Category Archives: sentimentos transbordantes

“You live in a birdhouse”

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Eu nunca havia visto um corredor de hotel como parâmetro para a minha vida. Também, não foram muitas as vezes em que estive perambulando por hotéis. E todas as vezes que eu saia do meu quarto mais quente que uma fornalha industrial para tomar banho, era isso o que eu via. O chão levemente gelado dos quartos luxuosos o suficiente para ter um ar condicionado.

Vazio, escuro, abandonado, onde as pessoas tateiam mas suas mãos nunca se quedam. Cinza, escuro, melancólico, depressivo.

Espelho é tudo o que te reflete de volta. Ainda que não seja de material vítreo.

E esse corredor, sou eu.


eyes wide shut, heart wide open

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I rushed towards you in the middle of the night, just to feel that tigh hug of yours, you pulling me back again every time I crawled away from you. We got married silently while crossing the sea. Honeymoon on an island. You, a trip that filled my lungs with air, made my heart pump blood a little faster, a little warmer. We being ourselves with our books and quiet moments until undress time. I, M. take thee, to be my wedded husband, to have and to hold from this day foward, for better for worse, for richer for poorer, , in sickness and in health, to love, cherish and (not) to obey till death do us part.

Amen.


P for passionate me

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I thought she was amazing, I remember well the first time I saw her. She was wearing long sleeves, even though it was hot. And she was also wearing a lit bit of black make up, which gave her kind of an androginous look. After she walked in, I could see no one else. She was beautiful. Tall, with a figure that I liked it and a face full of personality. Also, she had the same trait that me.

We got together that night. It was amazing. Amazing like hell amazing. Her fingers inside of me made me forget my name, where I was, she did it in a such different way that I have never experienced. As the days went by  the more I time spent time with her if I could.  I would found myself more and more head over heels for her. She was different. She did different things, she liked different things but we had things in common enough to connect us.

Although I was totally in love, I always knew she was not the one. But I would like to spend a few months, maybe a few years by her side. Learning, sharing experience, knowledge. She hurted me once. Out of the blue. I wasn´t even expecting it.

Few months later, she came to me again. Another shot. Ok, I really like you. Let me see how it goes. Chat everyday, darling, sweeatheart. Liebe nevermore. Liebe was a thing of the other. More conversations, plans, let´s see each other, I want to be at your house. Please, please come. Please, stay.

I got scared. She was strange. I felt a kind of a disconnection. I had a feeling that she wanted to get out as quickly as possible from my bed. I phoned her, feeling very sad  and she said she couldn´t handle this. She couldn´t handle me. But I could. I could hear her moanings all day and night. And  since I panicked and since she wasn´t able to deal with my sorrows, another separation.

And then a call. Full of tears, full of promises, full of “do as you are, whatever you like” . But I found out that I´m not liked the way that I am and I don´t know why me, then. And why do I have to hurt me for a friendship that I have never wanted and made it clear from the beggining? Why do I keep punishing me like that?

So it´s time for you to go. Starvation have to work. “Im much too heavy for you“. Have you heard that? I don´t know if you have anything to say that will save this, whatever this is, friendship or I don´t know, nor if you want to, I don´t really know  if you like me as you say or if I am important at all to you.I don´t know if you have to say anything  that will end my non stopping tears. But I´m weak and tired. I have lost a whole bunch of water. I don´t deserve this and neither do you.

So I´m loosing your fingers, one by one now. And hopefuly someday you will see that was not to force yourself into a feeling that was smothering you. It was just you lying to yourself.


Quando eu era uma “playground love”

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O problema das pessoas, no geral, é confundir certa intimidade com uma afirmativa para a falta de tato, de delicadeza, de cortesia. Se uma pessoa tem um estilo de vida mais sério que os outros, por quaisquer razões que sejam delas e só delas, que se respeite e não usem de frases como “não sabe brincar, não desce pro play”. Essas pessoas sabem brincar, mas não focaram sua vida no play. Porque desejam atingir um patamar de excelência numa idade em que a maioria das pessoas ainda não o atingiu. Porque ser bem sucedida em determinada área é importante para essas pessoas. E, principalmente, antes de ignorar algo que essas pessoas estão querendo te contar, mas que você não pode ouvir na hora, seja honesto e diga: “me desculpe, agora não posso. podemos falar mais tarde”; ao invés de não demonstrar o mínimo interesse e pronto. Não é dessa maneira que amizade funciona. Sinta-se privilegiado por estas pessoas estarem querendo dividir algo com você, algo que pode ser importante para elas. Como eu citei anteriormente, delicadeza, cortesia e tato e acima de tudo, honestidade, consigo mesmo e com essas outras pessoas, O TEMPO TODO. É tão difícil assim?


The damnation

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They were heartless and I supposed them shapeless, just for a moment, before I realize it was not a dream. There it was, the heartless girls, surrounding her. Giggling, pushing, passing her from hand to hand and at the minute she started to be used to the heat of one of the girls, she was taked away, pushed violently towards another girl who did not desired her. None of them did. They only wanted her for their own specific motives. Could it be because she looked “likeable”, because she was intelligent, because she was so passionate and fragile. But this girls, what they did, each one of them was carelessly rupturing her heart in a way it could not be glued back. Her tears passed through her teared heart but didn´t heal it. She was doomed to this life and never to be fully loved. Or happy.


