Category Archives: vício

Ahhhhh…

Me deito à noite. Eu não consigo dormir. Aquele cheiro, aquele cheiro, aquele cheiro. O perfume dela na minha cama, o sexo permeando o quarto inteiro. O gosto dela na minha boca. Gosto que, em anos, nunca senti. Só que eu queria tudo para mim, eu beberia galões dela. de todos os seus líquidos e suores. Eu não consigo dormir. Me reviro na cama em lembranças revividas que apenas melhoraram, se somam. E agora, agora é leve. É como sempre deveria continuar tendo sido.

Lembrando que, dessa vez, não há verbo ser aí. Estamos. Estamos fazendo. Estamos falando. Talvez, estejamos planejando. Porque o cheiro, ele continua forte. Porque a vontade, ela não passa. Porque as lembranças, elas não se apagam.

E o corpo é carne que sofre, pedindo o fim do suplício: sacia o meu desejo.


eles

E depois de cada silêncio – um quase já esperar – algumas montanhas de livros a acrescentar porque as capas, elas são resistentes às lágrimas. Por que encaixam, postos um a um envolta de um corpo. O meu corpo. Sem pessoas, lençóis ou bichos. Os livros me fazendo companhia em pilhas, palavras, pensamentos, lágrimas e, por que não? risos.


Living on the edge.

Desde a adolescência e depois de diversos maus diagnósticos, agora isso.


Am 6. Mai

” Am 19. Oktober

Ach diese Lücke! Diese entsetzliche Lücke, die ich hier in meinem Busen fühle! – Ich denke oft, wenn du sie nur e i n mal, n u r e i n m al an dieses Herz drücken könntest, diese ganze Lücke würde ausgefüllt sein.”

“Am 27. Oktober

Ich möchte mir oft die Brust zerreißes, daß man einander so wenig sein kann. Ach die Liebe, Freunde, Wärme und Wonne, die ich hinzubringe, wird mir der andere nicht geben, und mit einem ganzen Herzen voll Seligkeit werde ich den andern nicht beglücken, der kalt und kraftlos vir mir steht.”

Eu nunca deveria ter criticado qualquer pessoa que seja por uma “triste obsessão por um livro”, ou por uma série de livros, já que, claramente, a minha, embora eu me esqueça por vezes, é o Werther. Ao ponto de marcá-lo na pele.

Relendo para montar a aula da graduação, me dei conta de que, este, o livro que mais reli em minha vida, continua guardando em suas páginas, os trechos dos meus desejos. Os quereres mesmos e a impossibilidade deles.


Bom karma

Carregar comigo um caderno grande e ainda cheio de páginas em branco tem dificultado que eu anote meus pensamentos, sentimentos, acontecimentos diários, ordinários ou extraordinários. Fico querendo contar quantas páginas faltam para o fim, querendo antecipar o fim de um ciclo, como se eu tivesse o controle de alguma coisa só porque posso controlar as páginas, o tamanho da minha letra, se eu gostaria de transcrever algo, de colar algo, de “desenhar” algo.

Resolvi retornar a um diário menor, facilmente transportável e que, por se assemelhar a um bloquinho, não chama tanta atenção para o seu conteúdo. E, na primeira página me declaro com letras impressas requisitando que eu deixe informações e contatos meus. “Em caso de perda, por favor retornar à”. E mais uma linha para falar sobre a recompensa.

Que recompensa? Diário se perde ou só é roubado? Quem é capaz de esquecer jogado o seu baú de segredos, seu muro das lamentações em papel, seu repositor de desejos, de dejetos, todos os gritos silenciosos e as lágrimas, os arrependimentos e o meu rodopiar pela vida.

Como posso colocar uma recompensa nisto? O valor é além do sentimental e, mesmo que eu tivesse dinheiro, ainda assim não conseguiria estipular um valor.

Joguei para o universo e escrevi: bom karma.

 


Sadness of being

“SADNESSES OF THE INTELECT: Sadness of being misunderstood [sic]; Humor sadness; Sadness of love wit[hou]t release; Sadne[ss of being smart; Sadness of not knowing enough word to [express what you mean]; Sadness of having options; Sadness of wanting sadness; Sadness of confusion; Sadness of domes[tic]ated birds; Sadness of finishing a book; Sadness of remembering; Sadness of forgetting; Anxiety sadness…

INTERPERSONAL SADNESSES: Sadness of being sad in front of one´s parent; Sa[dn]ess of false love; Sadness of love [sic]; Friendship sadness; Sadness of a bad convers[a]tion; Sadness of the could – have – been;  Secret sadness…

SADNESSES OF SEX AND ART: Sadness of arousal being an unordinary physical state; Sadness of feeling the need to create beautiful things; Sadness of the anus; Sadness of eye contact during fellatio and cunnilingus; Kissing sadness; Sadness of moving too quickly; Sadness of not mo[vi]ng; Nude model sadness; Sadness of portraiture; Sadness of Pinchas T´s onlu notable paper, “To the Dust: From Man You Came and to Man You Shall Return,” in which he argued it would be possible, in theory, for life and art to be reversed…”

FOER, Jonathan Safran. Everything is illuminated.



Cuidado, frágil!

Em horários e locais impossíveis, ouço vozes que bem podem ser as dela e paro, no meio da rua, congelada e com lágrimas me subindo aos olhos, scaneando a rua para procurar possíveis esconderijos, rotas de fuga. As vezes elas não existem, como também não existe a sua voz que ouvi. Você não está no bar pelo qual passei, gargalhando de mim. Talvez você esteja perto, mas eu não sei.

Andam me protegendo de mim, perto de ti. Mal comecei a restaurar os cacos deste vidro delicado que bombeia sangue para meu corpo franzino.

Por dentro de um plástico bolha, numa caixa de papelão, o adesivo diz: cuidado, frágil.

e danificado.


Begin to heal

Now that I decided to leave your life, I just need to figure out how rip you out of my lungs, separate you from my air, drain you out of my blood, cut you out of my brain. Let go all our music, all our words, our moments, all the delicious sounds of your name.

I have to throw you up. Extract you like the disease you´ve become.

No more gastritis

No more knocking me down depression

No more torrents of tears.

You took all the breaths, all the heartbeats, all atoms of life you could.

Now go away. I want to heal from you.


Pausa

 

Em fase de crise criativa, crise vivencial, crise existencial, financeira e quantas crises mais existirem.

Já pode se desesperar por não ter nem começado a escrever os trabalhos de mestrado? Ou por ficar remoendo as mesmas coisas antes de dormir?

Eu volto. Juro.

 


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