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La pareja

tu-y-yo

Já se sabe. Nenhum relacionamento salva ninguém. Ano passado, eu prometi a mim que seria meu ano. Não foi. Se tem um ano que não foi o meu. E como não foi meu ano, acho que talvez eu tenha roubado para mim o pedaço de um ano de alguém que estava tendo o seu: tu. E cada dia, aprendo um pouco mais do que se faz um ano, ou um dia, ou mesmo uma hora. É o nosso riso. São suas poucas palavras. Nossas boludeces. Me deu e me dá todos os dias, um motivo para sorrir, um calor no peito e o mais importante: amor. Além de inspiração, coragem e esperança em um futuro que vai ser sempre incerto, mas sempre nosso.


“You live in a birdhouse”

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Eu nunca havia visto um corredor de hotel como parâmetro para a minha vida. Também, não foram muitas as vezes em que estive perambulando por hotéis. E todas as vezes que eu saia do meu quarto mais quente que uma fornalha industrial para tomar banho, era isso o que eu via. O chão levemente gelado dos quartos luxuosos o suficiente para ter um ar condicionado.

Vazio, escuro, abandonado, onde as pessoas tateiam mas suas mãos nunca se quedam. Cinza, escuro, melancólico, depressivo.

Espelho é tudo o que te reflete de volta. Ainda que não seja de material vítreo.

E esse corredor, sou eu.


Ella

[When you came in the air went out – Bad things]

Tinha ela nos dedos, não confundir com I had her wrapped around my fingers. Tinha ela, tinha ela, seu odor, seu calor, ela enfim. E olhei para o ela que tinha em mim como se fosse um prêmio que ganhasse dela. Ela me dando os resíduos dela, ela em meus dedos, ela em meus ouvidos, gemendo. Ela. Já. Já ela.


 And I’ve never felt this healthy before
And I’ve never wanted something rational

[ Head over feet – Alanis Morissette]

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It was kind of quick. You won me. Quick. I think of you. Quick. Wasn´t expecting. Quick. Now when I go to bed, you are my last thought and, in the mornings, you are my first smile. Just wanted to thank you for the little and warm hapiness that is having you around. I hope you stay.


Wants

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Bastou seus dedos passeando pelos meus cabelos curtos, pela manhã, enquanto eu adormecia na cama de motel para que eu já ficasse nervosa com a proximidade tão íntima, tão doce. Seu cheiro me impregnando as narinas porque também estava impregnado nos seus pêlos tão fartos e espessos. Esperava poder transportar-nos em tempo e espaço para o meu quarto, para a minha cama, para uma manhã mais nossa e menos distante e asséptica. Menos papel de parede brega, mais pôsteres culturais. Menos barulhos de portas se abrindo e fechando, mais música francesa. Menos telefones tocando, para avisar que o tempo acabou. Mais tempo, mais tempo, mais a gente, mais eu.

Eu adormecia pensando que não, não posso. Eu desejo que você queira me conduzir, que você queira me raptar, que você queira olhar para os meus olhos que você crê castanho claros e eu creio castanho escuros. Eu quero receber suas músicas, ser chamada de anjo de dia, gostosa de noite.

Quero você, enfim.


Versão do mesmo

O gato sai do ninho que havia feito com o edredom no meio das pernas dela e sobe, de encontro ao rosto dela, que chorava copiosamente. Lambe suas lágrimas gordas e salgadas, dá-lhe beijos, deita-se ao seu lado enquanto o coração dela infla de tristeza. Chora mais.
Segunda versão: O gato que dormia no chão sobe na cama e posta-se ao seu lado ao ouvir o barulho de lágrimas derramadas e soluços. Ronrona baixinho como quem oferece consolo. Ela se rebenta de melancolia e decepção.
Terceira versão: o gato desce da cama ao irromper aquele vale de lágrimas. Não há quem cure essa incessante busca pelos porquês que nunca lhe chegam, diminuindo-a, esfarelando-a em cima de sua própria cama.
Em todas as versões, em comum, as lágrimas e o coração partido.


aquece meu coração com as mãos e com palavras.

esfria com a distância e com um sopro.


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