Category Archives: sonhos

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O pós contemporâneo com suas intervenções urbanas, ando pelas ruas prestando atenção em todo chão, paredes, muros, postes e até céu. Grafitti, colagem, stêncil.

Hoje, vim aqui, porque percebi que, sem você, minha existência se ameaça, não a percebo, ela não se configura, irreal, fluída, transparente e finita como bolhas de sabão. Porque você segura a mim e diz: Vo-cê.

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I´m dwelling in possibilities.

Dreamful, imaginary, unreal ones.




Para amar:

É preciso estar durante a maior parte do tempo num estágio de admiração profunda, quase sagrada pelo outro ser, que este outro desperte um lampejo qualquer de respeito profundo, espanto, compaixão  : uma motivação fora do comum pelo seu trabalho seja por estar fazendo o que ama, seja porque quer fazer a diferença – qualquer que seja ela – em qualquer âmbito, queira difundir algo, formar, discutir, propagar. Ter uma relação consigo mesmo e com o trabalho/estudo que religue esta pessoa ao mundo, à humanidade, a  um sentimento órfico, uma das maneiras de entender e aceitar algo além, fazer disso uma faceta do divino em si e para si (e outros).

Ou uma (pré) disposição ilimitada pra a doação de si ao outro, para o amor, a criação de mundos entre risadas e lençóis em dias de domingo, delicadezas, um acompanhar mesmo em trevas, se pôr inteiramente nele, sentir tanto e tão junto que, se um sofre o outro (pres)sente, sofrendo também. A possibilidade de enxergar uma outra face no além, o divino em um sinal na pele amada.

É preciso que esta pessoa seja um conglomerado de quereres e sentires incessantes que ora a aproximam ora a afastam de todo o mais, entusiasmando-lhe e deprimindo-lhe ao mesmo tempo, forçando a um movimento. A movimentação ao invés da inércia e do escapismo barato por substâncias.

Sem essa admiração, a ruína chega. O sentimento não se sustenta. Não há troca possível com quem não tenha sonhos para dividir ou não faça absolutamente nada para que estes mesmos, ainda que utópicos, passem a ser possibilidade.


l’ombre d’un regret

Um telefone na agenda, não é só mais um contato. As vezes é a maneira (quem sabe até a única maneira) de se fazer menos esquecida, algo presente por alguém que possa ter colocado seus emails direto para a caixa de spam.

Uma tentativa de aproximação, não é uma sedução implícita. Um arrependimento sobre correspondências pesadas e vulgares, não é necessariamente falso. Um “não sai da minha vida”, não é necessariamente problema à vista, pesadelo, importunações.

Com o passar de meses, aniversário de um ano desde um rompimento de algo que, eu sempre achei que poderia ter sido a amizade da minha vida, veio o desespero. Nem mesmo para felicitar, timidamente, quase como quem pede desculpas, somente pelo tom de voz, pela ousadia de ligar a um feliz aniversário.

Nada quero dessa vez a não ser desejos de felicidade (que sim, não me incluem). Perder uma amizade ou uma amizade em potencial, quando ela é realmente importante, quando é alguém que não só tira e nem soma, é um dividendo, faz parte de um alinhamento de alguns (muitos pensamentos e sensações – não falo de sentimentos aqueles, que, nunca foram mesmo para ser, agora sei. Nem os de mim por você ex- quase amiga, e nem de mim por ela).

Ironicamente, a única palavra que carrega em si, entranhada, tudo o que venho guardado durante todo este tempo é aquela palavra, tão portuguesa:

Saudade.

Isto não é sobre mim, sobre meus desejos (que não possuo), minhas vontades (que inexistem), meu egoísmo ( eu estou tentando desde de.) ou sobre qualquer coisa que eu possa estar querendo impôr (não quero impôr nada, e me impôr, não posso, à ninguém, nem quero – ou melhor, se quisesse, nem conseguiria, não sei fazê-lo).

