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“You live in a birdhouse”

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Eu nunca havia visto um corredor de hotel como parâmetro para a minha vida. Também, não foram muitas as vezes em que estive perambulando por hotéis. E todas as vezes que eu saia do meu quarto mais quente que uma fornalha industrial para tomar banho, era isso o que eu via. O chão levemente gelado dos quartos luxuosos o suficiente para ter um ar condicionado.

Vazio, escuro, abandonado, onde as pessoas tateiam mas suas mãos nunca se quedam. Cinza, escuro, melancólico, depressivo.

Espelho é tudo o que te reflete de volta. Ainda que não seja de material vítreo.

E esse corredor, sou eu.


In love with those lyrics

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“You told me “You are great,
why can’t you be just mine?”
Baby…

You can break my heart in one or two
or more than a thousand pieces
You can bring me down
You can take me high and fly and fly
Oh boy, we still have
One last dance to dance
Let’s take it as a bet
Let’s give us one last chance

Cause you and I
We are meant to be
Whatever the future might
Choose for us to see
Again…” [ Sweet funny melody]

Thiago Pethit


Ella

[When you came in the air went out – Bad things]

Tinha ela nos dedos, não confundir com I had her wrapped around my fingers. Tinha ela, tinha ela, seu odor, seu calor, ela enfim. E olhei para o ela que tinha em mim como se fosse um prêmio que ganhasse dela. Ela me dando os resíduos dela, ela em meus dedos, ela em meus ouvidos, gemendo. Ela. Já. Já ela.


large (4)

He told me I am unforgetable. That was nice to read since some years ago he surely thought I was unberable.


Wants

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Bastou seus dedos passeando pelos meus cabelos curtos, pela manhã, enquanto eu adormecia na cama de motel para que eu já ficasse nervosa com a proximidade tão íntima, tão doce. Seu cheiro me impregnando as narinas porque também estava impregnado nos seus pêlos tão fartos e espessos. Esperava poder transportar-nos em tempo e espaço para o meu quarto, para a minha cama, para uma manhã mais nossa e menos distante e asséptica. Menos papel de parede brega, mais pôsteres culturais. Menos barulhos de portas se abrindo e fechando, mais música francesa. Menos telefones tocando, para avisar que o tempo acabou. Mais tempo, mais tempo, mais a gente, mais eu.

Eu adormecia pensando que não, não posso. Eu desejo que você queira me conduzir, que você queira me raptar, que você queira olhar para os meus olhos que você crê castanho claros e eu creio castanho escuros. Eu quero receber suas músicas, ser chamada de anjo de dia, gostosa de noite.

Quero você, enfim.


Até que durma

Agora, que sobra tempo, solidão e frio, vou aceitar algum convite que venho recusando há algum tempo. Irei me aninhar em promessas não feitas, fumaça, coca-cola. Abrigando-me não sei onde, de não sei quê.

E só por um tempinho, me deixar fitar por olhos negros que sempre julguei loucos. Só por um tempinho, só até que durma.


E por que não haveria de ir?


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