Category Archives: seriados

Despite the lesbian propaganda :

Advertisements

Dear not a not a journal

Impressiona-me como “leitores leigos” têm a capacidade de jogar fora, descartar mesmo, anos de teorização com certezas absolutas que aprenderam há anos atrás e que nunca os preocupou.

Por coincidências, são questões com as quais eu lidei e lido na minha vida acadêmica cotidianamente.

As primeiras (e únicas) opiniões que recebi sobre estes escritos que foram transformados em livro e pararam nas mãos das pessoas esta terça, vieram da família.

– Mas, não são contos. Parece um diário.

(E se eu mencionasse as últimas vezes que li Bakthin e Lukács, e toda a problematica dos gêneros literários E dos gêneros discursivos? E se mencionasse uma das minhas últimas aulas do mestrado, na qual especulávamos como os novos formatos de comunicação [e-mail, sms] quem sabe um dia fariam as vezes de epístola em algum romance). Ainda tentei argumentar que a escrita diarística se dá num âmbito privado, sem a intenção (pelo menos, a priori) de publicação, que é datada e contém uma certa cronologia, encadeamento dos fatos, e pode visar um certo propósito de causa e efeito. Não adiantou. Recebi de resposta:

– Você me entendeu.

Depois, escolhe-se a parte preferida, do meio pro fim, onde, supostamente, há um maior desprendimento, uma ficcionalidade maior. Engraçado como se pode achar detectar exatamente aqui ou exatamente ali índices maiores ou menores de ficcionalidade, sendo todo o mais relegado à autobiografia, diarismo.

“You don´t write, you journal.”

Diário por diário, melhor seria continuar com o puramente privado, não?


Um dia.

Mesmo se você tem um distúrbio alimentar e depressão severa, quem sabe, um dia?


Pelas noites

De madrugada…

M. diz:
olha
estou numas de planejar seduzir o * (ator, poeta, produtor, tudo de bom famoso).
D. diz:
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
J.URA???
Ele é amigo de um amigo meu.
M. diz:
juro
D. diz:
E — dizem — gay.
M.diz:
I KNEW IT
D. diz:
Ele tá maravilhoso na série do # (escritor).
M. diz:
ai, esse meu gaydar naum falha
D. diz:
Fiquei   também.
M. diz:
ele é maravilhoso, neh?
D. diz:
Muito.
M. diz:
ia ser cagado se naum fosse ele
D. diz:
hauuhauhuhauhauha
M. diz:
faleimesmo
D. diz:
O # deve ter escolhido.
Porque fazx muito sentido.
*faz
Aliás, a série está LINDA.
M. diz:
sim
mas perdi a fé no #
acho ele babaca, prepotente e deve foder mal
faleimesmo [2]
D. diz:
EXATO.
O cara que eu tava flertando, @, disse que ele insuportável, se acha.
E, pelo que conheço, é isso mesmo.
M. diz:
pois é
PENA q o * é gay
ai, eu sabia
inda é passivo
aposto TUDO!

… e continua…

quase um bate papo da uol


Imaginary chart

Assim Joana entrava numa casa desconhecida. Ao primeiro olhar de penumbra, nada além de uma escada.  Renata a havia silenciosamente dito para subir. Na verdade, ela não disse quase nada depois que resolveu se calar. Talvez tenha se arrependido. Talvez eu não devesse estar aqui – essas eram as palavras de Renata ou as minhas próprias?

Nada além de um gato, um cachorro, um banheiro, uma entre-sala, um quarto e uma porta fechada pra ela. Não fizeram nenhum barulho para subir.

Renata já entrava em casa ligando todos os aparelhos, numa ânsia de ter coisas a fazer e não conversar, Joana se sentava desconfortavelmente no chão, o gato e o cachorro silenciosos, o gato já vindo se enroscar sm suas pernas.

– Vem.

Foi e se sentou na beira da cama. – Ainda acho que minha presença aqui é inaudita, devo ser o brinquedinho novo. – Preciso tirar ela daqui.

Ah, se referia à gata. A essa altura Renata já tinha levantado a bichana do chão, tinha tirado-a das mãos de uma Joana carente, ela usava um short vermelho e um top branco. Joana, vestida dos pés à cabeça.

Fechou a porta e deitou na cama. – É agora que devo fazer alguma coisa, mostrar serviço? Tudo muito protocolar, pensou Joana. Essa menina não está pensando direito. Será que uma vez já esteve? Será aquele papo todo de “que bom que você tem a idade que tem” não era só mais uma certeira tentativa de me agradar? A julgar pelo número dela, experiência não deve faltar para dizer a coisa certa, na hora certa. Um ano e não sei quantos meses de diferença – talvez nenhum Joana- se essa menina não for sagitariana ou escorpiana, só te sobra supôr que ela seja de gêmeos.

