Category Archives: histórias

P for passionate me

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I thought she was amazing, I remember well the first time I saw her. She was wearing long sleeves, even though it was hot. And she was also wearing a lit bit of black make up, which gave her kind of an androginous look. After she walked in, I could see no one else. She was beautiful. Tall, with a figure that I liked it and a face full of personality. Also, she had the same trait that me.

We got together that night. It was amazing. Amazing like hell amazing. Her fingers inside of me made me forget my name, where I was, she did it in a such different way that I have never experienced. As the days went by  the more I time spent time with her if I could.  I would found myself more and more head over heels for her. She was different. She did different things, she liked different things but we had things in common enough to connect us.

Although I was totally in love, I always knew she was not the one. But I would like to spend a few months, maybe a few years by her side. Learning, sharing experience, knowledge. She hurted me once. Out of the blue. I wasn´t even expecting it.

Few months later, she came to me again. Another shot. Ok, I really like you. Let me see how it goes. Chat everyday, darling, sweeatheart. Liebe nevermore. Liebe was a thing of the other. More conversations, plans, let´s see each other, I want to be at your house. Please, please come. Please, stay.

I got scared. She was strange. I felt a kind of a disconnection. I had a feeling that she wanted to get out as quickly as possible from my bed. I phoned her, feeling very sad  and she said she couldn´t handle this. She couldn´t handle me. But I could. I could hear her moanings all day and night. And  since I panicked and since she wasn´t able to deal with my sorrows, another separation.

And then a call. Full of tears, full of promises, full of “do as you are, whatever you like” . But I found out that I´m not liked the way that I am and I don´t know why me, then. And why do I have to hurt me for a friendship that I have never wanted and made it clear from the beggining? Why do I keep punishing me like that?

So it´s time for you to go. Starvation have to work. “Im much too heavy for you“. Have you heard that? I don´t know if you have anything to say that will save this, whatever this is, friendship or I don´t know, nor if you want to, I don´t really know  if you like me as you say or if I am important at all to you.I don´t know if you have to say anything  that will end my non stopping tears. But I´m weak and tired. I have lost a whole bunch of water. I don´t deserve this and neither do you.

So I´m loosing your fingers, one by one now. And hopefuly someday you will see that was not to force yourself into a feeling that was smothering you. It was just you lying to yourself.


Do que eu não entendia

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Uma vez uma mulher a quem magoei me disse que, muito polidamente, que embora parecesse que eu me preocupasse muito com ela e, apesar de eu tentar manter contato com ela de uma forma leve, displicente até (o que na minha cabeça aliviaria tanto o golpe que eu dei, quanto a culpa que eu sentia por tê-lo dado), eu nunca havia realmente me preocupado com o que ela queria. Acho que posso estender isso a: talvez, no meu intenso egocentrismo, eu nunca tenha entendido o que ela precisava.

Ela não precisava de palavra minha alguma, de nenhuma displicência ou leveza de minha parte, nenhuma palavra. Na verdade, ela apenas precisava da minha ausência total. Não que ela pudesse ou quisesse (bem, talvez quisesse) apagar a minha lembrança. Mas ela não precisava da constante lembrança da rejeição que eu representava.

Hoje em dia, eu entendo que, tudo o que um coração que foi diminuído de tamanho não necessita, é de uma preocupação que não se apresenta como verdadeira, que mascara uma culpa, que alimenta algo que nunca deve ser alimentado e mantém o magoado sempre escravo, pendurado na forca pelo desejo, pela necessidade, pelo amor.


You made it behave

“I’m a stem now
Pushing the drought aside
Opening up
Fanning my yellow eye
On the ferry
That’s making the waves wave
Illumination
This is how my heart behaves”

Feist – This is how my heart behavesheart

Me sinto menos eu a cada vez que a água, cada vez mais fria enche meu corpo com coisas desconhecidas. Folhas, comidas, remédios.

Menos eu quando, logo eu, sendo tão vaidosa, tendo tanta, tanta coisa que nem cabem nos espaços do meu quarto, não quero nada, não vejo nada. Tiro esmaltes, corto as unhas, o básico, me despersonalizo. E assim, o valor vem de que, mesmo sem isso tudo, gente consegue me enxergar e me incitar o riso, me incitar sentimentos, às vezes, até calma e serenidade.

Me sentia nua sem todas as minhas coisas mas, quando o sentir é tanto e tão hiperbólico, quem precisa delas?

Elas voltam.


Caminhos

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Diversas ervas imersas em uma água escura, algumas eu já vi, reconheço por cheiro, outras, mais secas, não sei o que são. Banho-me. A água quente, delicada, esfrego estas folhas em mim como quem não tem o direito mas precisa. São como lavandas, calêndulas, perfumes delicados que se incrustam no meu corpo, me acalmando, me perfumando. Quase não sei o que fazem. Não sei que significa “abre caminhos” porque não sei se, de fato, meus caminhos andam fechados ou se tive tantos, que desisti de andar por eles. De qualquer forma, algum dia, algum caminho (ou mais de um) começará a se delinear por sonhos e abraços ou por um não necessitar, o segundo, quimera, esperança estranha que não irá se concretizar.

