Wants

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Bastou seus dedos passeando pelos meus cabelos curtos, pela manhã, enquanto eu adormecia na cama de motel para que eu já ficasse nervosa com a proximidade tão íntima, tão doce. Seu cheiro me impregnando as narinas porque também estava impregnado nos seus pêlos tão fartos e espessos. Esperava poder transportar-nos em tempo e espaço para o meu quarto, para a minha cama, para uma manhã mais nossa e menos distante e asséptica. Menos papel de parede brega, mais pôsteres culturais. Menos barulhos de portas se abrindo e fechando, mais música francesa. Menos telefones tocando, para avisar que o tempo acabou. Mais tempo, mais tempo, mais a gente, mais eu.

Eu adormecia pensando que não, não posso. Eu desejo que você queira me conduzir, que você queira me raptar, que você queira olhar para os meus olhos que você crê castanho claros e eu creio castanho escuros. Eu quero receber suas músicas, ser chamada de anjo de dia, gostosa de noite.

Quero você, enfim.

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Bye

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Sinto que a cada dia que passa, esqueço um pouco mais. Talvez esquecer não seja bem a palavra porque, o que se esquece, é passível de lembrança. E lembro pouco, quase nada.Está saindo de mim. Não faz mais parte de mim. Passou, esvaneceu. Ficou como lembrança distante. Nem boa nem ruim. Ficou quase como um aviso, um aprendizado.Soltei minhas mãos, os dedos um a um, me distanciei dos amigos que, nunca foram meus, por mais que os admirasse, eles são você e só você e te carregam e nós precisamos nos limpar de nós mesmas.Desintoxicar, deixar que nossas vidas sigam o rumo que deveriam seguir, em separado. Nem todo mundo deve ficar. Nem todo mundo.
Adeus.


Afinal, tem alguém que se sente representada pelas “as nega” do Miguel Falabella?

Hoje uma amiga super querida postou no FB que ficou curiosa quanto a série da Globo que deve estar começando daqui a pouco (pode até já ter passado o primeiro episódio quando eu terminar isso aqui). Essa curiosidade levantou uma discussão e, por isso resolvi escrever sobre isso.

Antes de tudo – sou o que qualquer brasileiro classifica como branca, embora tenha plena consciência que, em qualquer outra parte do mundo, eu não sou caucasiana mas latina. Então, não taquem pedra, por favor. Não vim fazer token e nem protagonizar uma luta a qual só posso apoiar, ser simpática.

Dito isso…

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A série, é uma adaptação de Sex in the City. Série essa que eu vi do começo ao fim. Na época, meu conhecimento do feminismo era muito superficial e eu não percebia muita coisa. Percebia que tinha seus fatores positivos sim, a liberdade sexual, um “somos todxs vadias” e aquela relação amorosa com a cidade. Mas, quanto aos relacionamentos? Vi muitas vezes as personagens se anulando, se torturando porque aquele homem tinha que amá-la. E quanto amar a si mesma? Nesse quesito, durante quase toda a série, Samantha deu um show (deu suas escorregadas também mas, quem nunca?)

O sexo e as nega seria uma versão disso. No gueto/ favela, com mulheres comuns com profissões normais. Essa é a premissa, creio. E o discurso  é da inclusão do negro na tv aberta brasileira. Mas, repetindo fórmulas tão batidas? Negro só pode morar na favela ou no gueto? Só pode exercer uma profissão na qual não precise de um diploma universitário? Por quê? Por que, pelo menos na Globo, negros que fazem papéis de classe média ou alta e educados em nível universitário são Lázaro Ramos, Taís Araújo e Camila Pitanga? Os outros não tem cara de negros ricos? Só podem pertencer ao gueto, à cozinha, à senzala? Por que será que a Taís Araújo deu aquela entrevista em que dizia que se sentia mal ao ir a um lugar e só ser atendida por negros? Por que eles não tem as mesmas oportunidades que ela teve? Porque ela sente que ser servida por iguais, é como se jogassem na cara dela constantemente o lugar que ela deveria estar ocupando. Por que será, Falabella? Quem inclui os negros? Você? Ai, olha, não!

Em Sex in the City, a narradora, Carrie Bradshaw, estava inserida no que ela estava falando, estava vivendo aquilo. As dores eram dela também. Ao que me parece, neste, a Cláudia Jimenez será a narradora, olhando de fora com a branquice dela, analisando comportamentos, dando conselhos. Que diabos a Cláudia Jimenez sabe sobre os temas que parece que serão focados, gente? Não faz sentido.

Uma conhecida tocou no assunto do mimimi do nome. Olha, não é mimimi. Por que tem gente ofendida com isso? Porque “as nega”, “suas nega” são expressões extremamente pejorativas e que, até hoje, não foram ressignificadas. Elas continuam a separar a mulher branca pura e intocável da casa grande da negra da senzala (alguém aí lembro de 12 anos de escravidão?) e não tem essa de que acabou a escravidão. O que não falta são casas grandes e senzalas disfarçadas por aí.

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Uma grande amiga minha, negra, disse que sentia como se fossem as novas mucamas. Sempre prontas pro sexo. Sempre querendo quem lhes dê uma vida boa. Hipersexualização não só da mulher como também do homem negro, SEMPRE, né? Afinal, são animais viris, mulheres “com quadril de parideira”, amas de leite etc.O corpo deles foi feito pra isso, não é? Não. O corpo deles lhes pertence. A eles e somente a eles. Vamos parar com essa folclorização. Está feio, chato, rude.