La vie d´Adèle

Eu gostaria de começar explicando porque este filme teve um impacto tão grande em mim. Não sei dizer. Talvez seja meu momento atual, talvez seja a carência de filmes ou séries que representem esta temática ou talvez seja o fato de eu enxergar meus relacionamentos presentes, passados e futuros nele. O caso é: não consigo parar de pensar no filme, até mesmo comprei a graphic novel e fico meio puta com quem fala  mal.

Agora vejo que eu mesma classifiquei o filme errado. O tema do filme, não é o lesbianismo. É o primeiro amor. Aquele arrebatador, que você demora anos para superar, o que você se esfrega o mais forte que pode e, mesmo assim,  ele se recusa a sair de você. No filme, são feitas inúmeras referências a um livro que se chama La Vie de Marianne, que, eu devo admitir,  eu desconhecia completamente. As cenas, as vezes parecem entrecortadas, mas, há diversos fios condutores durante o filme.

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Um deles, o primeiro encontro na rua de Emma e Adèle e no dia seguinte, o professor perguntando o que você sente quando se apaixona à primeira vista? Você se sente mais cheio ou mais vazio? O menino que responde diz que mais vazio pelo arrependimento de não ter falado com a pessoa. Mas, ao mesmo tempo, amar nunca é somente à primeira vista e é o vazio que acaba prevalecendo.

Como não pudemos ler La Vie de Marianne, não sabemos que papel este livro realmente desempenha na história. No entanto, é um livro ainda mais antigo que Madame Bovary. Se Flaubert soube captar um pouco daquela alma feminina em chamas, desesperada por uma vida excitante, sensações magníficas mas que, no fundo acaba em tédio e adultério, Marianne, que veio antes, deve ter vindo para explodir ainda mais estes sentimentos da alma feminina.

E o que seria olhar para alguém e ter esta certeza? Aos poucos anos de idade? O que fazer?

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Outras coisas que me chamaram a atenção, mas num nível menos analítico, digamos assim, são: achei desnecessárias, da primeira vez que eu vi, tantas cenas da Adèle dormindo e babando. Mas me dei conta de que, a cada deitar e acordar, Adèle despertava para um novo dia, uma nova de si que deveria lidar com novas situações. Fossem elas boas, ou más.

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E então, após confusões típicas de adolescente, ela conhece Emma, num bar gay. E já estava predestinado, como nas tragédias gregas. Aliás, o filme segue o modelo das tragédias: a hybris, clímax e catarse. Quando ela conhece Emma, ambas se apaixonam e, tudo culmina, com uma espécie de casamento (onde Adèle se torna a musa de Emma) e uma traição.

É interessante notar as mudanças que também Emma sofre ao longo do filme. Ela deixa de ser uma artista parisiense boêmia, com os cabelos azuis e se torna uma bela loira, que se apaixona por uma mulher que já tem uma filha. Enquanto o cabelo de Emma muda de cor, mudam seus traços, o jeito como ela desenha, ela adiciona cores,as formas mudam.Nesse meio tempo, Adèle também muda, deixa de ser adolescente, arruma um emprego e… começa a vestir predominantemente o azul. Sem contar o bem que faz para os olhos ter a Léa Seydoux no tamanho de uma tela de cinema.

Outra coisa que chama a atenção é o fato de que Adèle nunca parece se sentir bem confortável no papel de lésbica, embora ame Emma. Ela muitas vezes até se esquiva. Em outras, parece ter vergonha. Por isso que não se pode dizer que o filme é sobre o lesbianismo. É sobre amor. Um exemplo disto, é a cena da Parada Gay, na qual ela passa boa parte se sentindo visivelmente deslocada, ou, quando vai visitar os pais de Emma e se surpreende que elas possam se beijar na boca.  Depois de uma passagem de tempo em que estavam juntas, Adèle, entediada com a vida de professora e dona de casa, se dedicando somente a elas, não aguenta e tem um caso.  À la Madame Bovary.

images (11) A esta altura Emma já está loira e é Adèle quem abusa do azul, nas suas roupas e as vezes, nos ambientes que escolhe, num clima meio frio e cinzento. Enquanto isso, Emma pinta as formas abauladas da mulher grávida e colore o preto com azul  representando Adèle e laranja  representando Lise, a sua futura nova esposa.

Além de ser uma história de amor, é uma história de como é difícil largar, abrir mão, parar de sentir saudade daquilo que era para ser para sempre e do que é crescer, se descobrir através de si e pelo outro.


eles

E depois de cada silêncio – um quase já esperar – algumas montanhas de livros a acrescentar porque as capas, elas são resistentes às lágrimas. Por que encaixam, postos um a um envolta de um corpo. O meu corpo. Sem pessoas, lençóis ou bichos. Os livros me fazendo companhia em pilhas, palavras, pensamentos, lágrimas e, por que não? risos.


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