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La pareja

tu-y-yo

Já se sabe. Nenhum relacionamento salva ninguém. Ano passado, eu prometi a mim que seria meu ano. Não foi. Se tem um ano que não foi o meu. E como não foi meu ano, acho que talvez eu tenha roubado para mim o pedaço de um ano de alguém que estava tendo o seu: tu. E cada dia, aprendo um pouco mais do que se faz um ano, ou um dia, ou mesmo uma hora. É o nosso riso. São suas poucas palavras. Nossas boludeces. Me deu e me dá todos os dias, um motivo para sorrir, um calor no peito e o mais importante: amor. Além de inspiração, coragem e esperança em um futuro que vai ser sempre incerto, mas sempre nosso.


Ella

[When you came in the air went out – Bad things]

Tinha ela nos dedos, não confundir com I had her wrapped around my fingers. Tinha ela, tinha ela, seu odor, seu calor, ela enfim. E olhei para o ela que tinha em mim como se fosse um prêmio que ganhasse dela. Ela me dando os resíduos dela, ela em meus dedos, ela em meus ouvidos, gemendo. Ela. Já. Já ela.


 And I’ve never felt this healthy before
And I’ve never wanted something rational

[ Head over feet – Alanis Morissette]

large (6)

It was kind of quick. You won me. Quick. I think of you. Quick. Wasn´t expecting. Quick. Now when I go to bed, you are my last thought and, in the mornings, you are my first smile. Just wanted to thank you for the little and warm hapiness that is having you around. I hope you stay.


Wants

large (7)

Bastou seus dedos passeando pelos meus cabelos curtos, pela manhã, enquanto eu adormecia na cama de motel para que eu já ficasse nervosa com a proximidade tão íntima, tão doce. Seu cheiro me impregnando as narinas porque também estava impregnado nos seus pêlos tão fartos e espessos. Esperava poder transportar-nos em tempo e espaço para o meu quarto, para a minha cama, para uma manhã mais nossa e menos distante e asséptica. Menos papel de parede brega, mais pôsteres culturais. Menos barulhos de portas se abrindo e fechando, mais música francesa. Menos telefones tocando, para avisar que o tempo acabou. Mais tempo, mais tempo, mais a gente, mais eu.

Eu adormecia pensando que não, não posso. Eu desejo que você queira me conduzir, que você queira me raptar, que você queira olhar para os meus olhos que você crê castanho claros e eu creio castanho escuros. Eu quero receber suas músicas, ser chamada de anjo de dia, gostosa de noite.

Quero você, enfim.


Ao vento

Dizem que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Enquanto houver uma cama, enquanto houver paixão, sempre haverá espaço para dois corpos fundidos, com dores entrelaçadas e abrandadas uma pela outra. Enquanto uma das partes sentia muito, muito frio, a outra a quentura do corpo, das partes baixas, puxando para o lado o edredom pesado. O ventilador ligado vinte e quatro horas por dia, algo que, nem no verão acontecia. O vento batendo nas partes íntimas trazendo um alívio momentâneo, sorriso, calmaria. Tudo bem que o outro corpo quase se contorcesse de frio. Eram as dores entrelaçadas e calmantes. Era a paixão. Era um vento que unia em odores espalhados.

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