artist´s intention.”

SONTAG, Susan.  Persona The film in depth.

Advertisements

desânimo literário

Nunca vou entender que novíssima literatura é essa que anda se resenhando por aí em que todo o “escritor” acha que precisa construir frases com pelo menos três palavrões, idolatrando Bukowski ( e serei bem sincera aqui: não gosto dele. não há nada que me chame a atenção, nada que eu ache genial, a não ser o livro dos gatos, que, pelo tema, não tem como não gostar) e brincando de querer ser o Henry Miller do século XXI.

E as meninas todas leitoras apaixonadas de Fante falando da sua (sim, da delas mesmas) vida íntima e sexual como quem conta o que comeu no o almoço.

Quanto ainda falta para esse modelo de literatura ficar datado para os outros, ao invés de só para mim?

Quantas negativas super educadas terei de lançar para explicar minha recusa em divulgar livros nos quais não acredito?

Em tempo: eu também não acredito no meu mas, pelo menos, não pedi que ninguém divulgasse, ou curtisse. Aliás, depois que seu conteúdo saiu de minhas mãos, ele passou a ser de todos (revisora, editores, diagramadores, vendedores, site da internet, leitores) mas meu, já não é faz tempo. Carrega meu nome mas não sou eu.


Como falta

“It was Sappho who first called eros “bittersweet”. No one who has been in love disputes her.”

Kasemir Malevich, Head of a Peasant Girl 

“The Greek word eros denotes ´want´, ´lack´, ´desire for that which is missing´. The lover wants what he does not have. It is by definition impossible for him to have what he wants if, as soon as it is had, it is no longer wanting. This is more than wordplay. There is a dilemma within eros that has been thought crucial by thinkers from Sappho to the present day. Plato turns and returns to it. Four of his dialogues explore what it means to say that desire can only be for what is lacking , not at to say  that desire can only be what is lacking , not at hand, not present, not in one´s possession nor in one´s being: eros entails endeia.

[…]

Hunger is the analog chosen by Simone Weil for this conundrum:

All of our desires are contradictory, like the desire for food. I want the person I love to love me. If he is, however, totally devoted to me he does not exist any longer and I cease to love him. And as long as he is not totally devoted to me he does not love me enough. Hunger and repelion. (1977,364)”

CARSON, Anne. Eros the Bittersweet- Princeton University Press, 1986.


Bloqueio

É sempre possível que alguém se perca enquanto eu olho a tela e ela devolve o olhar. Nenhuma das duas age.


Him

Burroughs and cat

“Os antigos egípcios pranteavam a perda de um gato e raspavam as sobrancelhas. E porque a perda de um gato não pode ser tão tocante e sentida quanto qualquer perda?As pequenas mortes são as mais tristes como mortes de macacos.”*

Quincy. Quincy Frajola. Quin Quin. Um espécie preto e branco. Tão preto quanto branco, por igual. Olhos âmbar e um focinho cor- de – rosa com uma mancha negra. Manhoso e mal humorado, entre Garfield e Frajola nos seus melhores dias de caçador, quando chegou a abater uma cigarra, a qual torturou. O grande querido das vizinhas – tanto a loira quanto a morena, o grande querido das outras gatas e, é claro, o grande querido das mulheres da casa. O amor da minha vida, era um gato que morreu.
Pensar em ir à casa que ia toda semana sem ele, é como imaginar ir a uma casa vazia, onde ninguém me esperará com uma aconchegante pelúcia bicolor a se espalhar ao meu lado, ninguém para determinar que é chegada a hora de chupar o dedo, nenhum miado pela manhã, ninguém para avisar que o leite está fervendo.
Obrigada a viver, passando o meu luto quase como se ele não existisse, com a alma amputada e sabendo que aqueles olhos não mais recairão em mim, que eu não poderei mais esfregar meu nariz no dele e que, quando estiver chorando, não virá ninguém a ficar de vigília ao meu lado, sem arredar o pé e sem dizer nada e nem pedir nada, só querendo que eu melhore, só estando ali para mim. Dizer “amor”, é pouco. Era uma simbiose de espíritos. Nós éramos.

