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Homossexualidade e sua criminalização

“What the paradox was to me in the sphere of thought, perversity
became to me in the sphere of passion. Desire, at the end, was a
malady, or a madness, or both.”
Oscar Wilde, De Profundis

Ontem eu fui assistir O Jogo da Imitação. E fiquei profundamente comovida, tocada mesmo, ao ponto das lágrimas com a situação de Alan Turing (ainda que ele não fosse a mais carismática das pessoas) pelo simples fato de ser homossexual. Ser gay na Inglaterra na metade do século XX ainda era considerado não só uma perversão sexual, ou seja, uma doença, como também era crime. Após a acusação de obscenidade, Turing teve que escolher entre ir para a prisão e perder tudo ou fazer terapia hormonal – a castração química, como era chamada.

Como funciona: segundo a wikipedia – “é uma forma temporária de castração ocasionada por medicamentos hormonais para reduzir a libido. Diferente da castração cirúrgica, quando os testículos e ovários são removidos através de incisão no corpo, castração química não castra a pessoa praticamente, e também não é uma forma de esterilização.

É uma medida preventiva ou de punição àqueles que tenham cometido crimes sexuais violentos, tais como estupro e abuso sexual infantil. Depo-Provera, uma progestina, é uma droga que é por vezes utilizada no tratamento.”

Vejam bem, a castração química era uma medida utilizada em casos de crimes sexuais violentos como estupro e abuso infantil. Colocar a homossexualidade dentro dessa categoria é desumano.

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A wikipedia também nos diz que “Em uma detalhada copilação de material histórico e etnográfico de Culturas Pré- Industriais ” foi reportado uma forte desaprovação da homossexualidade de 41% em 42 culturas; era aceito ou ignorado em 21% e 12% não reportaram tal conceito. De 70 etnografias, 59% reportaram homossexualidade  ausente ou rara em frequência e 41% reportaram presente ou não comum.” 

” Em culturas influenciadas por religiões abraâmicas, a Lei e a Igreja estabeleceram sodomia como uma transgressão contra a lei divina ou um crime contra a natureza. A condenação para sexo anal entre homens, entretanto, antecede a crença no Cristianismo. Era frequente na Grécia Antiga; “não natural” nos leva de volta a Platão.”

“Ainda que atos homossexuais tenham sido descriminalizados em algumas partes do mundo Ocidental, como a  Polônia em 1932, Dinamarca em 1933, Suécia em 1944, e o Reino Unido em 1967, não foi antes da metade da década de 70 que a comunidade gay começou a alcançar limitados direitos civis em alguns países desenvolvidos. A virada se deu em 1973 quando a Associação Americana de Psiquiatria removeu a homossexualidade do Manual Diagnostico e Estatístico de Disordens Mentais. Em 1977, Quebec se tornou a primeira jurisdição estadual no mundo a proibir discriminação no terreno da orientação sexual.Durante as décadas de 1980 e 1990, a maioria dos países desenvolvidos promulgou leis discriminalizando o comportamento homossexual e proibindo discriminação contra pessoas gays e lésbicas no ambiente de trabalho, habitação e serviços. Por outro lado, muitos países hoje em dia no Oriente Médio e na África, assim como diversos países da Ásia, o Caribe e no Pacífico Sul, proscrevem a homossexualidade. Em 11 de dezembro de 2013, homossexualidade foi criminalizada na Índia por um ato da Suprema Corte. A seção 377 da era colonial do código penal indiano o qual criminaliza a homossexualidade permanece em muitas ex- colônias. Em seis países, o comportamento homossexual é punível com prisão perpétua; em outros dez, carrega a pena de morte.” (tradução livre da wikipedia em inglês)

Ou seja, a Inglaterra daquele tempo, ainda existe. Só que pior.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto: http://en.wikipedia.org/wiki/Homosexuality

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Living on the edge.

Desde a adolescência e depois de diversos maus diagnósticos, agora isso.


Low profile

Talvez a tag ela devesse ser extinta, já que perdeu sua força. Imagino que ela não figurará mais por aqui. Talvez deletar essa tag seja um sinal de comprometimento com a empresa a que me propus. To let go. Deixar tudo ir, sair de mim, ainda que lentamente, ainda que a cada dia, eu tenha que procurar com atenção por algum pedaço dela que, por acaso ainda esteja incrustado demais em mim, e esfregar, até sangrar, exigindo que saia. Não que eu pense que não existam coisas que valham a pena ser guardadas mas ela precisa sair e creio eu que, sua intensa presença que me sobrecarregava e ao mesmo tempo era tão fugidia, essa presença que eu parecia ser feita para correr atrás (e acolher em mim). Algum dia, pode ser que exista uma outra ela. E os pronomes pessoais do caso reto femininos, se chocarão.

No momento, eu precisa de espaço para se alargar e acolher e tomar conta de si mesma. Eu em primeiro plano e fugindo de vida pessoal, querendo e forçando a vida pública, da carreira em avanço para poder seguir com o ciclo de dedicação – o outro, eu , o outro, eu, os outros, agora. Os alunos, os colegas e os professores, os livros e as palavras.

Sem ela, sem ele, sem nomes. O eu precisa se esconder, se apagar um pouco.


“Pode-se fingir reportar, publicar a autobiografia de alguém. tentando fazer passá-la por real; mas se esse alguém não é o autor, único responsável pelo livro, nada feito. Escapariam a esse critério apenas os casos de embuste literário que são muito raros – e essa raridade não se deve ao respeito pelo nome de outrem ou medo de sanções. Quem me impediria de escrever a autobiografia de um personagem imaginário e publicá-la usando seu nome? (…) Isso é raro porque há poucos autores capazes de renunciar a seu próprio nome.

(…)

a) Autor e pessoa: a autobiografia é o gênero literário que, por seu próprio conteúdo, melhor marca a confusão entre autor e pessoa, confusão em que se funda toda a prática e a problemática da literatura ocidental desde o fim do século 18. Daí a espécie de paixão pelo nome próprio, que ultrapassa a simples “vaidade de autor”, já que, através dela, é a própria pessoa que justifica sua existência. O tema profundo da autobiografia é o nome próprio. (…)O desejo de glória e de eternidade tão cruelmente desmistificado por Sartre, em As palavras, repousa integralmente no nome próprio que se tornou nome de autor. Como imaginar hoje a possibilidade de uma literatura anônima? Valéry já sonhava com isso há 50 anos. “

LEJEUNE, Philippe. O Pacto Autobiográfico: De Rousseau à Internet. BH: Editora UFMG,2008

*na referência do texto estudado, não há o nome da pessoa que fez a tradução do texto.


My turn

Em que eu acredito?

No Amor,  Afeto,  Amizade

Na cumplicidade entre irmãos

Em Literatura, música clássica e na Arte

Na amizade pós término

O que eu aprecio?

Literatura – prosa, principalmente

Amar e ser amada

Escrever em estado febril

Conseguir dormir

Sal

Meus defeitos

Desmarcar compromissos em cima da hora

Falar demais quando não preciso e de menos quando preciso

Tendência à procrastinação

Depressão, melancolia, facilidade de entristecer-me


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