Monthly Archives: August 2010

Dor de segunda

Parece mentira, irrealidade, quando desponta o sol da segunda- feira e começa tudo novamente. O mesmo ciclo de acordar, tomar café, banho, trabalho e faculdade. Ouvir os outros, desconsiderar os outros, ignorar os outros, preferir continuar no sonho, não acordar, não acordar, não me desperte. A não ser que seja pra ouvir essa doce voz. A não ser que seja, com essa mão e esse anéis, passear pela minha superfície.

Ai… realidade.

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Não tem o que se estragar

Jesse: Do you believe in, like… ghosts or spirits?
Celine: Uhm, no.
Jesse: No?
Celine: No.
Jesse: Ok, what about reincarnation?
Celine: Not at all.
Jesse: God?
Celine: No.
[Both Laugh]
Celine: That sounds… that sounds terrible. No, no, no. But, at the same time I don’t wanna be one of those people that don’t believe in any kind of magic, you know?
Jesse: So then, astrology.
Celine: Yes, of course!
Jesse: There we go, right!
Celine: I mean, that makes sense, right? You’re a Scorpio, I’m a Sag, so we get along.

Nunca desliguei uma TV tão rápido e, fazer isso nunca foi tão bom. 🙂



Ice age

Who’s in a bunker?
Who’s in a bunker?
Women and children first
And the children first
And the children
I laugh until my head comes off
I swallow till I burst
Until I burst
Until I

Who’s in a bunker?
Who’s in a bunker?
I’ve seen too much
You haven’t seen enough
You haven’t seen it
I laugh until my head comes off
Women and children first
And children first
And children

Here I’m alive
Everything all of the time
Here I’m alive
Everything all of the time

Ice age coming
Ice age coming
Let me hear both sides
Let me hear both sides
Let me hear both
Ice age coming
Ice age coming
Throw them in the fire
Throw them in the fire
Throw them in the

We’re not scare mongering
This is really happening
Happening
We’re not scare mongering
This is really happening
Happening
Mobiles quirking
Mobiles chirping
Take the money and run
Take the money and run
Take the money

Here I’m alive (background: and first and the children . . .)
Everything all of the time
Here I’m alive
Everything all of the time

Here I’m alive
Everything all of the time
Here I’m alive
Everything all of the time

and first and the children . . .
[Idioteque – Radiohead]


Praia de Copacaba de manhã cedo, com o sol nascendo, com o sol nascido, pessoas fazendo cooper, adolescentes saídos das boates e ainda muito, muito acordados. O frio que não fez a semana inteira. E a gente? Quem? Ninguém. Alguns brasileiros – um deles, amigo. Alguns espanhóis e eu.

Fazia tempo e eu havia me esquecido da praia.


In between nights

 

Em uma mesa de bar, desconhecidas, entre linhas cor de rosa de um pedaço de papel e idiomas entrecortados, conversas paralelas e, novamente, muitos olhares – a maioria deles, vazio – vacio, algumas palavras.

A letra era quase a mesma, poderia se tratar da mesma pessoa se, uma não fosse a metade da outra. Melhores amigos. A companhia de uma metade, sorridente, passava a noite, com a segurança da garantia.

As outras metades se desconcertavam e em vários momentos, o silêncio imperava entre eles, que não tinham mais o que dizer além daqueles assuntos burocráticos. Uma vez que acharam o ponto de contato, era mais fácil enrevedar por essa esquina.

Nada de perguntas pessoais. Nada de toques, nem acidentais. Tudo muito casto, explícito e o espírito da possível resposta – que poderia ser esperada? – pairando.

Muitas pessoas, quase a mesma nacionalidade. Quase a mesma língua. Mas há diferenças. E entre – atos há muitos, muitos pontos de contato. Ao cumprimentar, ao conhecer, ser apresentado a alguém, o contato físico geralmente é evitado, dizem os manuais de linguagem corporal. O toque, somente se abrir-se a brecha, arrebatar uma curiosidade. Não se conhece uma pessoa e, em cinco minutos – talvez un poquito más – toca-se no braço dessa pessoa duas vezes, o sorriso estravazando. Na segunda vista, a mão de cumprimento que deveria, no máximo de respeito dirigir-se à cintura ou apenas muito mais em cima foi parar no cóccix. Os olhos continuavam sorrindo, as indiretas – que não vinham diretamente do dono das mãos, vindo, sutis.