“Eu já disse que gatos servem como Familiares, companheiros psíquicos.”Eles são mesmo uma companhia”. Os Familiares de um velho escritor são suas memórias, cenas e personagens de seu passado, real ou imaginário. Um psicanalista diria que eu estou simplesmente projetando essas fantasias em meus gatos. Sim, de maneira bem simples e literal, os gatos servem como telas sensitivas para atitudes bastante precisas quando escalados em papéis apropriados. Os papéis podem mudar e os gatos podem assumir vários papéis: minha mãe,minha esposa, Joan, Jane Bowles; meu filho, Billy; meu pai; Kiki e outros amigos;Denton Welch, que me influenciou mais do que qualquer outro escritor, apesar de nunca termos nos conhecido.Os gatos podem ser meu último elo com uma espécie moribunda.”
*BURROUGHS, William. O gato por dentro – Porto Alegre, RS: L&PM, 2007


E por que não?

Todo o sentido de resolver fazer ou não as coisas se resume não ao que determinada ação vai me trazer ou não. Até deveria, pelo nível (se baixo ou alto, não importa) de maturidade que meus vinteecinco anos me trouxeram até agora. Mas sim a não razão para não fazer certas escolhas, não ter determinadas experiências, não conhecer determinadas pessoas.

É que eu cansei de dizer não e perder. Diversas coisas. Cansei de perder vida, por todo(s) o(s) medo(s) que sinto e desta vez, eu exorcizei o passado em copos de cerveja, vodka e cachaça com gengibre.

Uma noite com histórias frescas de literatura contemporânea brasileira, backgrounds de leitura, fazendo de um tempo frio e chuvoso do Rio de Janeiro, uma extensão mais agradável e boêmia de São Paulo.

Todas as trocas, as trocas não táteis que poderiam haver, circundadas pela idéia de um beijo que sim, rejeitei mas que tornaram toda a noite, em um longo e quente beijo, amanhecido na Mem de Sá. E ainda, flores de folha de palmeira, livros estrangeiros, e todos os feromônios enlouquecidos chamando a vida para acasalar contigo.

Eu ri na rua. Eu li, falei, conheci, bebi. E saltitei vindo para o trabalho na segunda, sabendo que nem tudo foi sonho, mas tudo é delírio. A ficção, querido, começa conosco, não sentados na frente do nosso computador, mas continuando, à nossa maneira os passos daqueles tão inscritos em nós.


“Pode-se fingir reportar, publicar a autobiografia de alguém. tentando fazer passá-la por real; mas se esse alguém não é o autor, único responsável pelo livro, nada feito. Escapariam a esse critério apenas os casos de embuste literário que são muito raros – e essa raridade não se deve ao respeito pelo nome de outrem ou medo de sanções. Quem me impediria de escrever a autobiografia de um personagem imaginário e publicá-la usando seu nome? (…) Isso é raro porque há poucos autores capazes de renunciar a seu próprio nome.

(…)

a) Autor e pessoa: a autobiografia é o gênero literário que, por seu próprio conteúdo, melhor marca a confusão entre autor e pessoa, confusão em que se funda toda a prática e a problemática da literatura ocidental desde o fim do século 18. Daí a espécie de paixão pelo nome próprio, que ultrapassa a simples “vaidade de autor”, já que, através dela, é a própria pessoa que justifica sua existência. O tema profundo da autobiografia é o nome próprio. (…)O desejo de glória e de eternidade tão cruelmente desmistificado por Sartre, em As palavras, repousa integralmente no nome próprio que se tornou nome de autor. Como imaginar hoje a possibilidade de uma literatura anônima? Valéry já sonhava com isso há 50 anos. “

LEJEUNE, Philippe. O Pacto Autobiográfico: De Rousseau à Internet. BH: Editora UFMG,2008

*na referência do texto estudado, não há o nome da pessoa que fez a tradução do texto.


%d bloggers like this: