Category Archives: imaginação deliberada

eyes wide shut, heart wide open

CAM00824

I rushed towards you in the middle of the night, just to feel that tigh hug of yours, you pulling me back again every time I crawled away from you. We got married silently while crossing the sea. Honeymoon on an island. You, a trip that filled my lungs with air, made my heart pump blood a little faster, a little warmer. We being ourselves with our books and quiet moments until undress time. I, M. take thee, to be my wedded husband, to have and to hold from this day foward, for better for worse, for richer for poorer, , in sickness and in health, to love, cherish and (not) to obey till death do us part.

Amen.


Por dentro

Fecho os olhos rapidamente, a cabeça encostada na janela suja de vidro enquanto o ônibus percorre os traços quase iguais do subúrbio do Rio de Janeiro. O calor dissolvendo as linhas da minha visão, liquefazendo minha máscara de cores neutras e batom vermelho.

Enquanto os olhos descansam, minha cabeça bate na sua cabeceira de madeira, sem bater porque, instantaneamente, sinto a mão cheia de calos me apoiando, enquanto caio, revolvendo -me entre lençóis. Você dentro e eu, ainda mais dentro de mim. Ouço palavras ásperas as quais respondo cegamente, tateante. O que quiser, amor. Ouço respirações anelantes, sentindo âmago que desconhecia porque fora feito para receber.

Nunca antes eu havia recebido. Sem generosidade porque dividimos este pedaço de mim. Meus ouvidos, obstruídos, fecho os olhos e abro a boca, coloco a língua para fora.  Sinto gosto de branco.

Morro ao ponto de, quando reabro os olhos, o tempo não vem, percebo segundos em batidas convulsas de coração e arrepios acordados. Suspiro.

Desperto do descanso ocular com um tranco. Moça, chegamos no ponto final. Perdeu o ponto, foi? Está perdida?


“C’est beaucoup trop cher pour moi”

E me reservo ao direito de não olhar, somente de relance e por descuido, qualquer foto. Uma tentativa de tentar recuperar uma frescura que lembro ter tido – um dia. Quando ainda não precisava carregar malas e bagagens tão grandes e pesadas que preciso pedir ao motorista que abra a porta de trás, para que eu possa entrar.

Tenho medo de que um dia, esteja muito cheia, pesada demais e fique só, no meio da rua. Eu e a bagagem. Sem ter mais para onde ir e sem ninguém para ajudar.


Message in a bottle

This words I drop in emails from abroad, like messages in a bottle. I´m just hoping to find someone with courage enough to kidnap me.


Gratidão

Deligara o telefone. Para sempre ou, para o que mais se aproximava do sempre: por aquela noite. Tivera de tirar a bateria.Nunca seria deixadaem paz. Pessoas são atraídas, excitadas pelo não, pela ausência, se sentem compelidas a tirar alguém do isolamento, curar as pessoas da depressão, achar que, se matarem a pessoa de carinho, amor, sexo e afeto, que ela voltará ao normal, sorrirá, será doce e gentil.

Acham que será obediente e submissa, e, principalmente, grata.

Ela ficaria mais grata se, ao menos quando sentisse sono, pudesse dormir, se, quem chama à noite de fato, fosse quem ligasse, ou aparecesse. Ela seria grata se não tivesse de atender inúmeras ligações humilhantes, de fazer soluçar ou se não tivesse de aceitar passivamente indiferença alheia.

Não seria mais feliz mas ficaria grata.


Acordei

Achei que era pesadelo ou coisa fora de realidade. Acordar cedo, reinar para levantar, tomar banho, tomar café, uma chapinha bem (des)cuidada nos cabelos. Muita maquiagem para de manhã (semi)cedo. Cadê a porra dos sapatos? Pisei na rua com medo. Putamerda, esqueci meu wayfarer, claro. Não vou subir pra pegar, afinal… que imagem?

E as pessoas que gostam tanto de pensar que não se preocupam com imagem. Como a gente ensaia esse jogo de regras tão marcadas. Meias confissões de verdades e segredos que todo mundo sabe atravessando a mesa.

E se eu disesse a verdade, e se dissesse que, sabe… eu pegava e ia pra cama. Pegava o livro, aquele livro. E lia ele pensando em me masturbar. A coragem para isso só em pensamento, ou por emails que não serão enviados.

É , estou sentada, ouvindo, ouvindo, ouvindo e assentindo.

– Desculpe, essa cara é… – e eu não revelo.

Acordei.


Lilás

Embaixo de duas cobertas, dentre todos os dias, este, sonhei que vocês entravam por um túnel de lilases puxando delicadamente as que pendiam para o chão. A pequena corria feliz e faceira e você dizia para ela não machucar as flores. Ensinou-a desde cedo a ter cuidado com corpos frágeis. Os lilases eram para pôr em chá, nos banhos, perfumariam os livros como marcadores e a gaveta de peças de baixo.