E depois, jogar em alguma árvore, um canteiro qualquer que hoje, parecia mais fraco, menor que ontem, mais castigado pelo inverno, faltando um pedaço. Desbaratei. Mas, sou metódica, gosto dos mesmos pratos, leio do mesmo jeito, uso as mesmas roupas, escolho os mesmos itinerários e quase sempre, ouço as mesmas músicas. De um lado, um mendigo, cheio de coisas, sentado ocupando um banco inteiro com suas coisas e tralhas tão, tão valiosas. Mais valiosas que meu apartamento inteiro. Uma mulher falava com ele. Talvez para dar comida. Na minha esperança altruísta (pois não havia descido com nenhum dinheiro), era o que esperava.

Perto de mim, muitos homens conversando, tramando, prestando atenção em quem ia, quem ficava. Fortes, corpos esculpidos. Quase que pararam a respiração, a menina com os cabelos molhados e penteados, short e suéter se aproximava.

Joguei as folhas na metade do canteiro que ainda havia, como deveria ser.

Rezei.


Menos eu

Foi no começo do ano, depois de uma marcação de Facebook, em uma vergonhosa foto de criança guardada pela menina que era minha melhor amiga naqueles tempos, no Colégio da Mabe, que soube que, o colégio onde passei a maior parte da minha infância, faliu.

No ano passado, foi o colégio onde minha irmã passou a maior parte da infância dela, o Princesa Isabel, que faliu.

O Colégio da Mabe estava longe de ser um ótimo colégio (coisa que ficou explícita quando cheguei no Pedro II sem saber conjugar ao menos o verb to be e fiquei em recuperação logo no meu primeiro ano no colégio novo. Mas o ambiente era perfeito.

Sem contar que, eu tive a sorte (sim, sorte porque isso é quase raro) de ter uma excelente alfabetização. A Mabe foi o local onde uma relação muito estreita com a leitura foi travada, já na infância.

Minha mãe frequentemente demorava para buscar a mim e a minha irmã e, neste meio tempo, entre o fim das aulas e a ida para casa, eu ia para a pequena biblioteca, conversar com a Tia Penha (a bibliotecária) e namorar um pouco os livros. Um por semana, no mínimo.

Mas é do ambiente que sinto falta. Eu tinha amigos, falava com a classe praticamente toda – um ou outro desafeto, é normal, não há como gostar de todos. A Mabe retinha lembranças demais: as minhas primeiras letras, a primeira vez que coloquei sapatilhas de balé, o primeiro amor, o pentear os cabelos das professoras (eu era a preferida para a tarefa), enquanto os demais alunos faziam o dever, a sensação de ter os cabelos lisos e sedosos da Tia Ana Cláudia escorrendo pelos meus dedos.

Com o fechamento da Mabe, sinto o centro do Rio, o bairro de Fátima cada vez menos meu. Minhas lembranças sendo empurradas para lugares dispersos. Faz muito tempo em que pisei lá pela última vez. Já depois de adulta, revendo todas as tias e querendo tudo aquilo de volta. Passo em frente quase todos os dias, separada por janelas de ônibus.

Não sei o que acontecerá com o prédio amarelo e verde. Tampouco sei o que faço com essas memórias.


O maior sinal de canalhice… perguntar para a ex namorada o nome de um dos desenhistas/roteiristas de HQ preferidos dela para comprar para a nova namorada.

E se achar malandra por causa disso.


Bom karma

Carregar comigo um caderno grande e ainda cheio de páginas em branco tem dificultado que eu anote meus pensamentos, sentimentos, acontecimentos diários, ordinários ou extraordinários. Fico querendo contar quantas páginas faltam para o fim, querendo antecipar o fim de um ciclo, como se eu tivesse o controle de alguma coisa só porque posso controlar as páginas, o tamanho da minha letra, se eu gostaria de transcrever algo, de colar algo, de “desenhar” algo.

Resolvi retornar a um diário menor, facilmente transportável e que, por se assemelhar a um bloquinho, não chama tanta atenção para o seu conteúdo. E, na primeira página me declaro com letras impressas requisitando que eu deixe informações e contatos meus. “Em caso de perda, por favor retornar à”. E mais uma linha para falar sobre a recompensa.

Que recompensa? Diário se perde ou só é roubado? Quem é capaz de esquecer jogado o seu baú de segredos, seu muro das lamentações em papel, seu repositor de desejos, de dejetos, todos os gritos silenciosos e as lágrimas, os arrependimentos e o meu rodopiar pela vida.