A voz no fundo da cabeça que teve de lhe dizer: Ela ainda está esperando, Joana. Do jeito que está bêbada, é melhor andar logo ou ela vai dormir. – Ah, é…

Trocaram poucas vezes de representações. Havia sido exatamente como Joana sempre achou que seria, só que pior. E Renata ainda cismava em tapar-lhe a boca. – Pára de querer me tirar o ar.

Ela dormiu. Ela dormiu no meio do sexo, não estou acreditando nisso, pensou Joana. – Mas é claro – de novo a voz lhe sussurrando de dentro da própria cabeça – você pensou muito, hesitou muito.

– Pode ser. Deitou do lado da cama que não gosta e cochilou. Acordou, se levantou e se vestiu, passou uma àgua no rosto sem se olhar no espelho e foi murmurar no ouvido dela: Devem te ligar daqui a pouco, eu estou indo. Abre a porta pra mim. – súplica fervorosa.

Renata somente balançou a cabeça sem sequer abrir os olhos, enrolou-se no edredom, parecendo pelo menos umas quatro vezes maior de corpo do que já era, ainda sem abrir os olhos e nem precisar tatear nos objetos em volta ou na porta. Enquanto umedecia os lábios, com os olhos fechados, estendeu na direção de Joana um sonoro “bom dia” , quase um grito. Assustou. – Desce a escada, é a primeira à direita, disse mecanicamente.

– Quantas vezes será que ela já repetiu esse breve itinerário pra outras mulheres? se perguntava Joana ao seguir a direção e dar de cara não com um andar debaixo mas com o elevador. – Que tipo de casa/ esconderijo é essa?  Ela ainda não entendera.

Não viu em que andar estava, nem o número do prédio. Se viu somente em plena manhã ensolarada na rua ao lado da Cobal. – Como foi que não prestei atenção ontem em onde estava indo?

Poderia escolher em descer à rua chegando à Voluntários ou subir para o lado contrário.

– Melhor eu pegar um ônibus.

 


Beleza de quem?

A primeira vez que eu vi a chamada de “The Price of Beauty” , uma série de programas onde a cantora/atriz/”astro” de reality show Jessica Simpson,  rodaria por vários lugares do mundo. O propósito disso era entrar em contato com as mais variadas noções de beleza para as mulheres em diferentes lugares do globo.

Eles não se restringiram à lugaress comuns tipo França ou Tóquio (onde de fato estiveram), mas foram pra Tailândia, Uganda e outros lugares assim. Eu estava achando o programa meio bom. Achei bom colocarem a cabeça de vento da Jessica Simpson e uma amiga e um amigo cabeça de ventos seus que aparentavam ter o mesmo nível de não profundidade de pensamento. Seria bom pra eles, pensei, adquirir diferentes perspectivas.

Até chegar ao programa que eles vieram ao Brasil, mais especificamente, ao Rio de Janeiro. O programa daqui foi uma série de tristes clichês.  A primeira observação que fizeram, ao passar de carro pela praia (Barra ou São Conrado), a coisa que mais lhe saltou aos olhos foi o quão sem roupa as pessoas andam, não se incomodando em que forma física estejam. Elas simplesmente não se importam.

Não sei se vocês sabem, mas, chegou ao meu conhecimento falando com um amigo meu que deu aula de economia nos EUA que, lá, só quem usa sunga, é viado. Os homens usam bermudas. Então, deve ter sido muito estranho ver pelo menos 70% dos homens de sunga.

As meninas aproveitaram e obrigaram o cara a fazer uma depilação.  A depilação foi perto da sunga, coisa que, creio eu seja meio desnecessário. Foi mais sobre o prazer sádico delas de vê-lo sentindo aquela dor.

Quando foram à praia e encontraram uma modelo brasileira – a embaixatriz da beleza dela aqui (em todos os lugares o trio era recebido por uma embaixatriz da beleza)  e ela disse que, na nossa visão de beleza (nossa ?) é muito normal fazer cirurgias plásticas e exibí-las porque as mulheres brasileiras, as pessoas brasileiras não são tímidas em relação ao seu corpo. Então a tal embaixatriz foi mostrar uma pessoa que fez 42 procedimentos cirurgicos. Adivinhem? Ângela Bismarck.

Primeiro: De que tipo de beleza Ângela Bismarck representa? Totalmente artificial?

A justificativa dela é… quando eu olho no espelho e vejo algo que eu não gosto, eu conserto. Jessica disse que ela não parecia ter 42 cirurgias. No máximo umas 6 mas não 42. Hello! A mulher é o Frankstein!

O que chamou a atenção de Ken, no entanto, foi o fato de Ângela não estar com as pernas depiladas e os pelos tingidos de loiro. Ele perguntou porque ela não se depilava e a embaixadora da beleza – creio que o nome dela era Camila- disse que, aqui no Brasil, algumas mulheres não se depilam e descolorem os pelos porque isto combina com o bronzeado. Quando perguntada sobre como ela fazia isso, Ângela arrebatou dizendo que fazia o “banho dourado” – o que, claro, chocou todos os americanozinhos puritanos.