A próxima mão, onde será?


Good karma

As vezes, começo a acreditar bastante na Fernandinha (de novo, referência constante aqui e na minha vida) e acreditar em karma e nessas coisas, acreditar que, a energia que você projeta e solta ao mundo, é o que volta a você.

Durante um mês e meio eu tive que fazer algo que eu nunca havia feito na vida e em lugares muito, mas muito distantes mesmo, para o trabalho. Resumindo (muito), tive que percorrer um circuito de hospitais estaduais e entrevistar pacientes com relação ao nível de satisfação – insatisfação na maior parte das vezes – com o atendimento recebido, as condições do hospital entre outras coisas.

Foi um mês e meio dos mais pesados da minha vida. Arrastava-me da cama toda manhã para encontrar me com gente tão humilde e que vivem numa realidade tão diversa da minha que, minha imaginação nunca deu conta daquela realidade. Perto deles, vivo confortavelmente num conto de fadas e sou a garotinha mimada da zona sul com todas as oportunidades do mundo, que tem acesso do bom e do melhor, inclusive em termos de saúde e que nunca irá entender o que eles, restritos àquele mau trato, estão expostos.

Chegou a um ponto que eu tinha até vergonha, pela minha posição privilegiada que tenho nessa sociedade tão desigual. Por muitas vezes fiquei chocada, sem reação, com uma caneta no ar e a boca aberta, pensando se é mesmo verdade, se, para algumas pessoas a vida é mesmo tão ruim assim, pensando em como e por que conseguem acordar toda manhã, qual será a motivação de vida deles e se, viver num mundo assim, não é senão puro masoquismo.

Até agora não entendo. Muitas pessoas, é claro, reclamaram muito mas se encontram extremamente resignadas. Não tem mais forças para lutar ou talvez, nem saibam como e que, talvez, seja possível. Não entendo como muitos deles são felizes e mais, aparentam ser muito mas muito mais felizes que eu. Na penúltima semana de pesquisa, somatizei esses sentimentos e fiquei doente, de cama por três dias.

Durante esse um mês e meio, penei para me manter algo sã. Coisa, que, convenhamos, é um tanto quanto difícil para mim. Apesar da montanha russa de vida emocional e pessoal que sempre me assola, chegava desejando um bom dia sorridente aos meus companheiros de trabalho, comecei a falar mais e me integrar mais com eles, com cada um deles, sem excessão, dei, inclusive, o benefício da dúvida à pessoas das quais eu não gostava. Mostrei que não sou uma pessoa assim, tão difícil de se lidar e nem tão fechada. Mostrei muita coisa, me mostrei, me deixei ir, afinal de contas, é possível que eles estivessem na mesma agitação interna que eu neste trabalho.

Ia fazer meu trabalho de maneira caprichada, delicada, eficaz e, com um sorriso no rosto. Por que, de má educação, aquele povo tem o bastante. Levei foras, mas tudo bem. Releva-se. Hospital não é um lugar onde as pessoas costumem ficar calmas mesmo. Estão certas. Mas mesmo assim tentei, de maneira árdua me manter no âmbito positivo da minha balança. Creio que consegui e agora, creio que o Universo esteja me mandando beijos e me abraçando.


Desvios

Um par de mãos. Alguns abraços, beijos no rosto e no pescoço. Muito de vez em quando. Sentar no colo, deitar no colo, fazer carinho. Um par de mãos, uma pele extensa, sensibilidade porosa por entre pessoas andando por caminhos desconhecidos, errantes.

Um par de mãos, alguns olhares trocados, destrocados, desviados. Palavras faltam e sobram, nunca se entendem ou raramente.

As fantasias são trocadas, a imaginação voa e tudo, tudo permanece em silêncio.


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