Como posso colocar uma recompensa nisto? O valor é além do sentimental e, mesmo que eu tivesse dinheiro, ainda assim não conseguiria estipular um valor.

Joguei para o universo e escrevi: bom karma.

 


O boladacionismo e minhas colaborações

Eu esqueci de dizer que um grande (o melhor) amigo, Tunai Caldeira, me chamou para colaborar com o blog dele, o Jovi, na boa…

O título do blog é Boladacionismo. Acho que talvez eu esteja levando este título a sério demais e o que anda me incomodando, encontra lugar na minha escrita de lá. Mas são incômodos diferentes dos que exponho aqui. Lá, coloquei algo, certa vez que, não me sinto a vontade para escrever aqui, por exemplo. As propostas de blog são muito diferentes.

De qualquer forma, o Boladacionismo tem uma tônica bem mais voltada para o humor e, exercitar o meu lado humorístico não é nada fácil. Eu não sou engraçada.

Mas, a meu modo, tenho estado por lá também. Três vezes até agora, para ser mais precisa.

Só achei que deveriam saber.


E por que não?

Todo o sentido de resolver fazer ou não as coisas se resume não ao que determinada ação vai me trazer ou não. Até deveria, pelo nível (se baixo ou alto, não importa) de maturidade que meus vinteecinco anos me trouxeram até agora. Mas sim a não razão para não fazer certas escolhas, não ter determinadas experiências, não conhecer determinadas pessoas.

É que eu cansei de dizer não e perder. Diversas coisas. Cansei de perder vida, por todo(s) o(s) medo(s) que sinto e desta vez, eu exorcizei o passado em copos de cerveja, vodka e cachaça com gengibre.

Uma noite com histórias frescas de literatura contemporânea brasileira, backgrounds de leitura, fazendo de um tempo frio e chuvoso do Rio de Janeiro, uma extensão mais agradável e boêmia de São Paulo.

Todas as trocas, as trocas não táteis que poderiam haver, circundadas pela idéia de um beijo que sim, rejeitei mas que tornaram toda a noite, em um longo e quente beijo, amanhecido na Mem de Sá. E ainda, flores de folha de palmeira, livros estrangeiros, e todos os feromônios enlouquecidos chamando a vida para acasalar contigo.

Eu ri na rua. Eu li, falei, conheci, bebi. E saltitei vindo para o trabalho na segunda, sabendo que nem tudo foi sonho, mas tudo é delírio. A ficção, querido, começa conosco, não sentados na frente do nosso computador, mas continuando, à nossa maneira os passos daqueles tão inscritos em nós.


l’ombre d’un regret

Um telefone na agenda, não é só mais um contato. As vezes é a maneira (quem sabe até a única maneira) de se fazer menos esquecida, algo presente por alguém que possa ter colocado seus emails direto para a caixa de spam.

Uma tentativa de aproximação, não é uma sedução implícita. Um arrependimento sobre correspondências pesadas e vulgares, não é necessariamente falso. Um “não sai da minha vida”, não é necessariamente problema à vista, pesadelo, importunações.

Com o passar de meses, aniversário de um ano desde um rompimento de algo que, eu sempre achei que poderia ter sido a amizade da minha vida, veio o desespero. Nem mesmo para felicitar, timidamente, quase como quem pede desculpas, somente pelo tom de voz, pela ousadia de ligar a um feliz aniversário.

Nada quero dessa vez a não ser desejos de felicidade (que sim, não me incluem). Perder uma amizade ou uma amizade em potencial, quando ela é realmente importante, quando é alguém que não só tira e nem soma, é um dividendo, faz parte de um alinhamento de alguns (muitos pensamentos e sensações – não falo de sentimentos aqueles, que, nunca foram mesmo para ser, agora sei. Nem os de mim por você ex- quase amiga, e nem de mim por ela).

Ironicamente, a única palavra que carrega em si, entranhada, tudo o que venho guardado durante todo este tempo é aquela palavra, tão portuguesa:

Saudade.

Isto não é sobre mim, sobre meus desejos (que não possuo), minhas vontades (que inexistem), meu egoísmo ( eu estou tentando desde de.) ou sobre qualquer coisa que eu possa estar querendo impôr (não quero impôr nada, e me impôr, não posso, à ninguém, nem quero – ou melhor, se quisesse, nem conseguiria, não sei fazê-lo).

Toda a insistência, o incômodo, a invasão e o desagrado, depois que o diálogo se fechou é tão somente porque eu sei reconhecer alguém especial e importante. Mais do que isso, sei reconhecer alguém raro e que eu gostaria de poder dar oi, fe-li-ci-tar, torcer por (torcer de perto), ouvir, e ouvir e ouvir.

É como ter conhecido um pedaço da vida, do mundo, de mim e de tudo o que mais prezo e tê-lo arrancado, sem que, haja a chance de consertar.

Um telefone, não é só um telefone. Um contato, não é só um contato. La recherche de la fraternité perdu.


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