Eu estava de fora do jardim. Admirada.


Once upon a time…

 

Há alguns anos atrás, Nívea, Mariana, Carlos e Valério e Fábio em um encontro deslocado na casa de Carlos. O motivo: video game. Video Game desde o fim dos anos oitenta virou o novo “vamos ver um filme lá em casa”.

Nívea não jogava, aquela casa enorme, ela sem poder circular, pouca bebida e tendo que aturar lutas e corridas sem graça numa tela. Em m breve momento, Mariana se desatracou de Fábio e disse:

–         Fica com o Valério.

Valério: Um brucutu de bermudas, regata e havaianas. Esforço zero.

–         Não.

–         Se eu não estivesse com o Fábio e eles não fossem amigos, ficaria com ele. Ele tem cara de sexo sujo.

–         Não mesmo.

Minha querida Mariana…. Esses homens grandes, sabe como é,sempre se achando o máximo. Que sexo sujo. Está mais para um sexo narcisista e egoísta e olhe lá. Vira pro lado e dorme e eu fico encarando a parede ou vendo a não velocidade de ponteiros de relógio.  Tem o agravante que ele vai ficar com medo de mim. Não, ele não vai me achar agressiva (a princípio) mas marco fácil, sou pequena, diminuta, quase quebradiça. Ele vai querer delicadeza, fazer amorzinho debaixo do lençol. Desculpa mas amorzinho não dá. Se for pra ser estrela – do – mar, braços e pernas abertas, imóveis, eu me resolvo comigo mesma e muito obrigada. Mal sabe(rá) ele que eu gosto de ser marcada e jogada de um lado pro outro, pra cima, pra baixo, nos móveis, no chão. Falar ele também não vai falar, não vai xingar. Pouca gente se lembra do ditado “lady na rua e puta na cama” na hora certa. Em resumo, Mari… vai ser uma merda. Eu sou homem demais para ele, ele não é mulher e nem homem para mim. Não vai dar. Eu não sou comida, simplesmente. Assim não rola. O teu problema é que você vê essa barba por fazer e uns músculos proeminentes e imagina. Minha imaginação enreveda por um magrelo bem normal, quem sabe até meio apagadinho. Homem é isso. Se não há um mínimo de privação, não tem esforço e nem troca. Não tem jogo.

E Nívea senta em um canto lendo quadrinhos feliz da vida (por enquanto).


Temporariamente

O tempo não vagueia como as minúsculas partículas de areia que descem pela ampulheta. Tempo corre, e escorre liquefeito feito prata – viva. Não é cura, não faz com que as coisas passem, porque é Ele que as traz de volta. Das mais indesejadas às mais dolorosas.  Flui pungentemente e envenena porque nós achamos que é remédio. Insolúvel, intragável só faz com que estejamos mais próximos da morte, de uma morte.

Intoxica-me este tempo a conta – gotas enquanto espero. Um minuto, dois, três. O gosto metálico na boca aumentando. Tempo ausência de vida, consciência de solidão. Meu tempo – rio que nunca é o mesmo do começo e me faz diferente a cada segundo. Mudo posições, mudo desafios, mudo doenças e vícios, mudo vida, não me permite um estagnar consciente, traz presente e futuro consigo e estagna ao não me trazer vida, ao não me trazer atividade, boas notícias. Meu tempo, o tempo em que os ponteiros derretem, desfazem-se em fluídos prateados. Tic tic tic tac.

Não dá para dormir com o barulho de ponteiros circulando o relógio, mesmo dos derretidos. Não dá para ignorar o Tempo, amante infiel e ingrato, ele grita e esperneia: A VIDA, A VIDA!

[ texto ainda em fase de construção/experimentação – eu juro que na minha cabeça ele era bom]


Pétalas e sonhos

Pulando os nomes, esquecendo alguns, colocando uns no lugar dos outros, numa questão de fechar de olhos e… imaginar.

Deixando um pouco de lado os nomes menos incomuns e as sensações fervilhantes, de quereres sem limites que transbordam-me inteira, borbulham do outro lado do túnel Santa Barbara.

Deixo me levar novamente pela brisa leve da zona sul, cheirando a rosas despetaladas e árvores com pétalas caídas à beira-mar. Os nomes mais criativos de personagens que poderiam ser bem mais reais do que aqueles outros, devido ao índice grande de auto- ficcionalização, de experiências, viagens e misturas de Estados. Eu, eu, eu rodando entre eles e as pétalas caindo nos meus cabelos que crescem, as unhas coloridas com as cores do vento do Balneário, um respiro mais tranquilo antes de dormir. Aqui o ar e a luz circulam inclusive entre janelas inexistentes, o ar pesa e abafa menos, há espaço. Há tempo.

Tempo e espaço para os sonhos.


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