Alguém avisa pra essa mulher que, EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO – banho dourado é quando alguém urina em você durante o ato sexual?

A próxima coisa mostrada foi a ida numa favela, porque os americanos não conseguiam entender como pessoas de baixa – renda também faziam cirurgias plásticas. Mostraram uma mulher, com sua filhinha na favela e ela disse que tinha posto silicone nos seios depois de amamentar, que havia um médico que dava desconto às pessoas da comunidade. E ela disse que à época da cirurgia, preferiu gastar o dinheiro que usaria para se mudar para um apartamento para fazer a cirurgia. Jessica, ao ouvir, disse que achava isso tudo muito triste e disse: eu pensaria que a prioridade seria dar de comer aos filhos (isso não foi traduzido à mulher da comunidade). Agora, quem foi que disse que, só porque ela mora numa favela ela ou a filha dela passam fome, ou passaram alguma vez na vida? As pessoas de fora não tem a menor noção das coisas.

Ao final do episódio,  Jessica, Ken e Cassee tiveram que “aprender” a sambar. Só Ken aprendeu. E fizeram parte de uma festa particular da Grande Rio usando explendores e aquelas roupas minúsculas de carnaval.

Eles disseram que o que aprenderam no Brasil foi : se sentir melhor com seus corpos/físico e se liberarem mais, se soltarem, serem verdadeiros.

Para mim pelo menos, o saldo dessa visita, foi negativo. E pessoas como eu? Eu não tomo sol, meus pelos não são loiros, só sambo sob forte coação,não penso em fazer plástica pra aumentar, diminuir ou esculpir nada e nunca coloquei uma tanga desse tamanho na vida. Pelo contrário, eu me cubro. Na rua, pelo menos. Sim, eu sou em paz com meu corpo e com minha nudez mas não sei se pelo fato de eu ser brasileira. Demorou muito tempo para que eu me sentisse assim. E na praia, por exemplo, eu me sinto extremamente desconfortável, como um fantasma que não dá pra ignorar.

A beleza brasileira não é isso. Não chega nem perto. Eles deviam saber, só vendo as nossas modelos exportadas. São todas completamente diferentes umas das outras. Gisele Bündchen é diferente da Carolina Ribeiro que é diferente da Alessanda Ambrósio que por sua vez é diferente da Adriana Lima e das outras tantas.

E tem mais: a beleza carioca não é isso. A beleza carioca não é só zona sul ou samba, corpos sarados/ falsificados ou bronzeados. Uma das nossas melhores e mais marcantes características é a diversidade. Por favor, respeite!


“Você está fora de controle”

” – O que você vai fazer da sua vida? – perguntou ele.

– Vou ser famosa.

– Mas que coisa mais triste! Não vai gostar nada quando chegar a esse ponto.

– Vai ver se eu estou na esquina.

Então ele ia e fumava um charuto e amarrava a cara, ou ia para o mercado outra vez com o Sr. Maravilha.

Em meados de julho:

– Tem mais alguém na parada?

– Não tem nada a ver com nenhuma outra pessoa. Tem a ver com a gente.

– Não respondeu à pergunta.

– Tem a ver com a gente.

– Responda sim ou não. Tem mais alguém?

– Não.

– Mentira. Estão te instruindo, não estão?

– Do que está falando?

– Alguém andou te instruindo sobre o que dizer.

– Isso tem a ver com a gente. Com mais ninguém.

– Está vendo? Lá vai você de novo.

– Por que você tem que piorar as coisas?

–  Não estou piorando coisa nenhuma. Preciso fumar um cigarro.

– Preciso ir dormir. Por que não me deixa dormir?

– Você não merece dormir.

– Não fiz nada errado.

– Mas também não fez nada certo. Eu quero ir até o fundo dessas tais instruções.

– Do que está falando?

– Alguém andou lhe dizendo o que dizer. É um velho truque de psicólogo. Quando você está numa situação difícil, fica repetindo a mesma frase, vezes sem conta. Assim não consegue levar a conversa adiante.

Uma hora mais tarde.

– O que anda fazendo? Com quem anda se encontrando? A que horas vai chegar em casa?

– Cedo. Vou chegar cedo.

– Você está fora de controle.

– Não estou. Vou chegar às onze.

– Não minta pra mim.

– Não minta pra mim.

– Eu podia mandar alguém te seguir. Como sabe que já não mandei? Tenho dinheiro suficiente para mandar alguém te seguir.

Isso foi várias semanas depois de Carrie ter pedido pelo amor de Deus para ser internada em um sanatório para doentes mentais.”

BUSHNELL, Candance. Sex in the City. Tradução: Celina Cavalcante Falck. – Rio de Janeiro: Record, 2003.

Eu nem estou passando por isso, nesse momento. Mas, cenas e diálogos assim foram TÃO recorrentes ao longo da minha vida amorosa que não me resta nada a não ser me render e adotar Carrie Bradshaw como um dos meus alter- egos.


%d bloggers like this: