Category Archives: vício

Cuidado, frágil!

Em horários e locais impossíveis, ouço vozes que bem podem ser as dela e paro, no meio da rua, congelada e com lágrimas me subindo aos olhos, scaneando a rua para procurar possíveis esconderijos, rotas de fuga. As vezes elas não existem, como também não existe a sua voz que ouvi. Você não está no bar pelo qual passei, gargalhando de mim. Talvez você esteja perto, mas eu não sei.

Andam me protegendo de mim, perto de ti. Mal comecei a restaurar os cacos deste vidro delicado que bombeia sangue para meu corpo franzino.

Por dentro de um plástico bolha, numa caixa de papelão, o adesivo diz: cuidado, frágil.

e danificado.

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Begin to heal

Now that I decided to leave your life, I just need to figure out how rip you out of my lungs, separate you from my air, drain you out of my blood, cut you out of my brain. Let go all our music, all our words, our moments, all the delicious sounds of your name.

I have to throw you up. Extract you like the disease you´ve become.

No more gastritis

No more knocking me down depression

No more torrents of tears.

You took all the breaths, all the heartbeats, all atoms of life you could.

Now go away. I want to heal from you.


Pausa

 

Em fase de crise criativa, crise vivencial, crise existencial, financeira e quantas crises mais existirem.

Já pode se desesperar por não ter nem começado a escrever os trabalhos de mestrado? Ou por ficar remoendo as mesmas coisas antes de dormir?

Eu volto. Juro.

 


Novidades – ou a incapacidade de dormir

Tomei uma decisão: vou começar um blogue de crônicas. Por que OUTRO blog? Porque, no momento, é meu único meio de publicação e, enquanto o Jornal O Globo não se toca que eu existo(?) – eu continuo me servindo da internet (e ela de mim). Mas ele não é exclusividade minha. Crônicas alheias serão bem vindas. O nome do dito – cujo é Crônicas de um quarto de empregada. Preciso fazer algo por mim e pela minha produção.

Há coisa nova para se ler por aqui. Em breve haverá coisa nova para se ler no This mess we´re in e, antes de domingo, a crônica da semana. Desculpem o cotidiano e talvez uma certa íntimidade desenfreada. Melhora. O problema é que a ficção mais ficcional (?) só me está chegando à cabeça em inglês, só faz sentido em inglês. E eu odeio quando só consigo pensar em outro idioma.

 

 


Confissão

 “Quanta renúncia e quanta desesperança na milhões de vezes desgastada, diariamente milhões de vezes renovada fórmula: Je t´aime, esse clamor suplicante, gritando para dentro do vazio, sussurando para longe, para um lugar onde se espera resposta. Mas agora esse Je t´aime, que pelo menos ainda é uma afirmação e, não obstante toda a melancolia, uma afirmação decidida, tranforma-se para você (que caminha pesadamente, só, pelas ruas desconhecidas de uma cidade desconhecida) numa declaração que se retrata a si mesma, quase que renuncia a si própria, nesse “Ô toi que j´eusse aimé!” Teria sido você, a você eu teria escolhido, se, sim, se… E por trás desse “se” abre-se um abismo.

Talvez o motivo seja porque, caro Pierre, nunca em sua vida, nunca em sua vida, ouça bem!, você se interessou seriamente por outra pessoa. É muito possível que seja esse o motivo. “Talvez, na realidade, eu tenha amado você, minha Désirée, tão pouco quanto a desditosa Antonina, com quem estive, e contudo não estive, casado durante um período de tempo vergonhosamente curto. Nunca cheguei a amar quando existia a esperança ou o perigo de se falar a sério, de eu me amarrar, de ter o meu amor retribuído e, com isso, comprometer-me. Nunca amei uma mulher da maneira como as mulheres querem ser amadas para levar a coisa a sério e transformar a nossa vida. Lá, onde esbanjei meus sentimentos, não havia perigo nem esperança de consequências que envolvessem compromisso. Os sentimentos esbanjados eram recebidos com incompreensão ou amizade indiferente ou frio calculismo. Na melhor das hipóteses, com um carinho superficial. Ah, quantas vezes tive que esconder meus sentimentos que se derramavam tão sem sentido, pois teriam sido inoportunos e incompreensíveis para aqueles a quem eu ansiava por oferecê-los em toda a  sua abundância. Às vezes, em raros casos, eram aceitos, mas então certamente havia um toque de compaixão, ou eu tinha que pagar em dinheiro, à vista.

Sei que faziam troça de mim, nas minhas costas, até na minha cara. Passei a ser uma figura cômica, talvez até mesmo repugnante. Tudo isso, por causa dos sentimentos que eu tinha que esbanjar. Foi isso o que aconteceu, Desirée, tantas vezes rebaixei-me, e justamente você, com quem eu tentei tão seriamente reparar e acertar tudo isso, justamente você, Desirée, a quem eu nunca teria amado, ousa olhar para mim com ar de censura e dizer-me: ´Nunca você se interessou por pessoa alguma, nunca em toda a sua vida, ouça bem!´ E mesmo que fosse verdade, você não poderia dizer-mo. Porque é verdade, mas de uma maneira diferente da que você imagina, julga-me um fraco egoísta, e acredita chegar a essa conclusão a partir do que vivenciou, ou não vivenciou comigo, há vinte anos. Pelo fato de eu não ter aproveitado a oportunidade quando você foi ao meu encontro, cheia de carinho, acha que sempre fui reservado, avaro com os meus sentimentos e um esperto calculista. Será que você me conhece tão mal assim, ô toi que j´eusse aimé?”

MANN, Klaus. Sinfonia Patética – A vida de Tchaikóvski.Editora Brasiliense.São Paulo, 1989.


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I´m no good

I told you I was trouble
You know that I’m no good

O problema todo, meu bem, foi que você me descobriu rápido demais. Descobriu rápido demais por que é que a Amy também me canta.


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