Não caiam nessa populice do Falabella. É engraçado às custas do sofrimento dos outros. Não tem empatia alguma. Não é um humor inteligente. Não é sequer uma boa sátira. É preconceito: racismo, elitismo, machismo. Copio e colo aqui a fala de Bianca Lessa, uma amiga dessa minha amiga, que também entrou na discussão:

“No país do “Somos Todos Macacos”, no país do Pelé dizendo que o Aranha agiu mal diante da torcida, no país da menininha gaúcha chorando na Ana Maria Braga – que também é o país do genocídio nas periferias – , toda tentativa midiática de desmerecer o combate à objetificação da mulher negra será tragicamente bem sucedida.”.

Para fechar, leiam este texto do blogueiras negras.

Quanto as negras, parentes, amigas, conhecidas e desconhecidas: FORÇA. Mais do que vocês já tem. Todo o meu amor para vocês.


You

Sweetheart
How I miss your heart
Beating next to mine

[ dearly departed – DeVotchka]

Sweetheart, I miss waking up with your British accent spinning in my head

e-ve-ry mor-ning.

 


eyes wide shut, heart wide open

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I rushed towards you in the middle of the night, just to feel that tigh hug of yours, you pulling me back again every time I crawled away from you. We got married silently while crossing the sea. Honeymoon on an island. You, a trip that filled my lungs with air, made my heart pump blood a little faster, a little warmer. We being ourselves with our books and quiet moments until undress time. I, M. take thee, to be my wedded husband, to have and to hold from this day foward, for better for worse, for richer for poorer, , in sickness and in health, to love, cherish and (not) to obey till death do us part.

Amen.


Sabe que eu esqueci

So this is how it works now. I talk absolutely nothing – good or bad – about you. The things I know. Every time you opened your legs. Every time you opened mine. I just quickly forgot your name. Better late than never.


A síndrome de Pokémon e o narcisismo Picachu.

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Quem não se lembra do desenho da década de 90, que fora inspirado em um jogo de Nintendo, intitulado Pokémon que virou uma febre em seu tempo? Não dá para esquecer visto que, Picachu, seu personagem mais famoso, virou o mascote da seleção japonesa nesta copa, não é? Pois é.

Agora, me digam, sobre o que exatamente era o pokémon? Pegar os bichinhos, a evolução deles? Sim, respostas possíveis, porém, o fato é que os “bichinhos” eram a única temática do desenho. Não havia uma discussão sobre a lua, os planetas, o amor, a amizade, a irmadade, o que é ser criança e nem sobre o que é evolução e por que evoluir. O único assunto eram… os pokémons. Motivo este, pelo qual, sempre achei esse desenho um saco, devo confessar.

Um amigo me ajudou a chegar à conclusão de que, durante nossa vida, nos deparamos frequentemente com “pessoas pokémon”, ou seja, pessoas tão auto-centradas que não conseguem pensar em nada além delas mesmas.

No entanto, assim como nos desenhos os bichinhos eram diferentes entre si, há uma diferença entre as pessoas pokémons. A mais grave delas, ou seja, o ápice do narcisismo enquanto patologia é o narcisismo Picachu. Vamos para um exemplo mais claro?

Eu tinha uma amiga. Vamos chamá-la de Daniela. Daniela é linda – de longe. Inteligentíssima e super culta, aparentemente. Super antenada e admirada. Resumindo, ela era FODA! Nos tornamos amigas e, com o passar dos anos, fui me dando conta e me envonvendo de maneira profunda com os diversos defeitos de Daniela. Inclusive com seus transtornos psicológicos (até aí tudo bem, porque também tenho os meus, quem sou eu…) Mas, fui percebendo que essa amizade era uma via de mão única. Que era só eu quem dava e ela sempre recebia. I´m a people pleaser. She´s a pleople sucker. E isso começou a me drenar. Me pensar. Até que num rompante, escrevi pra ela tudo o que pensava. Amizade finda, senti o peso do mundo sair de cima de mim. Daniela, no fim das contas, não era foda coisa nenhuma.

Por que a identifiquei como o Picachu? Ele é um personagem cuja única coisa que consegue dizer, é seu próprio nome. Das mais diversas formas. É o narciso reencarnado em anime.

Explicando melhor esse narcisismo Picachu, vou ajudar com uma explicação oriunda da psicologia: no mundo em que vivemos, em que o narcisismo sobe a doses galopantes e as pessoas tem cada vez mais dificuldade em enxergá-lo como uma doença. Eis os seus sintomas:

Nos pacientes de funcionamento narcisista há uma exagerada preocupação com a aparência; pequenos defeitos físicos são intensamente valorizados. Apresentam uma necessidade exagerada de serem amados e admirados, buscam elogios e se sentem inferiores e infelizes quando criticados ou ignorados.
Tem pouca capacidade para perceber os outros, levando a vida emocional superficial. Há inclusive uma forte dificuldade de formar uma verdadeira relação terapêutica.
Como o Mito do Narciso, o paciente com esse tipo de funcionamento constrói sua sensação de engrandecimento da auto-estima através de uma intensa desvalorização, rejeição e abandono dos objetos. E sobre a base dessa rejeição que o organismo se estrutura. (Lewkowicz, 2005).

 

O melhor a fazer, é evitar essas pessoas, passar por elas como quem passa por um quadro de Monet. Lindo de longe e cheio de borrões de perto.


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