Toda a insistência, o incômodo, a invasão e o desagrado, depois que o diálogo se fechou é tão somente porque eu sei reconhecer alguém especial e importante. Mais do que isso, sei reconhecer alguém raro e que eu gostaria de poder dar oi, fe-li-ci-tar, torcer por (torcer de perto), ouvir, e ouvir e ouvir.

É como ter conhecido um pedaço da vida, do mundo, de mim e de tudo o que mais prezo e tê-lo arrancado, sem que, haja a chance de consertar.

Um telefone, não é só um telefone. Um contato, não é só um contato. La recherche de la fraternité perdu.


Qual é o lugar

do profissional de Letras?

Ou melhor, do bacharel em Letras?

A resposta parecia certa: revisão ou tradução. Ainda mais para quem tem habilitação em língua estrangeira.

Revisão: tenho sérios problemas. Observando trabalhos de revisores, há muitas coisas que ainda não percebo. Creio que teria de aprender o ofício. Na faculdade de Letras, o ofício ensinado não é este, a priori. Além do que, sou saudosista. Eu ainda torço o nariz pro acordo ortográfico e sei que não deveria fazer isto mas, é mais forte do que eu. Ignoro a maioria dos hífens que foram abolidos, ainda coloco trema e escrevo idéia assim, com acento.

Tive trabalhando com tradução durante uma boa parte da graduação. Tradução técnica. Textos que envolviam economia e administração. Foi bom. Eu não teria sequer tido contato com esse tipo de vocabulário se não tivesse tido este estágio. Ponto a favor. Agora, me coloquem um manual nas mãos para traduzir e me perco (muito). Muitas siglas, muitas coisas incompreensíveis, muita coisa que não sei nem como começar. Oscilo entre o “vamos lá, eu consigo” e o desespero absoluto. Paro para me acalmar. Sereno por um tempo para depois encarar o desespero absoluto novamente.

Dar aulas em curso de idiomas: Os cursos parecem estar tão preocupados com a pedagogia das suas aulas pelo “método comunicativo” – todos achando que estão sendo super inovadores e acabam copiando uns aos outros. Eu não sei o que falta ou sobra. Eu já dei aulas, por dois, três anos, já fiz isso. O problema, ainda não descobri.

O que eu sei é que se aparece um nativo que era bancário nos Estados Unidos e não sabe porra nenhuma de português, eles contratam.

Especialização e mestrado em andamento.  Previsão de vida profissional: quem é que sabe?

Eu nunca me perguntei antes se tinha de fato uma carreira em mãos, se tinha escolhido bem a minha carreira. Pergunto-me agora.


E quando tudo se iluminará?

Even the surest gentleman stumbled over himself in her presence. After only ten years of life, she was already the most desired creature in the shtetl, and her reputation had spread like rivulets into the neighboring villages.

I´ve imagined her many times.She´s a bit short, even for her age – not short in the endering, childish way, but as a malnourished child might be short. The same is true for how skinny she is. Everynight before putting her to bed, Yankel count her ribs, as if one might have disappeared in the seed and soil for some new companion to steal her away from him. She eats well enoughand is healthy, insofar as she´s never sick, but her body looks like that of a chronically sick girl, a girl squeezed in some biological vice, or a starving girl, a skin-and- bones girl, a girl who is not entirely free. Her hair is thick and black, her lips are thin and bright and white. How else could it be?

Much to Yankel´s dismay, Brod insisted on cutting tgat thick black her herself.

It´s not ladylike, he said. You look like a little boy when it´s so short.

Don´t be a fool, she told him.

But doesn´t bother you?

Of course it bothers me when you´re a fool.

Your hair, he said.

I think it´s very pretty.

Can it be pretty if no one thinks it´s pretty?

I think it´s pretty.

If you´re the only one?

That´s pretty pretty.

And what about the boys? Don´t you want them to think you´re pretty?

I wouldn´t want a boy to think I was pretty unless he has the kind of boy who thought I was pretty.

I think it´s pretty, he said. I think it´s very beautiful.

Say it again and I´ll grow it long.

I know, he laughed, kissing her forehead and piched her ears between his fingers.

FOER, Jonathan Safran. Everything is illuminated. Penguin Books. London, 2002.


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